Um caso incomum registrado na Índia chamou a atenção da comunidade médica após um adolescente de 16 anos ter um dente completamente formado retirado da órbita ocular esquerda. O jovem procurou atendimento depois de apresentar um inchaço indolor na pálpebra superior por aproximadamente um mês.
A situação se tornou ainda mais surpreendente quando duas pontas esbranquiçadas começaram a aparecer entre a pálpebra e a sobrancelha. Exames identificaram a presença de um canino em uma região onde normalmente estão estruturas responsáveis pela proteção e movimentação dos olhos.
O episódio levanta questionamentos sobre como uma estrutura dentária pode surgir fora da boca e quais são os riscos dessa alteração. Segundo a oftalmologista Aline Rabelo, em entrevista ao Jornal Opção, embora pareça impossível, existem situações extremamente raras em que dentes são encontrados fora da cavidade oral, inclusive na órbita ocular.
A condição é conhecida como dente ectópico e pode estar relacionada a alterações durante o desenvolvimento embrionário. “Isso pode ocorrer devido a alterações durante o desenvolvimento embrionário, quando os tecidos estão se formando e se diferenciando, fazendo com que estruturas dentárias se formem fora da sua localização habitual”, explica.
A especialista acrescenta que outras possíveis causas incluem tumores congênitos, como os teratomas, cistos odontogênicos, alterações no desenvolvimento dos ossos da face e traumatismos. Uma anomalia extremamente rara
A presença de dentes na órbita ocular é considerada excepcional, com poucos registros descritos na literatura médica. De acordo com Aline, embora existam relatos de dentes ectópicos em outras regiões da face, como a cavidade nasal e os seios paranasais, a localização orbitária é ainda mais incomum.
“Existem registros semelhantes, principalmente em crianças, alguns associados a alterações congênitas, cistos ou tumores, como os teratomas”, afirma. No caso do adolescente indiano, chamou a atenção o fato de o dente estar completamente formado na região superior da órbita, próximo à pálpebra, sem evidências de um tumor associado.
A oftalmologista ressalta que a quantidade reduzida de ocorrências impede até mesmo o estabelecimento de uma frequência exata para a condição na população. A localização e o tamanho da estrutura são fatores determinantes para avaliar os possíveis riscos à visão.
A órbita é uma cavidade óssea relativamente pequena que abriga o globo ocular, os músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos, vasos sanguíneos e o nervo óptico, que transmite as informações visuais ao cérebro. Por isso, a presença de um dente nessa região pode provocar deslocamento do olho, visão dupla, dificuldade de movimentação ocular e inflamações.
Em situações mais graves, também pode ocorrer compressão do nervo óptico, com risco de perda visual. “Por isso, a presença de uma estrutura anormal nessa região pode provocar deslocamento do globo ocular, visão dupla, dificuldade na movimentação dos olhos, inflamação e, em situações mais graves, compressão do nervo óptico”, alerta Aline.
Diagnóstico exige exames de imagem A identificação da anomalia depende de avaliação oftalmológica detalhada e exames de imagem, principalmente a tomografia computadorizada das órbitas.
O procedimento permite localizar a estrutura dentária e verificar sua relação com os tecidos ao redor, auxiliando no planejamento do tratamento. Quando a retirada é necessária, a intervenção é cirúrgica e deve ser cuidadosamente planejada para evitar danos às estruturas oculares.
Segundo Aline, o procedimento pode ser realizado por um oftalmologista especializado em cirurgia orbitária, com o objetivo de remover o dente e preservar a função visual. Apesar da raridade da condição, a especialista orienta que alterações persistentes na região dos olhos sejam investigadas.
Entre os sinais que merecem atenção estão nódulos ou inchaços nas pálpebras, assimetria entre os olhos, deslocamento do globo ocular, visão dupla, dificuldade para movimentar os olhos e alterações visuais. No caso do adolescente indiano, o primeiro sinal foi justamente um inchaço indolor, que evoluiu até o aparecimento de estruturas endurecidas e esbranquiçadas.
Aline destaca que nem sempre alterações orbitárias provocam dor ou comprometimento imediato da visão, podendo evoluir lentamente e passar despercebidas durante meses ou anos. A oftalmologista ressalta, entretanto, que a presença de um dente na órbita não deve ser considerada uma possibilidade comum diante de qualquer inchaço na região dos olhos.
“A grande maioria dos nódulos e inchaços palpebrais está relacionada a condições muito mais comuns”, tranquiliza. Ainda assim, ela reforça que manifestações persistentes, progressivas ou incomuns precisam de avaliação especializada para que a causa seja identificada corretamente e possíveis complicações sejam evitadas.
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Jornal Opção