A confirmação do El Niño e a previsão de que o fenômeno permaneça até, pelo menos, o início de 2027 colocam a agricultura da região Norte diante de um cenário de maior risco de estiagem e temperaturas elevadas.
Diante da possibilidade de chuvas abaixo da média e aumento da evaporação, práticas voltadas à conservação do solo e da água ganham espaço entre as estratégias de adaptação utilizadas no cultivo de palma de óleo no Pará.
Na Agropalma, empresa brasileira que integra o grupo Daabon, uma das medidas adotadas para aumentar a resiliência dos plantios é a manutenção de plantas de cobertura, entre elas a puerária (Pueraria phaseoloides).
Cultivada entre os dendezeiros, a espécie forma uma camada de vegetação sobre o solo, reduzindo sua exposição direta ao sol e ao impacto das chuvas.
Segundo a empresa, a presença da puerária contribui para conservar a umidade, reduzir processos erosivos, favorecer a infiltração da água e melhorar a dinâmica dos nutrientes no solo.
A prática ganha importância em períodos de menor disponibilidade hídrica, quando a manutenção das condições do terreno pode ajudar a reduzir os efeitos do estresse sobre a lavoura.
“Quando pensamos em um período de estiagem, não basta olhar apenas para a palma, é necessário cuidar do que sustenta essa cultura.
Essa espécie auxilia justamente nisso, porque mantém a superfície protegida, contribui para conservar a umidade e cria condições mais favoráveis para a lavoura atravessar períodos de menor disponibilidade hídrica”, explica Josivaldo Pereira da Silva, gerente Agrícola da Agropalma.
A utilização da espécie também está relacionada ao aproveitamento da matéria orgânica no sistema agrícola.
Por ser uma leguminosa, a puerária possui capacidade de fixar nitrogênio, além de contribuir para o acúmulo e a circulação de nutrientes.
Um estudo realizado em áreas de cultivo de palma no município de Tailândia, no nordeste do Pará, avaliou a Pueraria phaseoloides como adubação verde e apontou seu potencial para proteção superficial e acúmulo e circulação de nutrientes.
“A puerária não é simplesmente uma planta que fica entre as palmeiras - ela faz parte de um sistema de manejo.
Além de proteger o solo, a biomassa, ou matéria orgânica, que se acumula, retorna para o sistema participando dessa ciclagem de nutrientes.
É uma prática que trabalha de maneira contínua a favor da lavoura e do seu desenvolvimento”, afirma Pereira.
Estratégia
A adoção de práticas de conservação do solo integra uma estratégia mais ampla de adaptação da agricultura às mudanças nas condições climáticas.
Para a Agropalma, a produtividade da palma está diretamente relacionada à qualidade do solo e à capacidade da plantação de enfrentar períodos de estresse térmico e hídrico.
“A resiliência da lavoura não depende de uma única ação.
Ela é construída com diferentes práticas de cultivo que, juntas, ajudam a cultura a enfrentar condições adversas.
Cuidar do solo é uma delas, porque a terra, quando bem protegida e manejada, dá mais suporte produtivo ao longo de todo o ciclo”, afirma André Borba, diretor Agrícola da Agropalma.
A importância desse tipo de manejo tende a aumentar diante da maior variabilidade climática.
Dados recentes do Cemaden, citados pela empresa, já apontaram condições de seca moderada e severa no centro-sul do Pará, reforçando os alertas relacionados ao estresse hídrico na região Norte.
Com a manutenção da cobertura vegetal entre as palmeiras, a conservação do solo passa a integrar as medidas utilizadas para enfrentar períodos de estiagem e preservar as condições necessárias ao desenvolvimento da cultura.
