Acordo entre EUA e Irã prevê gestão de Ormuz por iranianos, diz TV estatal; Casa Branca chama de 'invenção'
A televisão estatal iraniana divulgou nesta quarta-feira (27) o que chamou de 'estrutura inicial não oficial para um memorando de entendimento' entre o Irã e os Estados Unidos. Segundo o rascunho, as forças militares dos EUA se retirarão das proximidades do Irã e suspenderão o bloqueio naval aos portos iranianos.
Em contrapartida, o Irã se compromete a restaurar o número de navios comerciais em trânsito pelo Estreito de Ormuz aos níveis pré-guerra dentro de um mês.
Segundo a reportagem, embarcações militares não estão incluídas nesta minuta de acordo.
Entre outros detalhes, estão que a gestão e o traçado do tráfego de Ormuz serão de responsabilidade do Irã em cooperação com Omã.
Além disso, caso se chegue a um acordo final dentro de 60 dias, este acordo será aprovado sob a forma de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.
Por fim, a mídia estatal iraniana diz que o acordo ainda não está finalizado e o Irã não tomará nenhuma medida sem uma 'verificação concreta'.
Do outro lado, a Casa Branca respondeu, chamando o que foi divulgado de uma 'completa invenção'.
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A Casa Branca informou nesta quarta-feira (27) à rede de TV árabe Al Jazeera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, só aceitaria um acordo que atendesse aos interesses do povo americano e garantisse que o Irã não obtivesse uma arma nuclear.
A Casa Branca afirmou que Trump deixou claras suas linhas vermelhas e disse que as negociações estavam indo bem.
Navios de 'países hostis' seguem impedidos de atravessar o Estreito de Ormuz, afirma Irã
Embarcação no Estreito de Ormuz.
PUNIT PARANJPE /AFP
O Irã afirma que navios pertencentes a 'países hostis' continuam impedidos de atravessar o Estreito de Ormuz, de acordo com a emissora estatal iraniana IRIB, em meio às negociações em curso entre Teerã e Washington.
A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou nesta quarta-feira (27) que 'embarcações pertencentes a 'países hostis' estão proibidas de atravessar o Estreito de Ormuz', informou a agência, acrescentando que Teerã continuará sua 'cooperação' com os países que cumprirem a 'ordem iraniana'.
Não foi citado especificamente nenhum país sobre o caso.
Apesar disso, a declaração surge após o conselheiro para assuntos internacionais do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou na redes sociais que a linha vermelha do Irã era o Estreito de Ormuz, destacando que ele significa a 'garantia concreta da sobrevivência do acordo'.
Ali Akbar Velayati comentou que documentos e assinaturas 'por si só não são garantia de nada', sem explicar muito.
'A história testemunha que todos os invasores que vieram com desejos hegemônicos, de Alexandre, o Grande, a Gengis Khan e Donald Trump, foram absorvidos pela antiga civilização iraniana', afirmou, acrescentando que 'a geografia não mente e é a juíza final dos tratados escritos em papel'.
O vice-chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Bagheri, afirmou que a questão do estoque iraniano enriquecido 'não deve estar na agenda das negociações com os Estados Unidos para um acordo sobre o fim da guerra'.
'Expressamos claramente nossa posição e, se os Estados Unidos quiserem discutir os detalhes da questão, não chegaremos a nenhuma conclusão, pois as divergências são muito grandes', acrescentou Bagheri, que está em visita à Rússia, de acordo com a agência IRNA.
Após realização de declarações públicas prometendo resposta e que nenhuma violação de cessar-fogo ficaria impune, com o ataque dos Estados Unidos, o Irã recuou nesta quarta-feira (27), afirmando que a retomada da guerra é 'pouco provável'.
A afirmação foi de um responsável pelas forças navais da Guarda Revolucionária, citado pela agência Tasnim.
Segundo ele, essa avaliação se baseia na 'fraqueza do inimigo', mesmo com o Irã mantendo alerta frequente através de suas forças armadas para eventuais ataques americanos.
