‘Abril Marrom’: saiba como prevenir doenças silenciosas que ameaçam a visão e causam cegueira

 

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Aproximadamente 80% dos casos de cegueira no mundo poderiam ser prevenidos ou revertidos, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). E, neste mês, é realizada a campanha Abril Marrom, dedicada à prevenção da cegueira e à reabilitação visual. O objetivo é chamar a atenção da população para a importância do diagnóstico precoce e de cuidados básicos com a saúde ocular. A proposta é destacar que muitas causas de perda de visão podem ser evitadas ou tratadas.


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No Brasil, doenças como catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade estão entre as principais causas de perda de visão. Em Belém, a médica oftalmologista Aline Almeida disse que a campanha tem papel fundamental na conscientização da população sobre essas condições e as formas de prevenção.


“A campanha é importante para trazer conscientização sobre as principais causas de cegueira e deficiências visuais, além de orientar como prevenir esses problemas”, afirma a médica. Ela ressalta que a cegueira ainda é um problema frequente no país. “Infelizmente, sim. Uma grande parcela da população convive com a cegueira ou deficiência visual severa”, disse.


Entre as principais causas, a catarata aparece como a mais comum, porém com possibilidade de reversão por meio de cirurgia. Já o glaucoma pode provocar perda permanente da visão, enquanto a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade também figuram entre as doenças mais recorrentes. Apesar disso, muitas dessas condições podem ser evitadas ou controladas com acompanhamento adequado. A orientação é que a população realize consultas regulares com oftalmologista, indo além da simples verificação do grau dos óculos. “A consulta anual com o oftalmologista. E não apenas a consulta para verificar o grau dos óculos. É importante avaliar o fundo do olho e medir a pressão intraocular. Dessa forma, conseguimos detectar precocemente essas doenças e tratar antes que elas evoluam”, explica.


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A médica oftalmologista Aline Almeida disse que a campanha é importante para trazer conscientização sobre as principais causas de cegueira e deficiências visuais, além de orientar como prevenir esses problemas (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)


Doenças silenciosas


Outro desafio é o fato de que boa parte dessas doenças apresenta início silencioso. Ainda assim, alguns sinais podem servir de alerta, como perda súbita da visão - que pode indicar uma crise aguda de glaucoma -, um embaçamento, em que às vezes a pessoa tem um pouco mais de dificuldade para dirigir à noite, dificuldade para distinguir as cores, no caso de uma catarata, e inicialmente alguns pontos pretos na visão.


A recomendação é que consultas oftalmológicas sejam realizadas pelo menos uma vez ao ano. No caso das crianças, o acompanhamento deve começar desde o nascimento, com o teste do olhinho, seguido de avaliações anuais – pelo menos uma vez ao ano. A atenção também deve ser redobrada a partir dos 40 anos, faixa etária em que aumenta a incidência de doenças oculares. O uso excessivo de telas também preocupa especialistas, especialmente entre crianças, já que pode elevar o risco de desenvolvimento de miopia.


Mesmo com a estimativa de que cerca de 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados ou tratados, muitas pessoas ainda perdem a visão. Entre os fatores estão a dificuldade de acesso a consultas e o hábito de procurar apenas óticas, e só trocar os óculos, sem avaliação médica completa. “Às vezes, o paciente acha que basta trocar o grau dos óculos, mas não detecta uma doença que está evoluindo no fundo do olho”, alerta a médica.


A principal mensagem da campanha é clara: a prevenção depende de acompanhamento regular. “A consulta de rotina, pelo menos uma vez ao ano, é super importante. E não se trata apenas de trocar o grau dos óculos. “É sempre avaliação do fundo do olho, medida da pressão intraocular principalmente”, reforçou. “O profissional vai orientar aqueles pacientes que têm fatores de risco, que têm a idade, têm diabetes - que têm, portanto, mais chances de ter essas doenças”, disse.


