Advogados de vítimas de Epstein pedem à Justiça retirada do acesso público aos arquivos; entenda
Os advogados que representam as vítimas do criminoso sexual Jeffrey Epstein pediram a retirada do ar do site do Departamento de Justiça que divulga os arquivos. Mais de três milhões de novos documentos foram revelados na sexta-feira (30), porém alguns deles possuem nomes e documentos pessoais de identidades das vítimas.
Além disso, uma reportagem do New York Times revelou que há nudez mostrando o rosto também de algumas mulheres.
Os advogados alegam falhas generalizadas do Departamento de Justiça em ocultar os nomes e informações de identificação das vítimas de Epstein, de acordo com a carta vista pela ABC News.
'Para as vítimas de Jeffrey Epstein, cada hora importa. O dano é contínuo e irreversível', escreveram os advogados Brittany Henderson e Brad Edwards em carta endereçada aos juízes distritais dos EUA Richard Berman e Paul Engelmayer.
O texto comenta que o Departamento de Justiça, desde o início da publicação do material, tem mantido comunicação para corrigir eventuais erros. Mas que esperavam que essas 'falhas não se repetissem'.
Apesar disso, eles comentam que essa expectativa foi 'frustrada' na sexta, 'quando o Departamento de Justiça cometeu o que pode ser a violação mais flagrante da privacidade da vítima em um único dia na história dos Estados Unidos'.
Os advogados — que representam mais de 200 supostas vítimas de Epstein — afirmam que, nas últimas 48 horas, relataram 'milhares de falhas de redação em nome de quase 100 sobreviventes cujas vidas foram viradas de cabeça para baixo pela última divulgação do Departamento de Justiça'.
'Eu nunca denunciei! Agora estou sendo assediada pela mídia e por outras pessoas. Isso está devastando minha vida. ... Por favor, retirem meu nome imediatamente, pois a cada minuto que esses documentos com meu nome permanecem online, me causam mais danos. ... Por favor, imploro que apaguem meu nome!!!', escreveu uma vítima identificada como Jane Doe.
Uma outra reportagem, essa do jornal The Wall Street Journal, revela que os arquivos mostram o nome de 43 vítimas de Epstein e dos casos de tráfico sexual. Os nomes completos de várias mulheres apareceram mais de 100 vezes nos arquivos.
O Departamento de Justiça era obrigado a ocultar todos os nomes das vítimas antes de divulgar os arquivos. Autoridades afirmaram que passaram semanas fazendo isso após receberem listas de nomes dos advogados das vítimas.
Desde a divulgação, na sexta-feira (30), o Departamento vem retirando parte dos arquivos para fazer as alterações.
No domingo, o vice-procurador-geral Todd Blanche disse à ABC News que a agência tomou precauções para proteger as vítimas e que removeria seus nomes caso fosse notificada.
'Sempre que recebemos uma notificação de uma vítima ou de seu advogado informando que seu nome não foi devidamente ocultado, corrigimos isso imediatamente'.
De acordo com a análise do WSJ, mais de duas dezenas de nomes de vítimas menores de idade foram revelados nos documentos. Seus nomes completos estavam disponíveis na tarde de domingo (1) na busca por palavras-chave do Departamento de Justiça, juntamente com detalhes de identificação pessoal que facilitam o rastreamento, incluindo endereços residenciais.
Responsável por divulgação dos arquivos de Epstein afirma que revisão do caso 'está encerrada'
Trump ao lado de Epstein.
Reprodução
O vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, que é o responsável dentro do governo Trump pela divulgação dos arquivos Epstein afirmou que a revisão do caso de tráfico sexual entre Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell pelos promotores 'está encerrada'. A declaração foi feita em uma entrevista à ABC News.
Em outra entrevista, dessa vez para a CNN, Blanche comentou que 'as vítimas querem ser ressarcidas integralmente' depois da descoberta do esquema atribuído aos dois. Segundo ele, 'é isso que queremos', porém 'não significa que podemos simplesmente criar provas ou inventar um caso que não existe'.
Embora ele tenha reconhecido que 'há muitas fotografias horríveis que parecem ter sido tiradas pelo Sr. Epstein ou por pessoas próximas a ele... isso não nos permite necessariamente processar alguém'.
As afirmações fazem referência aos questionamentos de vítimas do caso Epstein pedindo a responsabilização de também supostos clientes que aparecem em imagens e declarações. Em meio a isso, parlamentares democratas questionaram que a divulgação estava incompleta.
Respondendo a uma pergunta sobre as alegações dos advogados das vítimas de que algumas identidades não haviam sido corretamente ocultadas, o vice-procurador disse:
'Corrigimos isso imediatamente. Estamos falando de apenas 0,001% de todo o material'.
Ro Khanna, membro da Câmara dos Representantes dos EUA e democrata da Califórnia, contestou a afirmação de que o arquivo investigativo do Departamento de Justiça sobre Epstein havia sido esvaziado na medida exigida pela lei de transparência da qual ele foi coautor.
'Eles divulgaram, no máximo, metade dos documentos. Mas mesmo essa parte choca a consciência deste país', afirmou para a CNN.
