Agora no Fluminense, Savarino reencontra Botafogo do novo protagonista Montoro
É inevitável que Savarino esteja no centro das atenções no clássico de hoje entre Botafogo e Fluminense, às 20h30, no Nilton Santos, pelo Campeonato Carioca. Contratado sob enorme expectativa pelo tricolor — que, em troca, enviou ao alvinegro o volante Wallace Davi e uma quantia financeira —, o venezuelano pode ter a oportunidade de fazer a primeira partida como titular logo contra o ex-clube.
No Botafogo, Savarino conquistou os dois principais títulos de sua carreira, a Libertadores e o Brasileirão de 2024, e ganhou status de ídolo. Agora, mudou de lado. E o confronto de hoje, de certa forma, sintetizará como o técnico Luis Zubeldía pensa em encaixá-lo no tricolor e como seu homólogo Martín Anselmi tem conduzido o alvinegro sem ele.
Elogios a Montoro
No caso do Botafogo, a reformulação passa pelo novo camisa 10, o também estrangeiro Álvaro Montoro. Por mais que tenha apenas 18 anos, o argentino já dava indícios no ano passado de que estava pronto para assumir maior protagonismo na equipe — tanto que terminou a temporada como titular, enquanto Savarino chegou a ser visto como reserva. Isso se confirmou não apenas pelo gol e pela assistência registrados nas três partidas disputadas no ano até aqui, mas também pela intensa participação no setor de criação e na finalização das jogadas.
— Montoro tem que jogar como um 10 e correr como um 8. Ele trabalha para isso. É um jogador muito inteligente para entender o jogo. Não é só um jogador bom, é inteligente. É o que todo treinador quer — elogiou Anselmi após a atuação decisiva do argentino na goleada por 4 a 0 contra o Cruzeiro, na quinta-feira.
Anselmi, aliás, também é um ponto central no que diz respeito a Savarino. Quando fechou com o Botafogo, o treinador desejava contar com o venezuelano no elenco e chegou a se reunir com ele antes do “sim” ao Fluminense. Tanto que o relacionou para a estreia do elenco principal, contra o Volta Redonda, no dia 21, pelo Carioca — e precisou retirá-lo da lista horas antes de a bola rolar, quando foi avisado do acerto com o tricolor.
Mais tarde, Anselmi afirmou que não poderia ter um jogador que “não quer ficar no Botafogo”. A fala incomodou Savarino, que rebateu o argentino em sua apresentação no Flu, na sexta-feira.
— Estava relacionado para o jogo, estava concentrado. Sou sincero. Pela manhã, recebi a última proposta e tive que decidir antes do jogo. Falei com o treinador. Ele falou na coletiva algumas coisas que não tinha que falar, mas deixei tudo claro com ele antes do jogo. Teria que jogar o Carioca com o Fluminense. Outras coisas vocês têm que perguntar ao Botafogo, porque não posso falar — explicou Savarino.
‘Vai ser especial’
Novo camisa 11 do Fluminense, o venezuelano prefere atuar por dentro no meio-campo, mas pode ser utilizado também em alguma das pontas — com a tendência de centralizar as jogadas. Com Lucho Acosta em alta e cada vez mais consolidado como o homem mais avançado do setor na equipe de Zubeldía, esse pode ser o caminho encontrado pelo treinador para usar os dois juntos.
Táticas à parte, a partida também marcará o reencontro de Savarino com a torcida do Botafogo usando outro uniforme. O termômetro das redes sociais indicou que os alvinegros entenderam que a saída teve mais a ver com os planos da diretoria do que com o desejo do atleta. Resta saber qual será o tom adotado nas arquibancadas do Nilton Santos.
— Vai ser um jogo muito especial, jogar contra a torcida do Botafogo, que teve um carinho enorme por mim. Eu agradeço por isso. Também foram justos nessa transferência, compreensivos comigo. Vai ser especial. Vou desfrutar. Tento desfrutar de todos os momentos da minha carreira. Será um jogo muito bom. Vou encontrar muitos amigos do Botafogo. Vai ser um momento único — disse o camisa 11.
