Afeganistão acusa Paquistão de matar 'muitos civis' em ataque a Cabul

 

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O governo afegão acusou, nesta segunda-feira (16), o Paquistão de matar "muitos civis" em um ataque a Cabul que atingiu "um centro de tratamento de drogas". Os dois países estão em conflito há meses. O Paquistão alega que seu vizinho abriga combatentes do movimento Talibã paquistanês (TTP), que reivindicaram a responsabilidade por ataques mortais em seu território. As autoridades afegãs negam essa acusação.

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Após uma escalada em outubro que deixou dezenas de mortos, os combates haviam diminuído, mas recomeçaram com intensidade em 26 de fevereiro, após uma onda de ataques paquistaneses. Islamabad declarou "guerra aberta" em 27 de fevereiro e atacou Cabul no mesmo dia.

Nesta segunda-feira, jornalistas da AFP ouviram várias explosões fortes no centro da capital afegã, logo após aeronaves militares sobrevoarem a área, por volta das 21h (16h30 GMT). Colunas de fumaça subiram ao céu.

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"O regime paquistanês violou mais uma vez o espaço aéreo do Paquistão, atacando um centro de tratamento para dependentes químicos em Cabul, matando e ferindo muitos civis, em sua maioria dependentes químicos em tratamento", declarou o porta-voz do governo, Zabihullah Mujahid, na agência de notícias X. "Condenamos este crime e o classificamos como um ato desumano que viola todos os princípios", acrescentou.

O Paquistão não reagiu a essas acusações.

As explosões, ocorridas poucos dias antes do festival que marca o fim do Ramadã, provocaram pânico na capital afegã. Famílias que passeavam após quebrar o jejum buscaram refúgio em suas casas, observou um fotógrafo da AFP.

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Uma mãe aterrorizada saiu correndo de um prédio para implorar ao filho que entrasse imediatamente, testemunhou um jornalista da AFP. Outros moradores fugiram para os porões em busca de abrigo.

Por volta das 22h, o fogo da defesa antiaérea cessou e sirenes de ambulâncias puderam ser ouvidas. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) confirmou na sexta-feira que 75 civis foram mortos no Afeganistão desde a escalada dos combates em 26 de fevereiro.

Os bombardeios estão afetando Cabul e as províncias fronteiriças no leste e no sul do país.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU começou a distribuir ajuda emergencial para 20.000 famílias afegãs deslocadas pelo conflito com o Paquistão e alertou que "a instabilidade persistente levará milhões de pessoas a uma fome ainda maior".