Com o apoio do grupo político do ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, do PP, ainda à frente da prefeitura com Dudu Reina, o candidato ao governo do Rio Eduardo Paes (PSD) consolidou um arco de alianças com os principais mandatários da Baixada Fluminense, região que concentra 21,9% do eleitorado. Dos 13 municípios, nove têm prefeitos que pretendem pedir votos para o carioca. Eleições 2026: PT rebate Flávio Bolsonaro e diz ao TSE que Corte já proibiu deepfake mesmo sem potencial de enganar eleitor Leia mais: Pivô de racha entre Michelle e Flávio, presidente do PL no Ceará triplica patrimônio em quatro anos Além do número em si, chama atenção o peso dos colégios eleitorais. Os únicos que apoiam o principal adversário de Paes, Douglas Ruas (PL), são de cidades que não estão entre as mais populosas: Mesquita, Nilópolis e Guapimirim. O carioca tem se beneficiado do favoritismo consolidado nas pesquisas. Na última Quaest, Paes lidera o principal cenário com 38% das intenções de voto, ante 10% de Ruas e do ex-governador Anthony Garotinho. liderança ajuda a atrair novos aliados que se interessam por espaços e ajudas em um eventual governo. Rogério Lisboa declarou apoio a Paes em vídeo publicado na terça-feira. Ontem, ele e Dudu Reina tomaram café da manhã em Nova Iguaçu com o político do PSD e o candidato dele ao Senado, Pedro Paulo, que preside o partido no estado. “A Baixada Fluminense será uma prioridade no meu governo. Ela é um dos grandes motores que movem o estado do Rio. E Nova Iguaçu é uma cidade estratégica para toda a região metropolitana”, escreveu Paes ao divulgar foto com os políticos locais. Até meados de julho, Lisboa estava anunciado como vice na chapa de Douglas Ruas, mas acabou sendo um dos quadros da federação composta por União Brasil e PP que incentivaram a postura de neutralidade das siglas na eleição do Rio. Antes mesmo de a posição neutra ser confirmada, ele comunicou ao PL que não iria mais compor a aliança.
Máquina municipal Com a neutralidade, os quadros dos dois partidos ficaram livres para apoiar quem quisessem. No PP, que tem mais capilaridade no estado, a maioria está com Paes. Já a prefeita de Belford Roxo, Mariana Malta, é do União e tende a não se envolver no jogo. Ela era vice de Márcio Canella, também do União — que renunciou ao cargo para disputar o Senado, mas acabou desistindo após a operação da Polícia Federal que investiga suposta lavagem de dinheiro por meio de postos de combustível. Nova Iguaçu só fica atrás de Duque de Caxias no ranking de maiores colégios eleitorais da Baixada. Foi de Caxias que saiu a vice da chapa de Paes, Jane Reis (MDB). A advogada com entrada no universo evangélico é irmã do presidente estadual do partido, Washington Reis, e tia do atual prefeito, Netinho Reis. No quarto município mais populoso, São João de Meriti, o candidato do PSD também conta com a estrutura da máquina municipal. Quem governa a cidade é Leo Vieira, do PSDB, sigla que passou a ser comandada no estado pelo irmão dele, o deputado federal Luciano Vieira. Professora da UFRJ e coordenadora do Lappcom, a cientista política Mayra Goulart ressalta que dois dos cinco maiores colégios eleitorais do estado, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, ficam na Baixada, e ambos têm agora prefeitos que estão com Paes. As parcerias com mandatários locais compensam a pouca força do PSD na região. — Paes não tem uma força endógena na região. O PSD, partido dele, não tem nenhuma prefeitura na Baixada, então não vai ter enraizamento do partido por lá — observa. — Ele está jogando um jogo de pragmatismo. É menos por conta de sinalizações à direita e mais por trocas políticas (que ele atrai esses prefeitos). Esses representantes do que chamamos de municipalismo pragmático, com muito enraizamento local, aderem àquilo que vai estruturar melhor o poder territorial deles. A atenção especial de Eduardo Paes a composições na Baixada se explica pela força eleitoral da região, mas também pelo baque sofrido em 2018. Naquela eleição atípica, marcada pela antipolítica e a onda bolsonarista, o ex-juiz Wilson Witzel derrotou o ex-prefeito do Rio por diferenças superlativas nos municípios do cinturão metropolitano. Saindo da Baixada, Douglas Ruas tem hoje apenas uma das principais máquinas locais do estado: a de São Gonçalo, seu reduto, que é governado pelo pai, Capitão Nelson (PL). Mais de sete em cada dez eleitores do estado vivem na Região Metropolitana. Embora Paes também esteja tentando angariar apoios no interior, é na capital e no entorno que está a maior parte dos votos.
O Globo