Aguinaldo Silva avalia sucesso de ‘Três Graças’, revela como lida com haters e adianta próximo projeto

 

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Autor de novelas que se tornaram fenômenos da TV brasileira, como “Tieta” (1989) e “Senhora do Destino” (2004), Aguinaldo Silva encerra nesta sexta-feira (15) mais um capítulo vitorioso: “Três Graças” chega ao fim consagrada pelo público e pela crítica. Escrita em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva, a trama marcou o retorno do veterano à Globo após cinco anos fora da emissora. Na entrevista a seguir, ele afirma que um dos acertos foi apostar numa linguagem popular, refletida em personagens igualmente populares. O autor revela ainda quais figuras da trama cresceram além do previsto. E, aos 82 anos, definindo-se como um “trabalhador compulsivo”, conta que já começou a escrever seu próximo projeto. Confira!

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Aguinaldo Silva: autor de "Três Graças"

Manoella Mello/Rede Globo

Qual foi o gosto de voltar ao ar no horário nobre da Globo com uma novela de grande sucesso?

O gosto, para mim, foi o mesmo de outras novelas: “Estamos fazendo bem, o esforço está valendo, só não podemos correr para o abraço antes do fim”. Mas o modo como os amantes do gênero embarcaram em “Três Graças” foi uma grata surpresa.

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Lígia (Dira Paes), Joélly (Alana Cabral), Raul (Paulo Mendes) Gerluce (Sophie Charlotte) e Paulinho (Romulo Estrela) em "Três Graças"

Beatriz Damy/Rede Globo/divulgação

Qual foi o maior acerto da trama? E o que não funcionou?

O maior acerto foi a adoção de uma linguagem altamente popular, expressa através de personagens igualmente populares e reconhecidos pelo público. Novela é obra aberta e extensa, nem sempre tudo sai como planejamos ou idealizamos, mas estou muito satisfeito.

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Cena de "Três Graças": Gerluce (Sophie Charlotte), Joaquim (Marcos Palmeira), Júnior (Guthierry Sotero), Misael (Belo), Viviane (Gabriela Loran)

Beatriz Damy/Rede Globo

Hoje, muita gente decreta o fim da novela tradicional. “Três Graças” é uma resposta a isso? Acha que o público estava com saudade de tramas mais folhetinescas?

Novela é folhetim, gênero que nasceu no século18 e sobrevive ao tempo. Não existe outro gênero literário que tenha tocado tão de perto a alma humana. E foi na TV, em forma de novela, que ele achou o seu abrigo ideal. Penso que ainda teremos muitas novelas e que elas encontrarão o coração do público se forem populares, melodramáticas e, claro, folhetinescas.

Ferette (Murilo Benício) e Arminda (Grazi Massafera) em 'Três Graças'

Beatriz Damy/Rede Globo

Ao longo da novela, você vira o neurótico das redes, que vê tudo os que as pessoas comentam e quer responder? Como lida com as críticas dos haters?

Graças a Deus, quando estou escrevendo, a absoluta falta de tempo me impede de fazer isso. Mas há pessoas em torno de nós encarregadas de ouvir o que chamo de “a voz do povo” e nos dizer o que ele está achando. Levo isso muito a sério. Afinal, é essencial saber como reagem ao nosso trabalho.

Lucélia (Daphne Bozaski) em "Três Graças"

Reprodução/Instagram

Quais personagens ou tramas cresceram além do planejado?

A Lucélia chegou e tomou o núcleo da galeria de arte de assalto. A Juquinha, que a princípio teria com Paulinho uma relação de amizade e implicância, abriu o próprio caminho rumo ao estrelato. Fazer com que ela tivesse uma relação amorosa com Lorena foi um grande acerto. Outro exemplo é o casal Viviane e Leonardo.

Casamento de Leonardo (Pedro Novaes) e Viviane (Gabriela Loran) em "Três Graças"

Reprodução/TV Globo

“Três Graças” retratou com naturalidade o amor entre duas mulheres, algo que foi muito bem recebido pelo público. Por que essa história encontrou mais espaço e aceitação agora do que em outros momentos?

Eu já tinha seguido por esse caminho em “Senhora do destino”, a filha de um personagem homofóbico tinha um caso com outra menina. Desta vez, a trama foi mais desenvolvida e a reação do público foi altamente positiva. É aquela história do “ó tempos, ó costumes”: acho que agora o público, ainda bem, está mais preparado para encarar de perto o assunto.

Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) em 'Três Graças'

Rede Globo/Reprodução

O que os outros dois Silvas trouxeram para “Três Graças” que talvez você não trouxesse?

Num trabalho estafante como esse, não há nada melhor do que ter alguém de absoluta confiança para dizer: “e se, em vez daquilo, fosse isso?”. Em matéria de criação, se alguém me der uma boa ideia, eu nem penso duas vezes.

Em 'Três Graças', os gritos de Arminda (Grazi Massafera) atraem Josefa (Arlete Salles), Raul (Paulo Mendes), Gerluce (Sophie Charlotte), Helga (Kelzy Ecard) e Gysleine (Glaura Lacerda)

Leo Rosário/Rede Globo

O que esse retorno às novelas representa para você?

Não posso chamar de retorno, já que, nesses seis anos em que não produzi nada de original, tive duas novelas reprisadas no horário nobre. E continuei a trabalhar para mim. Produzi sinopses de novelas, minisséries e seriados... Acho que, quando eu morrer, haverá muito produtor interessado em comprar o que chamo de “o baú do Aguinaldo”. Quanto à volta, voltei porque me deu uma vontade enorme de voltar, foi só isso.

Lígia (Dira Paes), Joélly (Alana Cabral) e Gerluce (Sophie Charlotte) em 'Três Graças'

Fábio Rocha/Rede Globo

Quais são seus próximos passos profissionais?

Sou um trabalhador compulsivo. Depois que escrevemos a palavra “fim” no último capítulo de “Três Graças”, fui dormir e, na manhã seguinte, comecei a trabalhar na sinopse de uma minissérie. Mas esse é um projeto apenas meu, por enquanto. E eu o retomei apenas para não ficar, por falta do que fazer, matando moscas nas paredes de casa (risos).

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