Acesso a coleta de esgoto alcança 69,9% o país, mas 64 milhões ainda vivem sem saneamento adequado

 

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O acesso ao saneamento básico tem crescido no país, embora persistam desigualdades regionais. Em 2025, 69,7% de brasileiros (ou 147,8 milhões de pessoas) residiam em domicílios com rede coletora de esgoto ou fossa séptica ligada à rede. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Domicílios e Moradores, divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE. Em 2019, primeiro ano da pesquisa, esse percentual era de 66,1%.

Apesar do avanço, 64 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso adequado ao saneamento básico. São pessoas que moram em casas sem ligação com a rede de esgoto, segundo o IBGE.


A disparidade fica ainda mais evidente quando se observam os números por região. No Sudeste, região mais rica do país, 90,4% dos moradores residem em lares com acesso a rede de esgoto ou usam fossa conectada. Isso equivale a nove em cada dez pessoas.

No Norte, coleta de esgoto não chega a um terço dos moradores

No outro extremo, na Região Norte, menos de um terço dos habitantes residem em casas com essa infraestrutura. Esse cenário pouco se alterou ao longo dos anos, indica a pesquisa. De 2022 a 2025, o percentual oscilou ao redor de 29%.

Chegou até a reduzir 0,6 ponto percentual no ano passado em relação a 2022, um reflexo do aumento populacional que não foi acompanhado pelo avanço da infraestrutura de saneamento. Em números absolutos, a quantidade de pessoas sem acesso a coleta de esgoto na região permaneceu praticamente a mesma, em cerca de 12,9 milhões.

No Nordeste, 50,9% têm acesso a rede de esgoto ou fossa séptica conectada. Foi a primeira vez que a região superou esse patamar. Em 2012, era 44,8%. Ainda assim, a região é a que concentra o maior contingente de brasileiros sem acesso. São 27,7 milhões de pessoas com fossa séptica não ligada a rede ou com outros tipos de instalações precárias.

Queima de lixo aumenta nas propriedades

Outra característica investigada pelo IBGE é o destino do lixo dos domicílios. Os dados apontam que a coleta de lixo por serviço de limpeza urbana vem crescendo nos últimos nove anos. Subiu de 82,7% em 2016 para 86,9% dos lares em 2026.

A região Sudeste tem o maior percentual, com 91,1% dos domicílios cobertos. Já o Nordeste registra o menor índice, 79,3%, mas também a maior evolução desde 2016. Eram 67,5% há nove anos, um salto de quase 12 pontos percentuais.

O avanço da coleta, porém, não eliminou a queima de lixo nas propriedades, que inclusive cresceu em algumas localidades. Em Porto Velho, Rondônia, o número de domicílios que queimam lixo cresceu 2 mil em um ano, para 10 mil entre 2024 e 2025.

Em São Luís, no Maranhão, o salto foi ainda mais expressivo, de 2 mil para 6 mil lares em um ano. Manaus, no Amazonas, também registrou alta, de 4 mil para 6 mil domicílios no mesmo período. Teresina, no Piauí, e Rio de Janeiro tiveram incremento de mil domicílios cada.

Em 2025, 4,8 milhões de domicílios ainda adotavam esse destino para o lixo, prática associada a riscos à saúde e ao meio ambiente. As regiões Norte e Nordeste concentram os casos. Juntas, somam 3,6 milhões de domicílios que adotam essa prática, com percentuais de 14,5% e 13%, respectivamente.