A carta aberta divulgada neste domingo, 1º de novembro, por Flávio Bolsonaro em suas redes sociais mostra que o senador foragido nos Estados Unidos decidiu apostar todas as fichas na vitimização. Depois de escapar clandestinamente do país para fugir das medidas cautelares impostas pela Justiça após a derrota no segundo turno presidencial, o parlamentar tenta dar uma de pobre coitado perseguido por um suposto sistema implacável.
Essa pose de vítima indefesa desmorona ao primeiro confronto com a realidade concreta do poder político no Brasil. O grupo comandado pelo clã controla o Partido Liberal, legenda que elegeu a maior bancada do Congresso Nacional, além de governar estados estratégicos da federação e manter forte influência sobre parcelas expressivas do aparato judicial.
Juízes aliados no Supremo e o amparo do império Hoje em dia, o ex-candidato derrotado nas urnas não pode sequer repetir o velho clichê de que não conta com juízes simpáticos às suas teses na mais alta corte do país.
No próprio Supremo Tribunal Federal têm assento magistrados como Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, cujos posicionamentos frequentemente socorrem os interesses da direita conservadora. A contradição torna-se ainda mais gritante quando se examina o padrinho externo que apadrinha a aventura do congressista fluminense.
Que espécie de pobre coitado é esse que ostenta o apoio aberto de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos e comandante da maior máquina estatal, financeira e militar do globo. Na engrenagem de Washington, Flávio atua como um autêntico capacho de Marco Rubio, o secretário de Estado americano encarregado pelo mandatário republicano de enquadrar a América Latina e submeter lideranças direitistas da região às diretrizes geopolíticas da Casa Branca.
Diante dessa subordinação voluntária ao comando estadunidense, cabe indagar quem representa de fato o sistema e o império no mundo atual, se é por acaso o Brasil ou se é a superpotência do norte. O patrocínio das big techs e do mercado financeiro
O mesmo raciocínio desmonta a fantasia de que a campanha oposicionista enfrentou sozinha o poder econômico durante a disputa eleitoral encerrada em outubro. Quem contou com o favorecimento ostensivo das gigantes tecnológicas do Vale do Silício e de seus bilionários proprietários, e quem recebeu o suporte maciço dos grandes empresários e banqueiros da Faria Lima, não foi Luiz Inácio Lula da Silva, mas justamente o filho do ex-capitão.
Os bolsonaristas precisam tomar uma decisão elementar de coerência política diante do eleitorado brasileiro. Ou eles se gabam de ter ao seu lado o ocupante do Salão Oval, que é o homem mais poderoso do planeta, juntamente com seu chanceler em Washington e os magnatas das finanças internacionais, ou posam de oprimidos pelo establishment, já que sustentar as duas versões simultaneamente não passa de uma farsa ridícula.
Revelações do Clarín e do Fantástico sobre a rota de fuga Para piorar a situação do parlamentar homiziado na Flórida, as apurações jornalísticas deste fim de semana sepultaram qualquer tentativa de apresentar sua saída do território nacional como um gesto inocente.
Primeiro, o diário argentino Clarín revelou que a operação na fronteira contou com a ajuda do governo americano e de articuladores ligados à administração de Javier Milei para garantir o embarque clandestino no aeroporto de Puerto Iguazú. Em seguida, a reportagem exibida pelo Fantástico na noite deste domingo mostrou que o esquema logístico utilizou uma frota de veículos para despistar a Polícia Federal e registrou três entradas do fugitivo na Argentina em um intervalo de apenas quarenta minutos antes do voo executivo rumo a Miami.
Mais grave ainda, a investigação identificou a participação direta de um suposto ex-agente do Mossad dando suporte presencial ao deslocamento da comitiva até a saída do continente. Todo observador que entende um mínimo de inteligência internacional sabe perfeitamente que a corporação secreta de Israel jamais desliga seus quadros operacionais.
Uma vez recrutado pelo aparato de espionagem mais assassino e letal do mundo, o espião mantém vínculo vitalício com Tel Aviv e nunca atua como mero particular. Escoltado na sombra por operadores estrangeiros, financiado pela elite financeira paulistana e abrigado sob a tutela de Marco Rubio, o senador tenta agora esconder a própria covardia atrás de um panfleto melancólico.
O texto integral do manifesto divulgado hoje nas redes sociais expõe cada linha dessa tentativa de manipulação. Íntegra da nota de Flávio Bolsonaro
NOTA AO BRASIL Fui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva.
Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante.
Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta. Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação.
Não saí do Brasil, saí pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras. Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do Presidente Bolsonaro.
Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão – sem ter cometido crime algum – e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre.
Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial. Ao menos estou num país onde posso manifestar livremente minha opinião, não serei alvo de um juiz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta.
Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer que as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: “Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Direitos Humanos.” (Cristiano Zanin, em 7/Ago/2016).
Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro.
Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil.
Cafezinho