Aeronave que caiu no Tietê tinha peças de carro e remendos com fita isolante, aponta FAB

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O uso de componentes automotivos e de fita isolante na instalação elétrica, a falta de habilitação específica do piloto e a operação após o pôr do sol estão entre as irregularidades identificadas pela Força Aérea Brasileira (FAB) na investigação da queda de uma aeronave experimental no Rio Tietê, em Pereira Barreto, no interior de São Paulo. O acidente ocorreu em 25 de fevereiro de 2024 e matou o piloto Rosivaldo Mendes da Silva, de 38 anos. O passageiro ficou gravemente ferido. Leia: MP pede multa de até R$ 1,8 milhão à Prefeitura de SP e dá 48h para Nunes explicar caos na chuva Saiba mais: Mansão da família Matsunaga é assaltada em SP e três morrem em confronto com a polícia O GLOBO teve acesso ao relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), concluído nesta quarta-feira (14). O documento aponta que Rosivaldo não tinha a habilitação necessária para pilotar o modelo anfíbio, embora possuísse licença para aeronaves terrestres. Ele também permaneceu por mais de dez anos com o certificado de piloto fora da validade, regularizando sua situação em 2023. Peças automotivas e voo após o pôr do sol Segundo o relatório, o motor tinha componentes não aeronáuticos, como filtros de combustível e de ar, radiador de óleo, mangueiras e instrumentos automotivos. A fiação elétrica apresentava reparos feitos com fita isolante. O piloto, proprietário de uma oficina de manutenção de motocicletas, também era responsável pelas intervenções na aeronave. Veja: Componentes não aeronáuticos instalados no motor da aeronave Divulgação/FAB Outro problema foi o horário da operação. A decolagem ocorreu por volta das 21h50, quando o pôr do sol estava previsto para as 21h55, no horário registrado pelo Cenipa. Por ser experimental, a aeronave estava sujeita à regra que restringia seus voos ao período diurno, salvo autorização específica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O relatório não determinou que as peças automotivas ou os problemas de manutenção tenham causado diretamente a queda. Como a aeronave ficou submersa e parte da documentação não pôde ser recuperada, não foi possível descartar uma falha do motor ou de outro componente. O Cenipa também considerou indeterminados os fatores relacionados à manutenção e à aplicação dos comandos de voo. Relembre o acidente A aeronave de construção amadora decolou do Aeródromo Fazenda São Joaquim para um voo particular. Cerca de dez minutos depois, inclinou-se abruptamente para a esquerda, perdeu o controle e atingiu a superfície do Rio Tietê. O piloto ficou submerso e morreu, enquanto o passageiro foi resgatado com ferimentos graves. Na conclusão, o Cenipa apontou a inobservância de normas e regulamentos como fator contribuinte para o acidente. A investigação tem caráter preventivo e não tem como objetivo determinar culpa ou responsabilidade.

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