Este texto é uma reflexão decorrente dos acontecimentos que tomaram as ruas do Brasil, depois das eleições de 4 de outubro, na qual os fascistas conseguiram o seu primeiro objetivo, que é controlar o parlamento brasileiro com posse prevista para 01/02/2027, havendo o risco de também passarem a controlar o governo federal.
Se porventura isso acontecer, será extremamente prejudicial ao equilíbrio das forças políticas e sociais no Brasil, principalmente diante do risco de pessoas com viés autoritário e abertamente defensores da violência armada tornarem-se a voz dominante nas instituições públicas do país, sendo que eles já anunciaram que farão mudanças profundas no que ainda restou de democrático na Constituição de 1988.
Entre as reformas constitucionais pretendidas por eles, muitas estão relacionadas à retirada de direitos sociais, conquistados na constituinte de 1987/1988 (como o SUS e a previdência social pública), para favorecer os interesses do mercado financeiro. Outras têm cunho revanchista, em razão das condenações do 08/01/2023, pois pretendem realizar mudanças autoritárias na estrutura do poder judiciário, impondo o fim das justiças eleitorais e do trabalho e ampliando as competências da justiça militar, a exemplo do que fez a ditadura de 1964, por meio do ato institucional número 02/1966.
Porém, na noite do dia 5 de outubro, 24 horas após o anúncio do resultado do primeiro turno, os estudantes reagiram de modo surpreendente. Por força do destino, naquela segunda-feira comemoravam-se os trinta e oito anos da promulgação da Constituição de 1988, essa mesma em que os fascistas pretendem fazer mudanças profundas, segundo eles para estabelecer a sua “democracia”.
Naquela noite, milhares de jovens saíram debaixo de chuva pelas ruas do bairro de Icaraí, na Zona Sul da Cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. O fato ganhou imediatamente as redes sociais e, em seguida, as ruas do Brasil começaram a ser ocupadas pela defesa da democracia, da Constituição e pela reeleição de Lula contra o filho do ex-presidente fascista, que foi condenado por tentativas de golpe de estado e de violação do estado democrático de direito.
Dois dias depois, em 7 de outubro, os estudantes secundaristas, universitários e pós-graduados tomaram o Centro da cidade do Rio de Janeiro, numa movimentação há décadas não vista. Eram jovens de todas as raças e classes sociais, entoando cantos e palavras de ordem em defesa da democracia e do acesso à educação pública para os filhos dos trabalhadores. Foi emocionante vivenciar, como homem maduro, o poder “da nossa linda juventude”, tanto em Niterói quanto no Centro do Rio de Janeiro, que empurrou com toda força a onda pró-reeleição de Lula da Silva.
Contudo, independentemente da reação da candidatura do presidente Lula, o fato mais importante e que tem tudo para ultrapassar o opositor representante do fascismo, foi ver a juventude lutar pela democracia no Brasil, sob a liderança de um homem com mais de 80 anos. Muitos analistas, desinformados e pessimistas de plantão afirmavam que a esquerda tinha envelhecido com a geração de 1968, que os jovens estavam desinteressados da política e, diante do mundo digital, não existiria mais a utopia; e que muitos outros teriam aderido à sedução e mentiras promovidas pelo fascismo.
Na verdade, tais analistas projetaram em seus pensamentos a falsidade da quimera, promovida pela classe dominante concentradora de capital, que usa todos os recursos para apagar os sonhos das pessoas por dias melhores, retirando principalmente dos mais jovens a esperança de um futuro de tranquilidade e bem-estar, pois se encontram subjugados pelas baixas remunerações salariais pagas em troca de escalas de trabalho exorbitantes (como a extinta escala 6×1).
A classe dominante investe na indução de um mundo sem esperança, pois, não havendo sonhos possíveis de serem realizados, o ser humano torna-se presa fácil para as manipulações que produzem homens e mulheres incapazes de promover qualquer mudança política, econômica e social.
Assim, abre-se espaço para o fascismo, como ideologia liberal capitalista. E, para manter o status quo e retirar das pessoas a capacidade de sonhar por dias melhores, introjeta-se na massa trabalhadora o ressentimento, o ódio e a infelicidade, sentimentos que engrossam os valores atrasados e entreguistas defendidos pelo bolsonarismo no Brasil.
Contudo, na contramão do investimento massivo em mentiras promovidas habilmente pelos meios de comunicação social e redes sociais, controlados pela classe dominante financista, estamos constatando o belíssimo fenômeno de resistência promovido pelos jovens, que, pelo visto, ainda sonham com dias melhores para si e seu país; e, assim, seguraram nas mãos do presidente Lula para conduzi-lo para mais um mandato à frente da República Federativa do Brasil.
Independentemente do resultado do segundo turno, é possível afirmar que a utopia ainda faz parte da vida de grande parte da nossa juventude, que alimenta a expectativa de dias melhores, mesmo diante das dificuldades impostas por uma classe dominante liberal/capitalista, que, em em mais de quinhentos anos de domínio no chamado mundo “Ocidental Cristão”, não conseguiu gerar bem estar e paz; ao contrário, semeou apenas violência, saque, guerras e mortes.
Sendo assim, o dever de todo brasileiro que ama verdadeiramente o Brasil é lutar contra o fascismo, que insiste em impor sua virulência, alinhada à subserviência a um projeto colonialista. E votar para que a juventude e todos nós possamos resgatar a esperança em um futuro com dias muito melhores.
Brasil 247