As ações da Deoleo, maior engarrafadora de azeite do mundo, recuaram até 23,12% nesta quinta-feira (05) na Bolsa de Madri, logo após o anúncio da venda da companhia por 520 milhões de euros. O consórcio comprador reúne duas gigantes do setor agroindustrial na Espanha, a cooperativa Dcoop e a empresa Acesur, que assumirão o controle em fatias iguais.
O tombo nas cotações atingiu a mínima de 0,266 euro por papel durante o pregão, contra 0,346 euro registrado no fechamento anterior. O movimento interrompeu uma sequência de valorização acumulada em 55% ao longo de 2026, impulsionada pelo alívio nas cotações globais da matéria-prima e pelo avanço do consumo nos Estados Unidos.
A reação negativa dos investidores decorre da estrutura financeira apresentada à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), órgão regulador do mercado financeiro espanhol. A cifra de 520 milhões de euros corresponde ao valor total da empresa, e não ao montante que entrará no bolso dos acionistas minoritários da companhia listada.
A fatia aberta em bolsa equivale a 50,99% da holding operacional e deve render entre 190 milhões e 200 milhões de euros, quantia sujeita a retenções contratuais e ajustes de balanço. THE WORLD'S LARGEST OLIVE OIL COMPANY IS BEING TAKEN OVER.
And… the stock is down! Spain's Deoleo is set to be acquired by rivals Dcoop and Acesur, each taking a 50% stake.The deal follows a bidding battle involving European and Australian firms. Dcoop had reportedly… pic.twitter.com/JhETxq7MkU
A transação define o destino de marcas populares nas gôndolas brasileiras e do exterior, além de concentrar sob o mesmo grupo a produção agrícola e a distribuição em larga escala. A formação do consórcio entre Dcoop e Acesur desbancou concorrentes diretos no processo de venda, superando a oferta conjunta apresentada pela espanhola Migasa ao lado da italiana Coricelli.
A união das operações consolida uma estrutura com faturamento projetado acima de 2,2 bilhões de euros. O fechamento da operação depende de análises concorrenciais que devem levar entre seis e oito meses para conclusão.
Técnicos antitruste da Espanha, dos Estados Unidos e da Itália precisam validar os termos, além da exigência de validação para os contratos de licença da marca Bertolli. Segundo o presidente da Dcoop, Antonio Luque, a parceria busca proteger agricultores tradicionais de oliveiras e ampliar a penetração da mercadoria fora da Europa.
Do lado operacional, o presidente-executivo da Acesur, Gonzalo Guillén, afirmou que a união busca fortalecer a rastreabilidade e a chegada a novos mercados internacionais, em declarações divulgadas pelas empresas. O mercado global de azeite atravessou quebras sucessivas de safra causadas por secas severas entre 2022 e 2024, ciclo de escassez que provocou escalada histórica nos preços de prateleira.
A normalização recente das colheitas na bacia do Mediterrâneo devolveu fôlego ao abastecimento e permitiu a reativação do consumo, cenário que resultou em aumento de mais de 20% no volume de azeite vendido no Brasil durante os primeiros cinco meses de 2026.
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