Adulto que participou de estupro coletivo em SP confessa crime e cita 'zoeira' em depoimento à polícia

 

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O único adulto investigado pelo estupro de duas crianças, de 7 e 10 anos, na Zona Leste de São Paulo, confessou o crime em depoimento prestado nesta terça-feira (5), em Sâo Paulo. Alesandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi indiciado por estupro de vulnerável, divulgação de material com conteúdo sexual envolvendo menores e corrupção de menores.

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Segundo o delegado Júlio Geraldo, responsável pela investigação, o suspeito não demonstrou arrependimento durante o interrogatório e indicou apenas preocupação com as consequências legais.

— Nós não sentimos qualquer espécie de remorso. O que incomoda eles é o risco de ser punido, o medo das consequências, mas nós não percebemos em momento nenhum o arrependimento. Na verdade, o que a gente percebe é outra coisa, é uma insensibilidade diante do sofrimento — disse.

— O convite para 'brincar de pipa' era real. Depois, mudaram de ideia e resolveram violentar as crianças. Ele disse que foi “por zoeira” — continuou o delegado sobre o convite feito para atrair as crianças até o local do crime

Após o crime, o investigado foi localizado na Bahia e trazido sob escolta para São Paulo, onde prestou os primeiros esclarecimentos. Em seguida, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e deve ser transferido para uma unidade prisional.

O crime ocorreu no dia 21 de abril, em uma comunidade de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital. Ao todo, cinco suspeitos foram identificados — quatro adolescentes, já apreendidos, e o adulto.

Segundo a investigação, os envolvidos conheciam as vítimas e as atraíram sob o pretexto de soltar pipa no Jardim Pantanal, também na Zona Leste. Um dos adolescentes relatou à polícia que a situação começou como uma “brincadeira” e escalou para a violência. De acordo com os depoimentos, o próprio Santos iniciou as agressões e também teria incentivado a gravação dos abusos.

O caso só chegou formalmente ao conhecimento da polícia três dias após o crime, quando a irmã de uma das vítimas recebeu um dos vídeos e procurou uma delegacia. As imagens permitiram a identificação dos suspeitos, mas sua divulgação configura crime por violar a intimidade das vítimas.

As famílias das crianças, segundo a polícia, foram pressionadas a não registrar ocorrência e chegaram a deixar suas casas por medo.

— A família saiu com medo. Teve gente que saiu só com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar as vítimas — afirmou a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.

Todos os suspeitos responderão por estupro de vulnerável. No caso do adulto, também devem ser incluídas acusações de corrupção de menores e divulgação de imagens das vítimas. A polícia afirma que também vai investigar quem compartilhou os vídeos nas redes sociais.