Acordos têm potencial, mas desafio é transformar promessas em ações, diz Associação Brasil-Coreia
Em agenda oficial na Coreia do Sul, o presidente Lula participou da assinatura de acordos bilaterais que visam ampliar a parceria entre os dois países em setores estratégicos como ciência, saúde e desenvolvimento industrial.
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Brasil e Coreia do Sul assinam acordos sobre cooperação em áreas de comércio e minerais críticos
Ao todo, foram firmados cerca de dez instrumentos de cooperação que envolvem ministérios, instituições e representantes do setor privado dos dois países.
Em entrevista ao Jornal da CBN, Soleiman Dias, especialista em Estudos Coreanos e presidente da Associação Brasil-Coreia, que acompanhou os encontros, afirmou que há um interesse mútuo em ampliar as relações. Ele destacou que o Brasil é um parceiro comercial importante da Coreia do Sul na América do Sul, mas que ainda há espaço para expandir a cooperação econômica e industrial.
"Em vários discursos, eles ressaltaram os pontos em comum que têm na vida pessoal de cada um e também o interesse que ambos os países têm em crescer, colaborar e, de certa forma, fazer parte desse multilateralismo."
Segundo Soleiman Dias, os acordos abrangem diversas áreas estratégicas com previsão de intercâmbio de conhecimento e aproximação entre instituições e indústrias dos dois países. Ele destacou que, embora os compromissos estabeleçam bases importantes no campo teórico, o avanço depende da implementação das iniciativas.
"Tem muita coisa teórica escrita no acordo, que o tempo vai dizer. Quantos e quantos acordos já foram assinados, mas é necessário, agora, implementar. E eu acho que essa é uma área que pode ser começada talvez mais facilmente, porque já existe um interesse muito grande de ambas as partes. As duas partes lucram numa experiência como essa."
Viagens de Lula
Lula e Lee Jae Myung, presidente da Coreia do Sul, assinaram acordos sobre cooperação nesta madrugada
Ricardo Stuckert/PR
Lula desembarcou na Coreia do Sul neste domingo (22). Esta é a terceira vez do presidente no país asiático. As viagens anteriores foram em 2005 e 2010, mas esta é a primeira com o peso de visita de Estado — o que traz maiores teores político, econômico e diplomático.
A ida à Coreia do Sul foi logo após uma visita à Índia, onde participou de uma cúpula sobre inteligência artificial. Lá, Lula firmou acordo sobre minerais críticos e terras raras com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Antes de deixar Nova Délhi, o presidente Lula comentou a decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 15% sobre todos os países, após ter o tarifaço derrubado pela Suprema Corte americana.
Lula afirmou que acredita em um acordo com o presidente americano na reunião prevista para março, em Washington.
"Houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%... Agora pra todo mundo vai ser 15%. Eu estou convencido que, na conversa, a relação entre Brasil e Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesses, nós temos interesses. Taxar algum produto nosso vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano", disse.
