A Agro Indústrias do Vale do São Francisco ou Agrovale, que produz açúcar, etanol e energia elétrica em Juazeiro (BA), na divisa com Pernambuco, finalizou a estruturação técnica e financeira de um projeto voltado a recuperar canaviais degradados e implantar sistemas de irrigação por gotejamento, que deve ter financiamento de aproximadamente R$ 200 milhões dentro do programa Eco Invest Brasil.
O projeto foi selecionado no segundo leilão do programa, focado em destravar investimentos privados e atrair capital externo para projetos sustentáveis, incluindo a transição à agricultura de baixo carbono no setor agropecuário.
O Itaú BBA atuou como instituição estruturadora e financiadora da operação para a Agrovale, a primeira na Caatinga viabilizada pelo leilão, segundo comunicado da instituição financeira.
O montante a ser financiado, que terá taxas de juros abaixo das de mercado, deverá ser amortizado em sete anos, de acordo com a nota do Itaú BBA.
As áreas da Agrovale estão localizadas no semiárido brasileiro, onde a precipitação média anual é de cerca de 400 milímetros, o que torna a irrigação essencial para a produção agrícola.
A iniciativa tem como objetivo elevar a produtividade, promover o uso mais eficiente dos recursos hídricos e fortalecer a sustentabilidade nas lavouras.
"É uma satisfação participar da estruturação da primeira operação do Eco Invest II voltada à recuperação produtiva de áreas degradadas no bioma Caatinga.
Acreditamos que mecanismos financeiros como este são fundamentais para ampliar o acesso a capital destinado à transição para uma economia de baixo carbono", disse no comunicado o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes.
Com a iniciativa, espera-se promover a melhoria da qualidade do solo, aumentar a capacidade de retenção de matéria orgânica, fortalecer a sustentabilidade do sistema produtivo e ajudar a reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE).
A expectativa, segundo a nota, é de um incremento aproximado de 223% na produção, em comparação a sistemas convencionais de irrigação praticados na região.
Além disso, ao longo da execução do projeto, a receita estimada com esses produtos é de cerca de R$ 1,3 bilhão.
"A operação reforça nosso compromisso com uma produção cada vez mais eficiente e sustentável.
Este projeto permitirá modernizar nossas operações, aumentar a produtividade das áreas cultivadas e otimizar o uso da água, gerando benefícios ambientais e econômicos de longo prazo", afirmou no comunicado a superintendente administrativo financeiro da Agrovale, Juliana Alves.
