Agente do ICE que matou mulher nos EUA não deve ser indiciado, dizem investigadores
A investigação federal sobre a morte de Renee Good, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante um protesto em Minneapolis, caminha para não resultar em acusações criminais contra o responsável pelo disparo. Segundo informações do The New York Times, investigadores avaliam que é “cada vez menos provável” que Jonathan Ross, agente do ICE envolvido no tiroteio, seja formalmente indiciado.
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O caso está agora sob comando do FBI, que afastou a polícia local e conduz uma apuração detalhada sobre o episódio, incluindo a análise da atuação de Ross e de provas materiais, como a arma usada. Fontes ouvidas pelo The Times afirmam que a divisão de direitos civis do Departamento de Justiça — que costuma investigar mortes causadas por agentes do Estado — não abriu inquérito para apurar eventual violação de direitos civis da vítima.
Investigação mira ativismo e contexto político
Em vez disso, o Departamento de Justiça estaria ampliando o foco para investigar grupos de ativistas que monitoravam ações do ICE em um bairro de Minneapolis, sob a suspeita de que eles teriam “instigado” o confronto que terminou com a morte de Good. Ainda não está claro se ela, mãe de três filhos e com 37 anos, tinha atuação contínua em movimentos ativistas, além de participar do protesto no dia do tiroteio.
Testemunhas afirmam que Good e sua esposa, Rebecca, atuavam como observadoras legais e registravam a ação dos agentes federais. Imagens de câmeras de vigilância mostram o carro de Good parado na via por cerca de quatro minutos. Em seguida, um agente se aproxima do veículo; o carro começa a se mover, e Ross dispara três vezes. Não é possível confirmar pelos vídeos se o veículo chegou a atingir o agente. Após os tiros, o carro colidiu com outros veículos estacionados.
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
Pouco depois do episódio, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou a ação de Good como “terrorismo doméstico” e defendeu o agente, afirmando que ele agiu de acordo com o treinamento ao acreditar que seria atropelado. O presidente Donald Trump reforçou essa versão, chamando Good e sua esposa de “agitadoras profissionais” e alegando legítima defesa.
Especialistas em terrorismo doméstico ouvidos pelo The Times criticaram a rapidez da classificação. Para Thomas E. Brzozowski, ex-conselheiro do Departamento de Justiça, a ausência de um processo formal transforma o termo em instrumento político. A controvérsia se soma a um memorando recente da procuradora-geral Pam Bondi que ampliou a definição federal de terrorismo doméstico, incluindo atos como obstrução de agentes e vigilância de operações policiais, o que, segundo críticos, afeta diretamente movimentos de ativismo político.
Paralelamente, autoridades de Minnesota processam o governo federal para barrar a intensificação das operações do ICE no estado, alegando motivação política e violação da Primeira Emenda. O processo sustenta que a chamada Operação Metro Surge é arbitrária e desproporcional, além de expor cidadãos americanos e portadores de visto a detenções sem justa causa.
