'Adoro relações profundas no amor e na amizade', diz Tainá Müller

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A atriz Tainá Müller, de 44 anos, não tem medo de se arremessar. Basta dar uma olhada rápida no seu trajeto até aqui: gaúcha, filha de uma dona de casa e de um comerciante, passou a bola já na adolescência, quando começou a trabalhar como modelo. Aos 17, deixou a cidade natal e, na sequência, mudou-se para Hong Kong. Antes, já existiam indícios de inquietude. Aos 5, foi diagnosticada com altas habilidades e superdotação. “Aprendi a ler sozinha aos 3. Aos 16, entrei na faculdade de Jornalismo”, conta. E foi justamente graças à sua porção comunicadora que colocou os pés na TV, aos 19, como VJ da MTV Brasil. Mais de duas décadas depois, a mãe de Martin, de 10 anos, do casamento com o diretor Henrique Sauer, está novamente se testando. Acaba de filmar em São Paulo o longa “Paula e Hortência — a última chance”, dirigido por Georgia Guerra-Peixe, em que dá vida a Magic Paula, ou Maria Paula Gonçalves da Silva. O longa estreia no ano que vem. A jogadora de basquete, hoje com 64 anos, é considerada uma das maiores de todos os tempos. “Mergulhei no seu apelido, Magic, e entendi que sua magia vai muito além das quadras”, diz. Em paralelo a essa personagem real e icônica, a atriz estreou em abril como apresentadora do programa “Café Filosófico”, da TV Cultura, dando vazão a mais uma paixão: a filosofia. “Fiz pós-graduação na disciplina, na Puc-Rio, e pesquisei bastante o ecofeminismo”, conta a atriz, que se prepara para voltar a viver na Cidade Maravilhosa — ela morou aqui de 2012 a 2020. A seguir, os melhores trechos da entrevista: Na cesta! “Foram dois meses e meio de um treino muito intenso para o filme. Vinha malhando para me recuperar de uma lesão no joelho, então não estava zerada. Mas tinha o basquete, que só tive contato na época da escola. Precisei aprender o esporte e dar conta de ter uma energia parecida com a de Paula. Além de saber dar um passe, acertar a cesta e ter a moldura do seu arremesso, teve outras outras questões, como o sotaque e o fato de ela cantar e tocar violão. Senti uma responsabilidade imensa em interpretá-la, e a encontrei algumas vezes. Conversamos muito. Pude captar o nível de abnegação exigido de uma atleta como ela.” Protagonismo feminino “Não tinha ideia do tamanho da importância de Paula e Hortência e do que elas fizeram na Seleção e em seus respectivos times. Na década de 1990, as duas transformaram o basquete num fenômeno no Brasil. Tinham torcidas fervorosas e reconhecimento, mas não existia uma análise do que era ser mulher naquele tempo. Ambas enfrentaram dificuldades, preconceitos e muita misoginia. Tem uma cena do filme em que elas vão para a Olimpíada, em 1996, e não tinha uniforme feminino. Tiveram que vestir o mesmo dos homens.” Mora na filosofia “No Brasil de hoje não dá para ser niilista como Nietzsche, por exemplo. Porque, às vezes, a desesperança é tanta que a gente entra num processo perigoso. Precisamos continuar nos encantando. Para o nosso momento, indico a leitura de Geni Nuñez, uma acadêmica indígena com pensamento anticolonial. Acredito que a saída do que estamos vivendo reside em cosmovisões ancestrais.” Amor e amizade “Estou casada há 14 anos com o diretor de TV Henrique Sauer. Uma relação longa demanda paciência, escuta e percepção das mudanças, porque, com o tempo, a gente vai se transformando. É um grande desafio, mas eu gosto disso. Adoro relações profundas no amor e na amizade." Momento de transição “Martin, meu único filho (do casamento com Henrique), completou 10 anos. Tem uma parte minha feliz de ver o passarinho criando asas e, ao mesmo tempo, saudade daquele bebezinho. Para mim, a maternidade é a grande coisa desse rolê todo.”

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