Academia usava cloro em excesso para evitar fechamento da piscina para manutenção, diz Polícia
A academia C4 Gym utilizava cloro em excesso para evitar o fechamento da piscina para manutenção, segundo a investigação da Polícia Civil. Os sócios do estabelecimento foram indiciados por homicídio com dolo eventual e são suspeitos de manipular provas para ocultar a falta de responsáveis técnicos e de controles de segurança obrigatórios.
A piscina da academia C4 Gym do Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo, não era fechada para manutenção, mesmo com a aplicação de grandes quantidades de produtos químicos.
A investigação aponta que a academia utilizava, em apenas um dia, quantidade de cloro equivalente ao que normalmente seria usado ao longo de uma semana em uma piscina do mesmo porte.
O uso excessivo de cloro foi apontado como responsável pela morte de Juliana Faustino, de 27 anos. Segundo a polícia, ela inalou gás tóxico ao se aproximar de um balde colocado à beira da piscina pelo manobrista Severino Silva, de 43 anos. Ele realizava a mistura dos produtos químicos. Duas vítimas estão internadas em estado grave: o marido de Juliana, Vinícius de Oliveira, e um adolescente de 14 anos.
Para o delegado Alexandre Bento, a prática tinha como objetivo manter a piscina em funcionamento contínuo e evitar prejuízos financeiros:
Sonora
A piscina não passava pelo período obrigatório de descanso da água, procedimento básico conhecido por qualquer profissional da área.
Técnicos ouvidos reforçam que, após aplicação de cloro, a piscina deve permanecer interditada por um período para permitir a dissipação de gases e o retorno de níveis químicos ao padrão seguro.
Investigadores precisaram utilizar máscara para fazer a perícia.
A academia também não possuía responsável técnico, como exige a legislação, nem mantinha livro obrigatório de controle de cloro e pH, que deve ficar disponível para fiscalização.
Os três sócios da academia, Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração; se apresentaram à delegacia quatro dias após o ocorrido e foram indiciados por por homicídio com dolo eventual, quando há a aceitação do risco de matar. A polícia diz que eles tentaram manipular e dificultar as investigações.
Em depoimento, Celso Bertolo Cruz confirmou que apagou mensagens enviadas ao manobrista Severino Silva por “desespero”, alegando que o conteúdo se referia a medições e dosagens de cloro.
Celso também afirmou ser profissional habilitado para manutenção de piscinas, com certificado, mas até o momento não apresentou a documentação.
A polícia apura ainda a ida de um segundo manobrista à academia, enviado a pedido dos sócios na noite do acidente. A suspeita é de tentativa de eliminação de provas.
Uma sétima vítima também foi identificada: uma criança de cinco anos, que não estava na piscina no sábado, mas fazia aulas regulares no local.
Segundo a polícia, a menina está internada, e há suspeita de que ela tenha sido exposta de forma contínua ao excesso de cloro utilizado na piscina, o que pode indicar uma intoxicação prolongada, e não apenas um episódio isolado.
