Acusado de estupros por oito mulheres, ator e cantor francês Patrick Bruel diz que é inocente: 'Nunca forcei ou droguei'
O ator e cantor francês Patrick Bruel, de 67 anos, se pronunciou em post nas redes sociais sobre mais uma das acusações de estupro que recaem contra ele. Oito mulheres acusam Bruel de agressão sexual em crimes que teriam acontecido entre 1992 e 2019, segundo revelou uma reportagem do site investigativo francês Mediapart.
Em abril, o Ministério Público de Paris confirmou ao Le Monde que uma investigação havia sido aberta para apurar possíveis crimes sexuais de Bruel. A primeira denúncia foi feita em 12 de março, por Daniela Elstner, diretora-geral da organização de cinema Unifrance. Ao Mediapart, Elstner contou que Patrick a estuprou uma vez dentro do seu carro, e outra vez em 1997, durante o Festival de Cinema Francês de Acapulco, no México, quando ela tinha 26 anos.
Houve uma segunda denúncia de estupro, feita de maneira anônima, cujo crime teria acontecido durante o Festival de Cinema Britânico de Dinard, em 2012, quando o artista atuava como presidente do júri. O advogado de Bruel, Christophe Ingrain, disse ao Mediapart que seu cliente “nunca forçou um ato sexual ou uma relação sexual com ninguém”.
Patrick Bruel também foi acusado de estupro pela apresentadora francesa Flavie Flament. A suposta agressão teria ocorrido quando ela tinha 16 anos. Ele também nega as acusações.
Na tarde deste domingo (17), Bruel fez um longo texto no qual negando ter cometido qualquer prática sexual criminosa contra Flament. Leia a seguir:
“Eu hesitei muito antes de me manifestar.
Há dois meses, escolhi reservar minhas palavras à Justiça. Mas hoje não posso mais deixar sem reação coisas tão contrárias ao que eu sou, e permitir que se espalhem alegações, rumores às vezes absurdos e repugnantes, em detrimento da verdade.
Conheci Flavie Flament nos anos 1990. Minha carreira já havia começado, enquanto a dela estava começando. Nossos caminhos se cruzaram, nos revimos algumas vezes e tivemos uma breve história juntos.
Essa relação não foi violenta, nem coercitiva, nem ardilosa. Não houve estupro, nem drogas. Eu jamais a maltratei, nem a abandonei diante de um ‘hotel sórdido’.
Aqueles que nos conheciam na época, os que continuaram nos conhecendo desde então, os que nos viram nos reencontrar ao longo dos anos, tanto na televisão quanto na vida, jamais perceberam entre nós outra coisa além de uma cumplicidade nascida de lembranças em comum.
Não entendo por que, subitamente hoje, Flavie Flament conta uma história diferente e sórdida, e apresenta uma denúncia contra mim. Sei apenas que essa história é falsa.
Nunca forcei uma mulher. Nunca droguei, manipulei ou procurei subjugar quem quer que seja. Nunca me servi da minha notoriedade para abusar de alguém e obter relações sem consentimento.
Compreendo que nossa diferença de idade possa provocar reações hoje em dia. Também compreendo que notoriedade ou status possam desequilibrar uma relação de sedução.
Talvez digam que esta mensagem é complexa, em uma sociedade em que tudo deve ser preto ou branco. Na realidade, ela é simples: eu nunca forcei uma mulher. E jamais quis ferir alguém.
E, se pude magoar quem quer que seja, lamento sinceramente.
Há semanas, várias vozes pedem minha condenação na praça pública, sem julgamento, como se a pluralidade das acusações bastasse para estabelecer uma verdade.
Cabará à Justiça, na qual tenho total confiança, esclarecer essas acusações; ela já o fez no passado.
Lutarei diante dela para defender a verdade. Vou me defender, por aqueles que me apoiam, por minha família, por minha equipe, por meus amigos, por meu público com quem mantenho um vínculo fiel e inabalável, por todos aqueles que recusam que nossa sociedade renuncie a seus princípios mais fundamentais: a presunção de inocência, o direito a uma investigação justa e a Justiça.
Enquanto isso, continuarei exercendo meu trabalho, com a mesma dedicação e a mesma paixão.
Patrick”
