Ações da Boeing caem após Trump anunciar compra de aviões pela China menor que a esperada

 

Fonte:


A China concordou em comprar 200 aviões da Boeing, afirmou o presidente Donald Trump, em um acordo bilionário que marcaria a primeira compra de jatos comerciais fabricados nos EUA pelo país em quase uma década.

Mega-Sena de manhã? Sorteio especial de 200 milhões que não acumula terá horário diferente do habitual

Desenrola 2.0: uso do FGTS para pagar dívidas estará disponível a partir de 25 de maio

No entanto, o anúncio de Trump, feito em entrevista ao programa “Hannity”, da Fox News, nesta quinta-feira, ficou abaixo da expectativa de um acordo histórico que poderia envolver até 500 aeronaves dos modelos 737 Max e de fuselagem longa por companhias aéreas chinesas.

As ações da Boeing chegaram a cair 5,4%, para US$ 227,50, embora ainda acumulem alta de aproximadamente 7% no ano.

Fim da escala 6x1: PEC é alvo de ofensiva para incluir outras mudanças trabalhistas. Veja algumas ideias

Trump e o presidente chinês Xi Jinping estão se reunindo esta semana para tratar de pontos sensíveis entre as duas maiores economias do mundo, incluindo sanções, barreiras comerciais e também a guerra no Irã.

Trump afirmou que a China concordou em encomendar 200 grandes aviões da Boeing.

— A Boeing queria 150, conseguiu 200— acrescentou. Ainda não está claro quais modelos fazem parte do pedido.

Texto vai ao Senado: Câmara aprova projeto que permite empregado de estatal seguir trabalhando mesmo após 75 anos

Um representante da Boeing não respondeu ao pedido de comentário.

Para a Boeing, o acordo encerra anos de negociações com companhias aéreas chinesas e põe fim ao longo período sem encomendas no segundo maior mercado de aviação do mundo.

A retomada das vendas para a China ajudaria a empresa a fortalecer suas finanças em meio a um processo de reestruturação corporativa liderado pelo CEO da Boeing, Kelly Ortberg, que faz parte da delegação de Trump ao país asiático.

Proposta: Trump e Xi avaliam cortar tarifas sobre US$ 30 bilhões em importações, diz agência

Também garantiria às companhias aéreas chinesas acesso a aeronaves fabricadas nos EUA, em um momento em que a demanda global por novos aviões supera a capacidade dos fabricantes de produzi-los.

Um pedido de 200 aviões “é decepcionante para um mercado que esperava 300 ou mais, além de detalhes sobre os modelos”, afirmou o analista da Bloomberg Intelligence, George Ferguson. Segundo ele, até que a encomenda seja confirmada por uma companhia aérea, ela “não entrará oficialmente na carteira de pedidos firmes e, em anos anteriores, acordos do governo chinês para compra de aviões não chegaram a ser concluídos”.

Uma aeronave C919 da Commercial Aircraft Corp of China no Salão Aeronáutico de Cingapura em 2026

Bloomberg

A China encomendou apenas 39 aviões da Boeing nesta década, então, se o acordo for concretizado, poderá representar um retorno das compras de aeronaves americanas, acrescentou Ferguson.

A China não anuncia uma grande encomenda à Boeing desde a última visita de Trump ao país, em 2017, e grande parte daquele acordo já havia sido divulgada anteriormente. Pequim normalmente faz pedidos em grande escala tanto à Boeing quanto à rival Airbus e depois distribui as aeronaves entre as companhias aéreas estatais.

Comunicação: Investigação contra produtos da Ypê partiu de denúncia da Unilever

Em janeiro de 2020, a China comprometeu-se a comprar US$ 77 bilhões em produtos fabricados nos EUA, incluindo aeronaves, mas não cumpriu a promessa após a pandemia de Covid-19 derrubar o setor de viagens aéreas.

A Boeing acabou perdendo a liderança de mercado na China para a Airbus em meio ao aumento das tensões comerciais e à longa suspensão do modelo Boeing 737 MAX. A China foi o primeiro país a suspender as operações do Max após dois acidentes fatais e só permitiu sua volta aos voos em 2023, anos depois de a Administração Federal de Aviação (FAA na sigla em inglês) autorizar novamente o modelo nos EUA.

Desde julho de 2022, grandes companhias aéreas chinesas encomendaram ou se comprometeram a comprar cerca de 700 aeronaves da Airbus, incluindo uma compra de 137 aviões pela China Southern Airlines e uma de suas subsidiárias, anunciada em abril.

Ainda assim, a Airbus também enfrentou dificuldades na China. No mês passado, a fabricante europeia afirmou que atrasos administrativos no país prejudicaram a entrega de quase 20 aeronaves, sem detalhar os problemas.

A China também desenvolveu seu próprio jato concorrente do Airbus A320 e do Boeing 737, chamado de C919. Embora a aeronave, fabricada pela Commercial Aircraft Corporation of China, tenha recebido mais de mil pedidos — principalmente de companhias aéreas chinesas — o aumento da produção e das entregas vem ocorrendo lentamente.

Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a Boeing conquistou uma série de encomendas, com essas compras ocupando papel de destaque em acordos comerciais com países como Arábia Saudita, Catar e Coreia do Sul.

Trump afirmou ter ajudado a Boeing a vender mil aviões.

—A Boeing me deu o prêmio de maior vendedor da história da Boeing, o que foi um prêmio bem legal— disse Trump em uma mesa-redonda empresarial na Casa Branca, em dezembro.

Melhores práticas de IA

De acordo com o Wall Street Journal, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que acompanha Trump em sua visita à China, disse nesta quinta-feira que ambos os países vão começar a discutir as melhores práticas em matéria de inteligência artificial e a estabelecer medidas de proteção.

— Vamos estabelecer um protocolo sobre como avançar com as melhores práticas para a IA, a fim de garantir que atores não estatais não tenham acesso a esses modelos— disse Bessent, de acordo com o WSJ, citando uma entrevista do secretário à CNBC.

O jornal afirma também que o tema de IA não foi mencionado nas declarações dos dois países após a reunião de hoje.