Adversário do Fluminense na Libertadores adaptou música sertaneja brasileira para as arquibancadas; entenda
Em 2009, a dupla João Bosco e Vinícius emplacou o maior hit da carreira, "Chora me liga", e colocou a música no topo da lista das mais tocadas no Brasil. Em 2011, seguindo o sucesso brasileiro, a banda argentina "Play" fez uma versão intitulada "Llora, Me Llama" e criou um fenômeno cultural no país, que foi absorvido até pelo futebol. Newell's Old Boys, River Plate, Independiente, San Lorenzo, Racing e Vélez criaram cânticos de arquibancada baseados na música. O Independiente Rivadavia, adversário do Fluminense desta quarta-feira, às 21h30, na Libertadores, também adaptou o "cancionero" como uma forma de provocação aos rivais da cidade de Mendoza (Argentina).
Adversário do Flu na Libertadores adaptou sucesso sertanejo brasileiro para a arquibancada
Rebaixamento do "Lobo"
Na letra, a torcida organizada do clube argentino "Los Caudillos del Parque" (ou "Os líderes do Parque", em tradução para português) relembra as duas vezes que rebaixou um dos rivais de Mendoza, o Gimnasia y Esgrima, para a segunda divisão do campeonato argentino. Apenas 1 km separa o estádio dos dois clubes, ambos localizados no Parque General San Martín.
As partidas que mudaram a história do clássico aconteceram nos anos de 2004 e 2007. Nas duas ocasiões, o rebaixamento do Gimnasia y Esgrima ganhou as manchetes dos jornais locais.
Primeira vez que o Indpendiente Rivadavia (Arg) rebaixou o rival Gimnasia y Esgrima de Mendoza, em 2004; apenas 1 km separa os estádios dos dois clubes, ambos localizados no Parque San Martín, na cidade de Mendoza
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Segunda vez que o Independiente Rivadavia rebaixou o rival Gimnasia y Esgrima, em 2007
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Confira o trecho que cita os dois rebaixamentos: "Dos descensos no se olvidan más / que papelón Lobo, que papelón" (Dois rebaixamentos não se esquecem / Que papelão, Lobo, que papelão).
É moda?
Quando os "Caudillos" se referem a "Tomba", estão falando do clube Godoy Cruz, outro rival local da cidade de Mendoza. Para a torcida do Independiente, o rival não tem tradição, apesar do sucesso recente: "Yo sabía que vos no tenés pasión / sos una moda y nada más / sos un cagón, tomba, sos un cagón" (Eu sabia que você não tem paixão / você são moda e nada mais / é um cagão, Tomba, é um cagão).
— Nas últimas duas décadas, o Godoy se tornou grande em Mendoza, mas isso é apenas moda. Por isso está na música — disse um torcedor do Rivadavia ao GLOBO.
Apaixonado pelo clube, o torcedor quis se identificar apenas como @ParaguaCaudillo, nome da página dedicada ao Independiente no X. Ele veio ao Rio de Janeiro para acompanhar a partida e disse quase "não acreditar" no momento vivido pelo clube do coração:
—A verdade é que estou com sentimentos mistos, nunca imaginei que chegaríamos a jogar a Libertadores e ainda mais num estádio tão mítico. Estou muito feliz por curtir esse momento e ansioso para o jogo. Seremos mais de 3.000 "Caudillos" a invadir o Maracanã e vamos fazer com que o estádio seja nossa casa.
De fato, desde 2011, o Godoy é o time de maior destaque da cidade de Mendoza. Na Sul-Americana, chegou às oitavas de final (2011) e, na Libertadores, fez as melhores campanhas em 2017 e 2019, alcançando também as oitavas. Na temporada 2017/18, o clube foi o segundo colocado do Campeonato Argentino.
Agora, a sensação é o Independiente. Em apenas dois anos, a equipe saiu da segunda divisão do Campeonato Argentino (2023) e venceu a Copa da Argentina (2025). Neste ano, tem a melhor campanha do país, somando 26 pontos na liderança da competição. Foram 8 vitórias em 12 partidas até o momento.
A lenda continua
Um dos bandeirões dos "Caudillos" também é citado na letra: "La leyenda continua" ("A lenda continua"). Assim como o bordão indica, a música segue nas arquibancadas há pelo menos 15 anos e agora embala os sucessos recentes do time de Mendoza.
O torcedor Joel Gonzalez, de 25 anos, não pôde vir ao Rio acompanhar a partida porque não conseguiu ser liberado no trabalho. Mas acredita que o clube do coração fará uma boa partida contra o Fluminense, no primeiro jogo fora da Argentina do Rivadavia pela Libertadores em sua história.
— Estamos muito nervosos, confiantes e e respeitamos nosso rival que temos pela frente. Vitória ou derrota hoje não importam para mim; o importante mesmo será viver isso pela primeira vez. Mas tendo em vista nossa boa fase, acho que o Independiente Rivadavia vai se adaptar ao jogo do Flu e tentar ser efetivo no contra-ataque para vencermos — disse o jovem torcedor.
Invasão argentina
A festa da "Lepra", como se autodenomina a torcida argentina estreante na Libertadores, tomou o Rio de Janeiro. Nas redes sociais, alguns perfis compartilharam as celebrações em Copacabana e no hotel em que o clube está hospedado na cidade.
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Segundo o Fluminense, a carga de ingressos liberada para os visitantes é de até 2 mil ingressos e a expectativa é de 1.400 a 1.500 argentinos presentes no Maracanã. Estimativas não oficiais de perfis ligados ao Indpendiente Rivadavia indicam que mais de 3 mil argentinos vieram ao Rio de Janeiro.
