Acusado de matar esposa grávida nos EUA corta tornozeleira, foge para a Itália e pede asilo por acusação 'injusta'
O empresário Lee Gilley, de 39 anos, acusado de assassinar a esposa grávida dentro da casa da família em Houston, no Texas, foi recapturado na Itália após cortar a tornozeleira eletrônica e fugir dos Estados Unidos às vésperas do julgamento. Segundo autoridades locais, ele está sob custódia em Milão e alegou buscar asilo político por considerar a acusação “injusta” e por temer a possibilidade de ser condenado à pena de morte. O julgamento estava marcado para começar em 29 de maio.
Após mais de 20 anos, polícia identifica homem encontrado morto em área de mata nos EUA
Ex-motorista de entregas é condenado à morte por sequestro e assassinato de menina de 7 anos nos EUA
De acordo com registros judiciais, um juiz revogou a fiança de US$ 1 milhão após investigadores receberem, na sexta-feira (1º), um alerta de adulteração do equipamento de monitoramento eletrônico. As autoridades tentaram contato com Gilley, mas não conseguiram localizá-lo. Segundo seu advogado, Dick DeGuerin, ele teria passado primeiro pelo Canadá antes de embarcar para a Itália.
A Justiça do Texas agora precisa formalizar às autoridades italianas que não solicitará a pena de morte para viabilizar a extradição. Embora a promotoria nunca tenha pedido a pena capital, esse procedimento é exigido no processo internacional. Ainda não há previsão para o retorno dele aos Estados Unidos.
Investigação apontou estrangulamento
Gilley responde por homicídio qualificado pela morte da esposa, Christa Gilley, de 38 anos, e do filho que ela esperava. O crime teria ocorrido em 7 de outubro de 2024, na residência da família, no bairro de The Heights, em Houston. Os dois filhos do casal estavam na casa no momento da ocorrência, segundo os investigadores.
Na ocasião, Lee ligou para o serviço de emergência afirmando que a mulher havia tentado suicídio por overdose e que ele realizava manobras de reanimação cardiopulmonar. Ele relatou à polícia que os dois haviam discutido antes de ele dormir e que, ao acordar cerca de três horas depois, encontrou Christa inconsciente.
Christa foi levada ao hospital, onde morreu. No entanto, médicos identificaram ferimentos incompatíveis com overdose. A autópsia concluiu que a causa da morte foi compressão no pescoço, com lesões compatíveis com estrangulamento. Segundo os promotores, o próprio Lee afirmou que a esposa não tinha histórico de comportamento suicida nem de uso de drogas.
Promotoria já apontava risco de fuga
Antes mesmo da fuga, promotores já demonstravam preocupação com a possibilidade de evasão. Em março deste ano, Gilley pediu autorização para viajar até a Carolina do Sul para visitar a mãe, que estaria em fase terminal.
Além disso, documentos anexados ao processo indicam que ele teria discutido a possibilidade de deixar o país, mencionando destinos como México e outros locais onde poderia obter uma nova identidade. A promotoria também afirma que ele conversou sobre essa possibilidade com uma mulher com quem teria mantido um relacionamento extraconjugal em 2023.
Segundo a defesa, a decisão de fugir pode ter sido motivada pela apresentação de novos documentos pela acusação pouco antes do julgamento. O material incluía justamente referências ao suposto caso extraconjugal, que poderia ser explorado no tribunal.
DeGuerin afirmou que a fuga é “muito preocupante”, mas negou que isso represente admissão de culpa.
"Estou preocupado que a acusação tente dizer que o fato de ele estar fugindo é uma prova de consciência de culpa, mas acho que ele está apenas com medo", declarou ao canal Click 2 Houston.
Família cobra justiça
Fundador da empresa de consultoria de software Docmo, Gilley era considerado um empresário bem-sucedido em Houston. Christa, por sua vez, tinha doutorado em fisioterapia e atuava como professora adjunta na Universidade do Texas Medical Branch.
Em nota, a família da vítima afirmou estar devastada com a morte dela e do bebê.
“Christa era uma mãe incrível, cheia de amor e ansiosa para receber seu terceiro filho. Eles foram tirados deste mundo desnecessariamente e muito cedo”, disseram os familiares.
O casal havia se casado em Charleston, na Carolina do Sul, em 2017, quase dez anos após se conhecerem. A família segue pedindo justiça pela morte de Christa e da criança que ainda iria nascer.
