Acordo do Mercosul com a UE põe fim a '25 anos de sofrimento', diz Lula
O presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reuniram na tarde desta sexta-feira (16) para discutir os próximos passos do acordo Mercosul-UE que deve ser assinado neste sábado (17).
O encontro ocorreu no Palácio de Itamaraty, no centro do Rio de Janeiro. O clima foi de cordialidade entre os dois, com elogios mútuos sendo feitos na declaração à imprensa, sempre reforçando os esforços que tiveram de cada lado para chegar a este acordo após mais de 25 anos de negociações. Lula aproveitou o momento para celebrar o acordo que ele considera histórico para os dois blocos econômicos.
"Foram mais de 25 anos de sofrimento e tentativa de um acordo. Amanhã, em assunção, a União Europeia e o Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto de 22 trilhões de dólares. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo".
Ursula von der Leyen celebrou o avanço na troca de matéria-prima entre os dois blocos. Essa reunião foi vista como uma discreta vitória no âmbito polÃtico, por representar também a relevância do presidente Lula no tratado.
O presidente, no entanto, disse antecipadamente que não vai comparecer ao evento de assinatura que vai ser no Paraguai amanhã.
Há um desapontamento por parte da equipe diplomática do presidente Lula pelo acordo não ter saÃdo a tempo enquanto ele ainda era presidente do Mercosul. Vale lembrar que esse era um cargo rotativo e saiu das mãos do presidente do Brasil ao fim de dezembro e quem assumiu foi justamente agora o presidente do Paraguai, Santiago Penha.
Não foi vista com bons olhos também a decisão do Penha convidar os presidentes do Mercosul para a assinatura após Lula ter dito que não participaria desse evento. Inicialmente estava acordado entre as partes que só representantes diplomáticos iriam a esse encontro e após o presidente Santiago Penha convidar todos os chefes de Estado do Mercosul, eles confirmaram presença, a exceção fica pelo presidente Lula, que foi convidado, mas não deve mudar essa posição.
Fato é que após meses dessa negociação direta com Lula, a presidente da Comissão Europeia aceitou passar antes no Rio de Janeiro, fez esse gesto simbólico para o presidente e para o Brasil.
A Comissão Europeia afirma que o acordo de livre comércio é o maior já firmado pelo Bloco em termos de redução de tarifas, eliminando mais de 4 bilhões de euros ou cerca de 25 bilhões de reais por ano, esse valor por ano, em impostos sobre as exportações feitas pela União Europeia. A estimativa é que o Mercosul elimine tarifas sobre cerca de 91% das exportações feitas da União Europeia ao longo de 15 anos, enquanto isso, por parte do Bloco Europeu, deve-se retirar progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.
