Abelhas conseguem respirar debaixo d’água durante “hibernação”, diz estudo

 

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Uma nova pesquisa revelou que rainhas de zangões podem sobreviver totalmente submersas em água por até uma semana, mantendo a capacidade de respirar mesmo nessa condição. O estudo, publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B, sugere que essa habilidade ajuda os insetos a sobreviver durante o inverno, quando permanecem em um estado semelhante à hibernação.

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As rainhas de zangões passam entre seis e nove meses em diapausa, uma fase em que o metabolismo diminui drasticamente enquanto elas se abrigam em tocas rasas no solo. Durante esse período, chuvas intensas, tempestades ou o derretimento da neve podem inundar esses abrigos, tornando a sobrevivência submersa uma adaptação crucial para a espécie.

A descoberta ocorreu após uma observação inesperada em laboratório. A pesquisadora Sabrina Rondeau, da Universidade de Guelph, no Canadá, estudava os efeitos de pesticidas sobre as abelhas quando percebeu que alguns recipientes usados no experimento haviam se enchido de água por condensação, deixando rainhas completamente submersas. Para surpresa da equipe, os insetos continuavam vivos.

A partir dessa observação, os cientistas realizaram novos testes com mais de 100 rainhas da espécie Bombus impatiens. Os resultados mostraram que, mesmo submersas, as abelhas continuavam consumindo oxigênio e liberando dióxido de carbono.

Segundo os pesquisadores, isso é possível porque o metabolismo das rainhas diminui em cerca de 99% durante a diapausa, reduzindo drasticamente a necessidade de oxigênio. Além disso, os insetos também recorrem à respiração anaeróbica, um processo de produção de energia que não depende de oxigênio.

— Mesmo pequenas quantidades de oxigênio disponíveis podem sustentar uma abelha rainha dormente — explicou Charles-Antoine Darveau, autor principal do estudo.

Os cientistas também suspeitam que as abelhas utilizem uma espécie de “brânquia física”, uma fina camada de ar que se forma ao redor do corpo do inseto quando submerso. Essa camada permite a troca de gases entre a água e o organismo.

A capacidade de respirar debaixo d’água normalmente é associada a insetos que vivem próximos a ambientes aquáticos, como besouros mergulhadores e ninfas de libélulas. No caso dos zangões, conhecidos principalmente pelo voo, a adaptação surpreendeu os pesquisadores.

Para especialistas, a descoberta pode ajudar a entender melhor como essas abelhas sobreviveram em ambientes frios ao longo da evolução.

Acredita-se que os primeiros zangões tenham surgido entre 25 milhões e 40 milhões de anos atrás, em regiões frias como o Ártico e áreas montanhosas dos Alpes, onde o derretimento da neve frequentemente provoca inundações no solo.