Adolescentes driblam proibição e continuam acessando redes sociais na Austrália

 

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Três meses após entrarem em vigor as restrições da Austrália ao uso de redes sociais por menores de 16 anos, adolescentes estão contornando os bloqueios com as chamadas VPNs, redes privadas virtuais, e enganando sistemas de verificação de idade, segundo o órgão regulador digital do país.

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— Como em qualquer restrição ou limite de idade, há pessoas - especialmente adolescentes criativos - que estão conseguindo contornar essas barreiras — disse Julie Inman Grant, comissária de segurança digital da Austrália, durante uma reunião de um comitê parlamentar britânico de ciência, inovação e tecnologia nesta quarta-feira.

O fato de adolescentes estarem encontrando maneiras de acessar plataformas bloqueadas não chega a ser surpreendente, mas a forma como a Austrália fará cumprir a regra será acompanhada de perto por outros países que consideram proibir redes sociais para crianças e adolescentes. O país foi o primeiro a implementar esse tipo de restrição, desencadeando um movimento global à medida que legisladores e pais se preocupam com os possíveis riscos enfrentados por crianças online.

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As restrições na Austrália atingem serviços como Instagram e Facebook, da Meta, Snapchat, X (de Elon Musk), TikTok, da ByteDance, e YouTube, do Google. Aplicativos de mensagens e jogos ficaram de fora. Cerca de 5 milhões de contas foram encerradas quando a lei entrou em vigor, em dezembro.

Segundo Inman Grant, o país agora entrou em uma “segunda fase difícil” da proibição, e cabe às plataformas garantir que usuários jovens não consigam acessar seus serviços.

As VPNs podem disfarçar a localização do usuário, permitindo acessar serviços bloqueados em determinada região. Críticos das proibições de redes sociais dizem que adolescentes simplesmente usarão esse tipo de tecnologia para entrar nas plataformas — ou migrarão para sites menos conhecidos e sem regulação.

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Pelo menos 14 países estudam impor restrições semelhantes, de acordo com o principal pesquisador que analisa o impacto da proibição australiana.

“Esse é um debate que está acontecendo no mundo todo, e a lei australiana realmente desencadeou muitas dessas discussões”, disse Jeff Hancock, diretor do Stanford Social Media Lab, durante a audiência no Parlamento britânico.

Parlamentares do Reino Unido votaram na terça-feira contra incluir uma proibição de redes sociais na legislação. O governo britânico, porém, realiza uma consulta pública sobre o uso de tecnologia digital por crianças e ainda pode adotar uma proibição no futuro.

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O movimento para restringir o acesso de crianças às redes sociais ocorre em paralelo a uma tendência global de reforçar a verificação de idade na internet, o que também tem levantado preocupações sobre privacidade.

Países como Austrália e Reino Unido passaram a restringir o acesso a sites adultos, exigindo que usuários confirmem sua identidade por reconhecimento facial ou escaneamento de documento oficial antes de entrar.