Acordo e viagem de Castro e presidente do TJ pode levar Guilherme Delaroli ao posto de governador por uma semana
A viagem do governador Cláudio Castro (PL) à Europa, prevista para começar nesta quarta-feira (28), vai provocar uma reconfiguração temporária no comando do Estado do Rio. Com retorno marcado apenas para 8 de fevereiro, Castro deixará o Executivo sem parte da linha sucessória tradicional, abrindo espaço para que o presidente em exercÃcio da Assembleia Legislativa, Guilherme Delaroli (PL), assuma o Palácio Guanabara por cerca de uma semana.
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O cenário é resultado de mudanças recentes no topo do poder estadual. A renúncia do vice-governador Thiago Pampolha e o afastamento do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), por decisão do Supremo Tribunal Federal em dezembro do ano passado, desorganizaram a sequência constitucional de substituição do governador. Pela regra, o comando do estado caberia ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.
O magistrado, porém, também tem viagem programada e deve se ausentar do paÃs a partir de domingo, dia 1º. Diante disso, a solução articulada foi a transferência temporária do governo para Delaroli. Durante esse perÃodo, a presidência da Alerj ficará com a deputada Tia Ju (Republicanos), que é a segunda vice-presidente, seguindo a linha sucessória interna da Casa
Esta será a segunda vez que a parlamentar ocupará a cadeira de presidente da Assembleia. A primeira ocorreu em junho do ano passado, quando Rodrigo Bacellar assumiu interinamente o governo do estado para que Cláudio Castro realizasse uma viagem internacional. Na ocasião, Tia Ju permaneceu no comando da Alerj por 15 dias.
Em declaração ao GLOBO, a deputada afirmou que pretende conduzir os trabalhos da Casa de forma equilibrada, sem ampliar tensões polÃticas durante o perÃodo em que estiver à frente da Assembleia.
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— É uma responsabilidade muito grande. Mas vou tratar tudo com muita serenidade e de forma equilibrada. Não pretendo entrar em embates polÃticos — disse.
As definições sobre a transição temporária foram fechadas em reunião nesta segunda-feira entre o governador Cláudio Castro, o desembargador Ricardo Couto e Guilherme Delaroli, quando foram alinhados os procedimentos administrativos diante do vazio momentâneo no comando do Executivo.
A movimentação também ocorre em meio a discussões mais amplas sobre a sucessão definitiva no Palácio Guanabara. Pessoas próximas ao presidente do Tribunal de Justiça afirmam que Ricardo Couto tem demonstrado resistência à possibilidade de assumir o governo em caráter prolongado, caso Castro renuncie para disputar uma vaga no Senado.
O desconforto se soma ao cenário fiscal adverso. O Estado do Rio inicia o ano com estimativa de déficit próximo de R$ 19 bilhões, o que tem pesado nas avaliações internas sobre quem deverá assumir o comando do Executivo em um eventual afastamento definitivo do governador. O desembargador não quer se envolver politicamente na situação.
Diante desse quadro, dirigentes do PL passaram a estudar alternativas jurÃdicas para viabilizar que Guilherme Delaroli seja alçado ao governo no lugar do desembargador, caso a renúncia de Castro se concretize entre março e abril. A ideia seria mantê-lo no cargo até a realização da eleição indireta que definirá um governador-tampão para a conclusão do mandato. Para isso, haveria a possibilidade do presidente do TJ se afastar novamente.
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