Agressividade, medo: consumo de ultraprocessados na 1ª infância afeta comportamento da criança 2 anos depois; entenda

 

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Uma alimentação baseada em ultraprocessados pode reverberar no comportamento de crianças na primeira infância, como indica um novo estudo publicado nesta terça-feira (3) na revista científica JAMA Network Open. Pesquisadores observaram que a ingestão regular desses alimentos aos 3 anos poderia resultar em um maior risco de desenvolver ansiedade, medo, agressividade ou hiperatividade aos 5 anos.

Ainda, de acordo com os resultados da pesquisa, para cada aumento de 10% nas calorias presentes em alimentos ultraprocessados, as crianças apresentaram pontuações mais altas em listas de verificação de problemas emocionais e comportamentais.

Por outro lado, a substituição de 10% das calorias provenientes de alimentos ultraprocessados ​​por alimentos naturais ​​– frutas, verduras e alimentos integrais – reduziu os riscos de problemas comportamentais.

“Nossos resultados sugerem que mesmo mudanças modestas em direção a alimentos minimamente processados, como frutas e vegetais inteiros, na primeira infância, podem contribuir para um desenvolvimento comportamental e emocional mais saudável”, disse a pesquisadora sênior Dra. Kozeta Miliku, professora assistente de ciências nutricionais da Universidade de Toronto, em um comunicado.

Foram analisadas quase 2.100 crianças em idade pré-escolar do Canadá. Dessa forma, a equipe comparou os dados coletados quando as crianças tinham 3 anos de idade com suas pontuações em uma lista de verificação de bem-estar emocional e comportamental aos 5 anos.

“Como mãe de uma criança pequena, comecei a notar com que frequência os alimentos processados ​​aparecem na alimentação infantil, às vezes até em locais que consideramos ambientes saudáveis. Os pais estão fazendo o melhor que podem, mas nem todas as famílias têm acesso a alimentos com um único ingrediente, ou às ferramentas e ao tempo necessários para incorporá-los à alimentação de suas famílias. Os alimentos ultraprocessados ​​são amplamente disponíveis, acessíveis e convenientes”, Miliku aponta.

Os pesquisadores acreditam que os alimentos ultraprocessados aumentam a inflamação do corpo por serem ricos em gordura saturada, açúcares e sódio. Esses componentes podem alterar a maneira que o cérebro funciona, especialmente em crianças na primeira infância, uma etapa crucial para o desenvolvimento.

O que são alimentos ultraprocessados?

Os alimentos são considerados dentro da categoria de ultraprocessados quando passam por inúmeros processos durante sua produção. Normalmente, eles contêm cinco ou mais ingredientes e foram preparados com aditivos alimentares para alterar o seu sabor, textura e cor ou para prolongar o seu prazo de validade.

Segundo o "Guia alimentar para a população brasileira", do Ministério da Saúde, são alimentos ultraprocessados:

Biscoitos, sorvetes e guloseimas;

Bolos;

Cereais matinais; barras de cereais;

Sopas, macarrão e temperos “instantâneos”;

Salgadinhos “de pacote”;

Refrescos e refrigerantes;

Achocolatados;

Iogurtes e bebidas lácteas adoçadas;

Bebidas energéticas;

Caldos com sabor carne, frango ou de legumes;

Maionese e outros molhos prontos;

Produtos congelados e prontos para consumo (massas, pizzas, hambúrgueres, nuggets, salsichas, etc.);

Pães de forma;

Pães doces e produtos de panificação que possuem substâncias como gordura vegetal hidrogenada, açúcar e outros aditivos químicos.