Agressões físicas e cadeira no chão: o que se sabe da confusão envolvendo Ed Motta em restaurante no Rio

 

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O músico Ed Motta se viu envolvido em uma confusão em restaurante italiano da Zona Sul do Rio de Janeiro no último sábado (2).

Relatado inicialmente na coluna de Luciana Fróes no GLOBO, o episódio teria envolvido agressões físicas, com direito a cadeira atirada e garrafas voando. Apesar de admitir excessos, o música apresenta versão diferente do contado pelo restaurante.

Veja o que se sabe sobre o caso:

Onde aconteceu

A confusão ocorreu no Grado, tradicional restaurante italiano do chef Nello Garaventa e sua mulher, Lara Atamian, localizado na Rua Visconde de Carandaí, 31, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio.

A causa da discussão

A cobrança da taxa de rolha de vinho, que é o valor cobrado por restaurantes para servir vinho trazido pelo cliente.

A versão do restaurante

"Durante o atendimento no último sábado, um grupo de clientes composto por Eduardo Motta (Ed Motta), Diogo Coutinho do Couto (proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta) e um terceiro indivíduo, até o momento identificado como seu primo, protagonizou episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias dirigidas à nossa equipe e aos clientes presentes no local.

Após a negativa de concessão de cortesia da taxa de rolha, integrantes do grupo passaram a dirigir provocações constrangedoras à nossa equipe. As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada. Funcionários foram publicamente expostos ao ridículo, sem possibilidade de resposta.

Na sequência, uma cadeira foi arremessada contra um garçom que se encontrava de costas. Um esbarrão provocado por Ed Motta em uma cliente de outra mesa derrubou objetos, fazendo com que a situação escalasse e as agressões passassem a atingir também esses clientes. Um deles, que estava sentado, recebeu um soco e, ao se dirigir à saída, teve uma garrafa de vinho, tamanho magnum, intencionalmente arremessada contra sua cabeça, causando sangramento imediato.

A postura firme e profissional de nossa equipe, que tentou conter as agressões utilizando o próprio corpo como escudo, foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves. Os agressores deixaram o estabelecimento antes da chegada da polícia, acompanhados por um indivíduo associado ao Sr. Diogo Coutinho do Couto, que dirigiu ameaças aos presentes e insinuou estar armado.

Os episódios causaram danos físicos, emocionais e materiais relevantes. Vidas foram colocadas em risco e, por consequência, a própria continuidade do restaurante. Ainda estamos nos recuperando dos acontecimentos e buscando minimizar seus impactos negativos. Refletimos profundamente antes de tornar os fatos públicos, mas entendemos que o constrangimento e os danos decorrentes desses episódios não nos pertencem, e sim aos agressores. Decidimos não adotar o silêncio por receio reputacional. Nossa obrigação é proteger nossa casa, nossa equipe e nossos clientes, a quem devemos todo o sucesso de um restaurante construído com muito trabalho ao longo de quase uma década.

Estamos prestando integral suporte jurídico e assistencial aos funcionários afetados, buscando a responsabilização dos envolvidos e a reparação dos danos causados. Permanecemos à disposição das autoridades competentes e das demais partes envolvidas para colaborar integralmente com os esclarecimentos necessário."

A versão de Ed Motta

Em conversa com O GLOBO por telefone nesta quarta-feira (6), Motta reconhece excessos, mas aponta para uma versão diferente.

— Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada — conta Motta, de 54 anos. —Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso.

O músico explica que, após jogar a cadeira no chão, deixou o restaurante, não estando presente quando a confusão se escalonou.

— Eu fui embora e começou uma confusão entre as pessoas que ficaram na minha mesa e a outra mesa que estava no restaurante. A minha mesa se desculpou várias vezes por minha atitude errada e excesso de raiva, que foi provocado por eu ser cliente deles há muitos anos e nunca ter sido cobrado por essa taxa de rolha. Nunca tinham feito essa cobrança. Sou cliente deles desde o começo do restaurante, já levei milhares de pessoas lá e nunca tinham me cobrado isso. Um dos funcionários olhava para mesa com cara de ironia e prazer por aquele estresse estar acontecendo. Me irritei com tudo aquilo, joguei a cadeira no chão e fui embora — diz Motta. — Depois que eu fui embora, eu fiquei sabendo que quando a minha mesa foi pedir desculpas à mesa ao lado, esta mesa começou a ofender a minha, que inclusive tinha uma senhora, mãe de meu amigo, Nicolas, de São Paulo. Então, começou uma confusão entre eles. Foram as pessoas na mesa ao lado que ofenderam meus amigos, inclusive com ofensas homofóbicas, chamando meu amigo de "viado", e xenofóbicas, mandando ele voltar para a Arábia.

Os próximos passos

Ao GLOBO, Lara Atamian explica que, a partir de agora, deixará o caso na mão das autoridades competente e que as investigações estão em curso. Motta também fala em esclarecer junto às autoridades o ocorrido.