Afetada por tarifas de Trump, Aston Martin, dos carros de James Bond, vai cortar até 20% de sua equipe

 

Fonte:


A Aston Martin Lagonda cortará até um quinto de sua força de trabalho de cerca de 3 mil funcionários, à medida que as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, complicam a reestruturação da fabricante de carros de luxo, conhecida por sua ligação com os filmes de James Bond, o agente 007.

Inspirado em Le Mans e ultralimitado: Aston Martin lança hipercarro de pista Valkyrie LM

Parece, mas não é: Empresa britânica reforma Land Rover dos anos 70 com tecnologia moderna; veja imagens

A empresa britânica espera economizar cerca de £ 40 milhões (o equivalente a US$ 54 milhões ou R$ 279 milhões) com as reduções, com custos relacionados de aproximadamente £ 15 milhões (US$ 20,2 milhões ou R$ 105 milhões) , informou nesta quarta-feira.

Os cortes mais recentes são mais profundos do que na rodada anterior, há um ano, quando a montadora pretendia demitir 5% do quadro de funcionários.

Desde a chegada do bilionário Lawrence Stroll , em 2020, Desde a chegada do bilionário Lawrence Stroll em 2020, a fabricante tem recorrido repetidamente a aumentos de capital para aliviar sua carga de dívida

Bloomberg

A fabricante de automóveis busca encerrar anos de prejuízos e reduzir seu elevado nível de endividamento. No entanto, o esforço de recuperação liderado pelo bilionário Lawrence Stroll — que resgatou a empresa em 2020 — foi prejudicado por atrasos em produtos, problemas de qualidade, tarifas mais altas nos Estados Unidos, seu maior mercado, além de uma desaceleração na China.

Veja fotos: Aston Martin lança híbrido de luxo com preço estimado em 600 mil libras

Esses desafios contribuíram para três alertas de lucro no último ano, o mais recente deles divulgado na sexta-feira. Em resposta, o diretor-presidente Adrian Hallmark busca cortar custos.

— Não quero culpar Donald Trump por todos os nossos problemas, mas ele certamente foi uma grande parte da dificuldade que enfrentamos no ano passado — disse Hallmark em entrevista, sem quantificar o impacto das tarifas. — Partimos com o objetivo de atingir o ponto de equilíbrio em 2025 — ficamos bem aquém.

As ações da Aston Martin chegaram a subir até 5% nas negociações da manhã desta quarta-feira em Londres antes de reduzir os ganhos. O papel perdeu quase metade de seu valor no último ano.

Aston Martin do 007: Carro de luxo tem armas escondidas, rastreador e assento ejetável

A empresa registrou um prejuízo de £ 493 milhões (US$ 665,2 milhões, equivalente a R$ 3,4 bilhões) no ano passado e afirmou que espera apenas uma melhora na saída de caixa livre, mas não uma reversão para o positivo em 2026. Gerar fluxo de caixa livre positivo tem sido uma meta central da companhia.

A receita caiu 21% no ano passado, para £ 1,26 bilhão (US$ 1,7 bilhão ou R$ 8,8 bilhões) . As entregas em 2026 serão semelhantes às 5.448 unidades do ano anterior, informou a empresa.

Um Aston Martin DB12 em exposição na área comercial de Xintiandi, em Xangai

Raul Ariano/Bloomberg

A montadora espera um desempenho financeiro melhor neste ano com mais entregas do supercarro híbrido Valhalla, de preço mais elevado, o que deve ajudar a aumentar o preço médio de venda de seus modelos. Esse preço caiu 15%, para £ 209 mil (US$ 282 mil ou R4 1,5 milhão), em 2025.

Carrão de luxo com câmbio manual? Aston Martin e Pagani lançam modelos para quem busca 'conexão visceral'

Desde a chegada do bilionário Lawrence Stroll em 2020, a fabricante tem recorrido repetidamente a aumentos de capital para aliviar sua carga de dívida. A Aston Martin encerrou o ano com dívida líquida de £ 1,38 bilhão (US$ 1,9 bilhão ou R$ 9,6 bilhões) e £ 250 milhões (US$ 337,3 milhões e R$ 1,7 bilhão) em caixa.

— É necessário um caminho claro para um caixa positivo sustentável a fim de eliminar a pressão de uma possível nova emissão de ações — disse o analista da Bloomberg Intelligence, Michael Dean.

Levantar mais recursos neste ano “não está nos planos”, afirmou o diretor financeiro Doug Lafferty. Isso é ajudado por um acordo de £ 50 milhões (US$ 67 milhões ou R$ 348 milhões) anunciado na sexta-feira passada para vender os direitos do nome Aston Martin além de 2055 para a equipe de Formula 1 controlada separadamente por Stroll, acrescentou.