Acampamento Terra Livre sai em marcha por Brasília para debater pautas que ameaçam os povos originários

 

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Indígenas que participam em Brasília do Acampamento Terra Livre (ATL) saíram em marcha pela Esplanada dos Ministérios e queimaram uma caveira simbólica em frente ao Congresso Nacional, mobilizando bombeiros e policiais militares para conter a ação. A marcha saiu do Centro Cultural Ibero-Americano por volta das 9h e percorreu seis quilômetros.

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O ato, que durou mais de duas horas, reuniu indígenas de várias partes do país a fim de alertar sobre pautas que tramitam no Congresso e ameaçam os povos originários.

Eliete Juruna, do povo Juruna e integrante do Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu, viajou do Pará para Brasília para denunciar o sofrimento de seu povo na base. Ela representa a resistência contra a mineradora canadense Belo Sun, que pretende se instalar na região do Volta Grande do Xingu, no estado do Pará. A área, segundo a ativista, ainda não conseguiu se reestruturar dos impactos causados pela usina de Belo Monte.

"O Xingu pede socorro e não conseguiu se restabelecer, mas querem instalar uma mineradora canadense. Então, a gente veio trazer para cá (Brasília), porque é aqui que se decide, é aqui que está o povo que dá a canetada. A gente veio dizer que não quer e não aceita Belo Sun no nosso território", disse.

Indígenas de todo o país realizam marcha em Brasília

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Tauá, que também é do povo Juruna, mas do Mato Grosso, afirmou que a luta indígena não é apenas por direitos territoriais, mas uma defesa de todo o planeta e da natureza. Ele destaca que os povos indígenas estão na linha de frente contra as mudanças climáticas e que, sem eles, o impacto ambiental seria ainda maior.

"A gente está em prol da defesa do mundo, porque quem está salvando o mundo são os povos indígenas. Hoje, a gente percebe que a mudança climática está causando vários tipos de impactos. Então, estamos aí para defender isso, não somente nós ou cada um, mas estamos defendendo o mundo, o nosso planeta e a nossa própria natureza", relata.

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A marcha bloqueou três das seis faixas do Eixo Monumental, principal pista de acesso à área central de Brasília. Com as interdições, os brasilienses enfrentaram um longo engarrafamento pela manhã desta terça, tanto na pista principal como nas pistas alternativas.

Neste ano, o tema do ATL é "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós" e reúne aproximadamente 200 povos indígenas de todas as regiões do Brasil, na capital federal, até sexta-feira (10).