'Achei que esse cara não estava mais no campus': segunda vítima diz ter denunciado suspeito antes de novo caso na Uninove

 

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A circulação de um print entre estudantes da unidade Memorial da Universidade Nove de Julho, na Barra Funda, em São Paulo, aumentou a pressão sobre a universidade após o caso de importunação sexual denunciado por uma aluna de Psicologia no último dia 30 de abril. Na mensagem, uma estudante afirma ter passado por situação semelhante no ano passado e diz que o mesmo homem já havia sido denunciado anteriormente dentro do campus.

Entenda: Polícia investiga caso de importunação sexual na Uninove em meio a denúncias de insegurança e omissão no campus Memorial

A Polícia Civil investiga o caso mais recente, ocorrido no banheiro feminino da universidade. O episódio aconteceu 16 dias após uma aluna ser assaltada dentro das dependências da faculdade, em 14 de abril, e se soma a outro caso de repercussão registrado em março, quando um estudante de outro campus foi expulso após ser acusado de filmar alunas dormindo e expor o próprio pênis diante delas.

A sequência de ocorrências levou estudantes a organizarem um abaixo-assinado com 2.805 assinaturas e uma manifestação marcada para esta sexta-feira (8), promovida pelo DCE Livre Uninove e pela UEE-SP, no campus Vergueiro, onde fica a reitoria.

Relato aponta denúncia anterior

No print que circula em grupos de WhatsApp da faculdade, a autora, que não é identificada, afirma que foi abordada pelo mesmo homem no corredor do segundo andar do prédio A.

“Ano passado eu passei por uma situação parecida com esse mesmo rapaz no corredor. Ele veio em minha direção com a genitália para fora. Isso aconteceu no corredor do segundo andar do prédio A no período da manhã. O corredor estava vazio. Eu corri, chamei o segurança lá embaixo, procuramos ele e não achamos”, diz a mensagem.

Ela afirma ainda que fez boletim de ocorrência e comunicou a universidade por e-mail.

“Eu sinceramente achava que esse cara não estava mais no campus. Isso não é de agora. Algo tem que ser feito antes que o pior aconteça.”

O relato passou a circular após a repercussão do caso mais recente, quando uma estudante de Psicologia denunciou ter sido surpreendida por um homem dentro do banheiro feminino.

Confira:

Print circula nas redes sociais

Reprodução

'Se já havia denúncia, por que ele continuava ali?'

Em entrevista ao GLOBO, Cristina Garcia, estudante de Psicologia e representante de turma, afirmou que o novo relato aumentou ainda mais a revolta entre os alunos.

— Depois dessa manifestação toda, apareceu o print de uma aluna dizendo que já tinha denunciado esse mesmo estudante por uma situação parecida. Então a pergunta é: se já existia denúncia, por que ele continuava circulando normalmente ali dentro?

Segundo ela, a suspeita de que a universidade já tinha conhecimento prévio ganhou força após a própria vítima do caso mais recente relatar que funcionários da segurança pareciam reconhecer imediatamente o suspeito.

Vídeos que circulam nas redes sociais e em grupos internos mostram o momento em que o homem é conduzido por funcionários da segurança e da infraestrutura da universidade após ser reconhecido pela estudante.

— Tudo ficou muito mal contado. Como eles conseguiram identificar tão rápido? Isso fez muita gente pensar que já havia histórico anterior — afirma.

Confira:

Após assalto, polícia investiga caso de importunação sexual na Uninove

O caso mais recente

No dia 30 de abril, uma estudante de Psicologia relatou ao GLOBO, sob condição de anonimato, que foi ao banheiro feminino de um corredor mais afastado e, ao sair da cabine, viu o suspeito deixar outro box com o zíper aberto e o órgão genital exposto.

Ela procurou ajuda de uma professora e depois a coordenação do curso. Mais tarde, ao deixar o campus, reconheceu o mesmo homem novamente dentro da universidade e acionou os seguranças.

A estudante foi levada à 91ª Delegacia de Polícia, na região do Ceagesp, onde registrou boletim de ocorrência. Segundo ela, o suspeito também foi conduzido à delegacia, passou pelo IML e permaneceu detido durante a noite.

Mobilização e cobrança

Além do caso de importunação, estudantes também denunciam um assalto ocorrido em 14 de abril dentro da área das catracas da universidade. Segundo colegas, a vítima teve o celular roubado enquanto acessava o QR Code de entrada.

O abaixo-assinado protocolado pelos alunos cobra a expulsão definitiva do suspeito, reforço no policiamento no entorno da Barra Funda, mais controle de acesso e reformulação da segurança privada.

Segundo os organizadores, 875 pessoas afirmaram já ter sido vítimas ou testemunhas de violência dentro ou no entorno da universidade.

O GLOBO procurou a reitoria da Universidade Nove de Julho e a coordenação do curso de Psicologia para comentar o novo relato e esclarecer se havia registro anterior sobre o suspeito, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.