Advogado da família de vítima de Pedro Turra critica R$ 400 mil de reparação pedidos por MP: 'Conta de boteco para ele'
O advogado da família de Rodrigo Castanheira, que morreu após ser agredido por Pedro Turra na porta de um condomínio, no Distrito Federal, criticou o valor da reparação em danos morais solicitada à Justiça pelo Ministério Público (MPFT). Os promotores denunciaram o piloto por homicídio doloso qualificado — com intenção de matar, cometido por motivo fútil — e requereram que ele seja obrigado a pagar ao menos R$ 400 mil aos parentes do adolescente.
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Castanheira foi agredido em 23 de janeiro, em Vicente Pires (DF), e morreu após ficar 16 dias internado. O advogado Albert Halex disse ao GLOBO que o valor de R$ 400 mil fica "muito aquém" da capacidade financeira do acusado e, por isso, da "possibilidade de se realizar justiça nesse caso".
— Isso representa nem um quarto do valor do veículo que ele [Pedro Turra] possui. Não é perseguição patrimonial, mas [a reparação] tem um caráter educativo. Se Pedro Turra pegar 30 anos [de condenação], com as progressões de regime, já vai estar na rua com menos de 30 anos. Em contrapartida, a família vai viver com luto eterno — afirmou o advogado.
Halex ponderou que nenhum dinheiro compensaria a perda da família de Castanheira. No entanto, ele criticou o que considerou ser mais um baixo valor atribuído à vida da vítima, depois de o piloto ser liberado inicialmente mediante o pagamento de fiança de R$ 24,3 mil.
— O abalo na família, de modo geral, não tem preço. Mas o valor da vida do Rodrigo foi definido em míseros 400 mil, anteriormente foram 24 mil. Realmente não há preço para definir quanto seria justo, mas sabemos quanto é injusto. Vamos verificar isso. É por isso que Pedros Turras agem como agem, porque têm dinheiro infinito e 400 mil, para eles, é mais uma conta de boteco — disse Halex.
Pedro Turra teve a prisão preventiva decretada dias depois de pagar a fiança. Na denúncia, o MP destacou que o caso foi cometido por motivo fútil: "uma discussão banal iniciada por um cuspe desferido pelo denunciado". Para a acusação, Pedro Turra agiu de forma "livre e consciente" e assumiu o risco de matar o adolescente de 16 anos ao desferir "reiterados socos" nele. Laudo de exame de corpo de delito aponta que as lesões foram a causa da morte.
A vítima foi agredida por Turra durante uma briga na porta de um condomínio. Ela sofreu um traumatismo craniano severo ao bater a cabeça contra um carro durante as agressões. O suspeito permanece preso preventivamente. A Justiça agora deverá analisar se recebe a denúncia, o que tornaria réu, e se o piloto será julgado pelo Tribunal do Júri.
Investigação
A investigação sobre a agressão que resultou na morte do adolescente ganhou novos contornos nos últimos dias. A Polícia Civil já havia concluído que a versão inicial de que a briga teria começado por causa de um chiclete não se sustentava.
A defesa da vítima disse que a agressão teria sido premeditada e motivada por ciúmes envolvendo a ex-namorada de outro piloto, amigo próximo de Pedro Turra. Segundo essa versão, o grupo teria ido ao local com a intenção de provocar a briga.
O advogado Albert Halex, que representa a família do adolescente, afirma que há indícios de que os envolvidos chegaram juntos à festa e que a vítima teria sido chamada para fora pouco antes da agressão. Um áudio apreendido pela polícia, segundo a defesa, indicaria a intenção de “honrar” um combinado, reforçando a tese de emboscada. A defesa de Pedro Turra não se manifestou sobre essas alegações.
Advogado de Turra pede desculpas
O advogado de Turra pediu desculpas por dizer que o cliente estaria preso "por ser branco e de classe média". Em entrevistas à imprensa, Eder Fior afirmou que a imposição de medidas cautelares, como a tornozeleira eletrônica, seriam suficientes e atribuiu a detenção a uma suposta perseguição das autoridades.
— Então, Pedro está preso por ser um jovem, branco, posicionado na sociedade como de classe média, piloto de carro esportivo. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e que só deve ser adotada em casos extremos — afirmou. — Nós estamos falando de uma pessoa com 19 anos de idade, que poderia estar com tornozeleira eletrônica, que poderia estar com prisão domiciliar, que poderia ter uma série de medidas cautelares ali estabelecidas (...) de uma série de situações que não fossem essa medida extrema. O que acontece com essa prisão é uma resposta social.
Em post no Instagram, após a repercussão da declaração, Eder Fior afirmou lamentar "sinceramente" que a fala tenha sido "descontextualizada". Ele disse compreender a sensibilidade do tema e reforçou que a crítica se dirigiu ao que chamou de "seletividade do sistema e da cobertura pública", e não a vítimas ou quaisquer grupos vulneráveis.
"Respeitosamente, peço desculpas se a forma como me expressei deixou margem para outras interpretações, inclusive a que está sendo feita agora. O que eu pretendia dizer é que o enorme inflamar da opinião pública neste caso se deu, em grande medida, em razão da classe social envolvida — algo que, infelizmente, não costuma acontecer com inúmeros casos igualmente graves que ocorrem todos os dias com pessoas pobres da periferia, sem a mesma repercussão ou indignação coletiva", disse ele.
Delegado chorou em entrevista coletiva
Pelas redes sociais, Fior criticou o delegado responsável pela apuração do caso por chorar durante uma entrevista coletiva. O advogado afirmou que não viu Pablo Aguiar chorar "com outros crimes" e atribuiu a detenção à comoção social decorrente da investigação.
"A autoridade policial deve atuar com imparcialidade, estrita legalidade e respeito aos direitos fundamentais do investigado. Exorbitar sua função, agir com abuso, coação ou prejulgamento compromete a lisura do inquérito. O delegado não é acusador, é garantidor da legalidade da fase investigatória. É isso!!!", escreveu o advogado, em post nos stories do Instagram.
Pelas redes sociais, o advogado Eder Fior disse que o delegado, "calado, é um poeta", numa referência às declarações do investigador durante entrevista coletiva. Ele criticou uma suposta "espetacularização" do caso. Na ocasião, Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), afirmou que Pedro Arthur é um “sociopata sem condições de conviver em sociedade”.
Segundo o delegado, a prisão preventiva era necessária diante da gravidade do caso e do comportamento reiterado do investigado. Aguiar pontua que as investigações traçaram um modus operandi do piloto nas brigas.
— Frequentemente, ele se associa a amigos, possivelmente, para obter apoio durante os confrontos — afirmou o delegado.
Outras investigações
Com a repercussão do caso, a Polícia Civil passou a apurar outros episódios envolvendo Pedro Arthur. Ele já é investigado por quatro denúncias, sendo três agressões anteriores e uma tentativa de oferecer bebida alcoólica a uma adolescente menor de idade. Duas dessas ocorrências só foram registradas após a divulgação do caso mais recente.
A defesa do piloto classificou o episódio como um “desentendimento banal” e afirmou que não houve intenção de provocar o desfecho violento. Em nota, a família de Pedro declarou solidariedade à vítima e disse que ele manifestou arrependimento perante a autoridade policial.
Já a Fórmula Delta anunciou o desligamento do piloto do quadro da temporada 2026 e afirmou que repudia qualquer tipo de violência. A organização disse ainda que aguarda os desdobramentos judiciais para adotar outras medidas, se necessário.
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