A comerciante Rosiane Calado adota a prevenção como rotina. “Faço todo ano, como forma de prevenção. Nunca tive problema", disse (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)


Prevenção na prática


A comerciante Rosiane Calado, de 52 anos, é um exemplo de quem adota a prevenção como rotina. Ela realiza consultas oftalmológicas anualmente. “Faço todo ano, como forma de prevenção. Nunca tive problema, só uso óculos mesmo”, contou. Mesmo sem histórico pessoal de doenças graves, Rosiane mantém atenção redobrada por conta do histórico familiar. “Minha mãe teve glaucoma, mas estava tudo controlado porque ela também fazia acompanhamento todos os anos”, contou.


Segundo ela, o histórico familiar reforçou o cuidado. “Na minha família, todo mundo faz acompanhamento anual. É importante, porque muitas doenças são silenciosas. A gente precisa prevenir”, afirmou.


Principais doenças responsáveis pela perda de visão 


Catarata: é a causa mais comum de cegueira, mas tem tratamento e pode ser revertida por meio de cirurgia. Costuma provocar visão embaçada e dificuldade para enxergar com nitidez, especialmente à noite.


Glaucoma: doença que pode levar à perda permanente da visão. Geralmente é silenciosa no início e está relacionada ao aumento da pressão intraocular.


Retinopatia diabética: complicação do diabetes que afeta os vasos sanguíneos da retina, podendo causar danos progressivos à visão.


Degeneração macular relacionada à idade: afeta a região central da retina (mácula) e compromete a visão central, sendo mais comum em pessoas acima dos 60 anos.


Principais orientações:


Consultas regulares: realizar avaliação oftalmológica pelo menos uma vez ao ano.


Exame completo: não se limitar à verificação do grau dos óculos. É fundamental avaliar o fundo do olho e medir a pressão intraocular.


Atenção aos sinais de alerta: procurar atendimento em casos de perda súbita de visão, visão embaçada, dificuldade para dirigir à noite, alteração na percepção de cores ou surgimento de pontos escuros na visão.


Acompanhamento desde a infância: realizar o teste do olhinho ao nascer e manter consultas regulares ao longo da vida.


Cuidado redobrado após os 40 anos: fase em que aumenta a incidência de doenças oculares.


Controle de fatores de risco: pessoas com diabetes ou histórico familiar devem ter acompanhamento mais rigoroso.


Uso moderado de telas: especialmente em crianças, para reduzir o risco de miopia.


A principal mensagem é clara: a maioria dos casos de cegueira pode ser evitada com prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento médico adequado.


Doenças


Catarata


É caracterizada pela opacidade do cristalino, que pode levar à diminuição da visão. É responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa.


O diagnóstico é clínico, realizado durante consulta oftalmológica e o tratamento é basicamente cirúrgico e bastante eficaz.


Glaucoma


É causado por lesão do nervo ótico, geralmente associada ao aumento da pressão intraocular, e levando à perda progressiva do campo visual. Está relacionado ao envelhecimento da população, tendo fator hereditário e geralmente não provocando sintomas, até as fases mais tardias da doença.


O tratamento para essa doença ocular é feito inicialmente com colírios que diminuem a pressão intraocular. Tem tratamento, mas não tem cura. Sua incidência vem aumentando, com o agravante de que se trata de doença silenciosa que pode levar a cegueira.


Retinopatia diabética


Atinge a retina de pacientes diabéticos. Se manifesta por diminuição da visão de forma progressiva ou subitamente, quando o nível de glicose do diabético fica elevado por muito tempo. Tem um agravante que ela acomete população na fase produtiva da vida.


Para o tratamento, o mais importante é o controle rigoroso da diabetes, por meio da alimentação, atividades físicas e o uso correto dos medicamentos.


Degeneração macular relacionada a idade (DMRI)


É uma doença que ocorre na parte central da retina (mácula), área do olho responsável pela formação da imagem, e que leva a perda progressiva da visão central.


Com o envelhecimento da população está se tornando mais frequente. É indicado a mudança de hábitos, como não fumar, se proteger do sol e manter uma dieta balanceada com complementação vitamínica.


Fonte: Médica médica oftalmologista Aline Almeida e Ministério da Saúde