A abstenção nas eleições gerais chegou a 21% pela primeira vez desde a disputa de 1998, que também teve uma marca parecida. O primeiro turno das eleições, em que eleitores votaram para deputado federal, deputado estadual, senador e presidente da República, ocorreu neste domingo (4).
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,92% das urnas apuradas, a abstenção foi de 21,08%, acima de 2022 (20,89%); 2018 (20,33%); 2014 (19,39); 2010 (18,12%), 2006 (16,75%) e 2002 (17,74%). Só em 1998 a abstenção foi maior: 21,49%.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, comentou o dado em entrevista coletiva dada na noite deste domingo, após ser definido que haverá segundo turno para as eleições presidenciais. Para ele, o dado está “dentro do esperado”, ainda que não seja o "ideal".
“A abstenção para quem não é obrigado a comparecer tem um indicativo muito elevado. Com os idosos, chega a 50%.
E entre 16 e 17 anos, 20%. Nós temos dados matemáticos ainda não trabalhados.
E há a necessidade de nos debruçarmos sobre o que ocorreu. Mas está dentro do esperado”, afirmou.
Para o ministro, no entanto, foi um dia “exitoso”. “Amanhã o Brasil vai verificar o quão exitoso foi o dia de hoje em relação à quantidade de pessoas que foram buscadas em suas residências, conduzidas até as urnas e retornaram”, disse, em referência ao programa “Seu Voto Importa”, que organiza o transporte para pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência.
“A abstenção não é a ideal. A ideia é intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos para que possamos diminuir esse percentual para o segundo turno”, prosseguiu o presidente do TSE.
Entrevista coletiva do ministro Kassio Nunes Marques Luiz Roberto/TSE
Valor