Ações do Nubank caem mais de 10% após troca de diretor financeiro e em meio a piora no cenário de crédito no Brasil

Ações do Nubank caem mais de 10% após troca de diretor financeiro e em meio a piora no cenário de crédito no Brasil

Fonte: Bandeira



As ações do Nubank chegaram a cair até 10% nesta terça-feira após a fintech anunciar a contratação de Rob Livingston, ex-diretor financeiro da Visa para a América do Norte, como novo CFO da companhia. O executivo terá a missão de ajudar a estruturar o banco que a empresa pretende lançar nos Estados Unidos.

Conheça Livingston: Nubank traz executivo experiente no mercado de pagamentos dos EUA, onde tenta se consolidar

Durigan: classificação de CV e PCC como terroristas vai encarecer serviços de bancos, diz ministro

A mudança surpreendeu o mercado e aumentou as incertezas sobre a estratégia da companhia em um momento considerado delicado. Em relatório a clientes, o Bank of America afirmou que, embora a experiência de Livingston no setor financeiro seja positiva, a troca ocorre em meio a desafios relacionados à qualidade do crédito no Brasil e aos planos de expansão para México, Colômbia e EUA.

Após o anúncio, o banco rebaixou sua recomendação para as ações do Nubank de neutra para desempenho abaixo da média do mercado ("underperform"), citando dúvidas sobre a evolução da carteira de crédito e a execução da estratégia internacional.

Livingston assumirá o cargo em 13 de julho, substituindo Guilherme Lago, que deixará a função de CFO para atuar como assessor especial da administração e dos comitês de auditoria e risco. Lago estava no Nubank desde 2019 e participou do processo que culminou na abertura de capital da empresa na Bolsa de Nova York, em 2021.

Initial plugin text

As ações do Nubank acumulam queda de 28% em 2026, pressionadas pela deterioração do ciclo de crédito no Brasil. Investidores acompanham com atenção a exposição da fintech a clientes de baixa renda, enquanto os lucros do primeiro trimestre ficaram abaixo das expectativas do mercado devido ao aumento dos custos com inadimplência.

Apesar das preocupações, o CEO David Vélez defendeu a escolha do novo executivo, destacando sua experiência em instituições financeiras globais e seu conhecimento do mercado americano. Neste ano, o Nubank recebeu aprovação condicional para operar um banco nos Estados Unidos, um dos principais pilares de sua estratégia de crescimento fora da América Latina.

Segundo analistas do Citi, a nomeação faz parte de uma reformulação mais ampla da liderança da companhia para prepará-la para uma operação em escala global. A fintech já atende mais de 135 milhões de clientes na América Latina e não descarta novas expansões nos próximos anos.