Agências do governo americano entram em nova paralisação enquanto acordo de Trump aguarda votação
O governo dos Estados Unidos entrou em uma paralisação parcial neste sábado, enquanto aguarda a Câmara aprovar um acordo de financiamento negociado pelo presidente Donald Trump com os democratas, após uma comoção nacional provocada pela morte de um cidadão americano por agentes da polícia de imigração (ICE), em Minneapolis.
A interrupção no financiamento tende a ser breve, com a Câmara retornando de um recesso de uma semana na próxima segunda-feira. O presidente republicano apoia integralmente o pacote de gastos.
Muitos americanos talvez nem percebam, já que a maioria dos funcionários federais que trabalham nos fins de semana, como militares e controladores de tráfego aéreo, é considerada essencial e não é dispensada durante um shutdown.
Esta é a segunda vez que o Congresso deixa de financiar o governo desde que Trump voltou ao cargo no ano passado. Uma paralisação de 43 dias entre outubro e dezembro passados foi a mais longa da história, com a suspensão da ajuda alimentar a milhões de famílias, o cancelamento de milhares de voos e servidores federais ficando sem salário por mais de um mês.
Agora, este shutdown é mais limitado, já que algumas partes do governo já estão totalmente financiadas até 30 de setembro deste ano, data de encerramento do ano fiscal dos EUA.
Entre essas agências está o Departamento de Agricultura, o que significa que não haverá interrupção no programa de cupons de alimentação (food stamps). Parques nacionais, serviços para veteranos e o Departamento de Justiça também já tiveram seu financiamento aprovado para o ano.
Ainda assim, as agências afetadas, que incluem os departamentos do Tesouro, Defesa, Segurança Interna, Transportes, Saúde e Serviços Humanos e Trabalho, passarão pelo processo formal de paralisação, segundo um documento do Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca (OMB, na sigla em inglês).
“É nossa esperança que essa interrupção seja curta”, escreveu o diretor do OMB, Russ Vought, no memorando divulgado na sexta-feira, acrescentando que a administração estará preparada para ordenar a reabertura do governo assim que Trump sancionar a lei de financiamento.
Se a Câmara aprovar a legislação de financiamento no início da segunda-feira, as operações poderão ser retomadas ainda no mesmo dia, segundo um integrante do governo. Não está claro se o Departamento de Estatísticas do Trabalho, que colhe dados da economia americana, vai adiar a divulgação do relatório mensal de empregos, prevista para sexta-feira.
A disputa em torno do shutdown começou depois que um cidadão americano, Alex Pretti, foi morto em um confronto com agentes da Patrulha de Fronteira em Mineápolis no fim de semana passado. Os democratas se recusaram a renovar o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) sem a imposição de novas restrições à fiscalização da imigração.
Os democratas defendem a exigência de que agentes do DHS usem câmeras corporais e obtenham mandados judiciais. Eles também querem proibir o uso de máscaras pelos agentes e interromper operações amplas de imigração.
Trump e o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, fecharam um acordo na quinta-feira para financiar o DHS por duas semanas, enquanto continuam as negociações sobre essas exigências. O restante do governo seria financiado até 30 de setembro. O Senado aprovou o acordo de financiamento na sexta-feira.
Trump indicou nos últimos dias que pretende fazer mudanças na campanha de deportações de sua administração. A repressão, segundo pesquisas de opinião, vem se tornando cada vez mais impopular entre os eleitores, representando um risco para o Partido Republicano nas próximas eleições de meio de mandato.
