A volta dos que não foram: Paulo Melo, Zito e filhos de Picciani concorrem novamente no Rio - QTU Questões do Universo

A volta dos que não foram: Paulo Melo, Zito e filhos de Picciani concorrem novamente no Rio

Fonte: Bandeira da fonte

Terceiro maior colégio eleitoral do país, o Rio de Janeiro conta com velhos conhecidos da política concorrendo no pleito deste ano.
Seja na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa (Alerj), seja de olho na Câmara dos Deputados, veteranos que tiveram candidaturas frustradas nos últimos anos voltam a tentar um cargo na eleição fluminense.

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Ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-deputado estadual, José Camilo Zito volta a concorrer a uma vaga na Alerj, desta vez pelo PDT.
Aos 72 anos, o candidato, no entanto, é um dos alvos de propostas de impugnação do Ministério Público Eleitoral, conforme contestação feita pelo órgão na semana passada.

Ex-prefeito de Caxias, Zito concorre a deputado estadual neste ano
Divulgação / Divulgacand
Uma certidão da Justiça Federal, enviada ao Tribunal Superior Eleitoral na última quinta-feira, indica cinco processos "com potencial de gerar inelegibilidade", todos por improbidade administrativa, envolvendo Zito.
Procurado pelo GLOBO, o candidato explica que não irá se posicionar antes "da coisa ser julgada", mas informa que sua defesa "está robusta" diante do pedido do MP.

— Sou (réu) culposo, não obtive benefícios de enriquecimento — observa Zito, que explica o porquê da nova tentativa de concorrer.
— Sempre tive 30 mil votos e não comprei nenhum, foi tudo conquistado da herença de quando fui prefeito e deputado.

Após perder a tentativa de reeleição à prefeitura em 2012, o fim da gestão de Zito foi marcado pela crise de acúmulo de lixo nas ruas de Caxias.
Na ocasião, a empresa responsável pelo serviço paralisou as atividades alegando falta de pagamento.
Desde então, Zito conseguiu se eleger à Alerj em 2014, mas teve novas candidaturas impugnadas em 2018 e 2022.
Já em 2016 e 2024 voltou a se candidatar a prefeito, mas acabou derrotado.

Outro veterano da política fluminense a voltar às urnas é o ex-presidente da Alerj, Paulo Melo, que concorre a deputado estadual pelo União Brasil.
Um dos presos na Operação Cadeia Velha — assim como os colegas Edson Albertassi e Jorge Picciani — em 2017, ele acabou condenado por corrupção passiva e organização criminosa a 12 anos e 10 meses de prisão, dois anos após a ação que o prendeu.

Paulo Melo concorre a deputado estadual pelo União Brasil
Divulgação / Divulgacand
Mas, em 2022, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal anulou sua condenação, por entender que Paulo Melo deveria ter tido o direito de se manifestar por último após declarações de delatores.
Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça do Rio ainda arquivou o processo da Lava Jato contra Paulo Melo e Edson Albertassi, a pedido do Ministério Público do Rio, que requereu a anulação de provas com base em decisões do STF.

Após 12 anos, Edson Albertassi volta a concorrer a deputado estadual
Divulgação / Divulgacand
Como Picciani havia morrido um ano antes, seu nome acabou não sendo mencionado na decisão.
Desde então, Paulo Melo só voltou a concorrer no pleito de 2022, mas teve a candidatura a deputado federal impugnada.
Já em 2024, pôde concorrer a prefeito de Saquarema, mas não conseguiu se eleger.
Este ano marca ainda o retorno de Albertassi a um pleito depois de 12 anos: ele concorre a deputado estadual pelo MDB.

Sobrenome Picciani retorna
Um ano após a morte de Picciani, seus filhos Rafael e Leonardo decidiram concorrer a deputado estadual e federal, respectivamente, sem o sobrenome do pai, em 2022.
Na ocasião, os dois acabaram como suplentes — Rafael, inclusive, herdou uma cadeira na Alerj após a morte do deputado Otoni de Paula Pai, dois anos depois.

Suplente em 2022, Rafael Picciani herdou cadeira de Otoni de Paula Pai na Alerj
Divulgação / Divulgacand
Agora, no entanto, os irmãos mudaram de rumo após deixarem o MDB e voltam a adotar o sobrenome na urna.
Rafael Picciani, eleito duas vezes deputado estadual, foi para o União Brasil, enquanto Leonardo — eleito deputado federal duas vezes — migrou para o PV.

— São eleições diferentes.
E, nesta, julgamos importante apresentar este legado a um contingente de jovens que passarão a votar e que talvez não o conhecesse — explica o candidato do PV, que trata o uso do sobrenome como "uma honra".
— São estratégias eleitorais.
Dependendo do contexto, a gente faz a avaliação de qual é a melhor estratégia.
Neste ano mesmo fiz uma mudança: passei a usar "Léo Picciani", em vez de "Leonardo Picciani".

Agora Léo Picciani, candidato voltou a usar sobrenome do pai
Divulgação / Divulgacand
Entre os herdeiros da política fluminense que retornam às urnas está ainda Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que concorre a deputado estadual pelo Solidariedade.
Depois de se eleger pela primeira vez em 2014 à Câmara Federal pelo MDB, Marco Antônio concorreu mais duas vezes (em 2018 e 2022), mas acabou como suplente e anunciou a filiação ao novo partido neste ano.

Marco Antônio Cabral agora concorre pelo Solidariedade
Divulgação / Divulgacand
Veteranos em nova tentativa
Há ainda a presença de veteranos nas urnas.
É o caso da alagoana Heloísa Helena (Rede), que concorre a deputada federal pelo Rio neste ano.
A última vez em que se elegeu foi como vereadora de Maceió, em 2012.
Desde então, concorreu em mais cinco pleitos — em Alagoas e no Rio — e sequer foi eleita ou acabou como suplente.
Graças a este segundo caso, assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados durante a suspensão de Glauber Braga (PSOL) no fim do ano passado.

RJ: Heloísa Helena concorre pela Rede
Divulgacand / Divulgação
Já entre os suplentes ao Senado Federal, é Miro Teixeira (PDT) quem representa os políticos experientes de volta às urnas.
Aos 81 anos, ele é suplente da candidatura de Pedro Paulo (PSD).
Eleito pela última vez em 2014 como deputado federal — cargo que exerceu por 11 mandatos —, Miro concorreu ao Senado (e não se elegeu) em 2018, e acabou como suplente à Câmara dos Deputados em 2022.

Miro Teixeira concorre como suplente de Pedro Paulo ao Senado
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