A rede que adaptou seu modelo para operar do Norte ao Sul do país

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Fonte da notícia: Valor Valor

Quando a Depyl Action abriu sua primeira unidade franqueada, há 30 anos, o mercado brasileiro de beleza ainda era marcado por uma forte presença de operações independentes e por um nível de padronização muito diferente do observado hoje. Três décadas depois, a rede opera mais de 80 unidades distribuídas pelas cinco regiões do país e chega a 2026 sustentando uma tese para sua expansão: em um país continental, capilaridade vale mais do que velocidade.

Os números do setor ajudam a dimensionar esse cenário. O franchising brasileiro faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, alta nominal de 10,5% sobre 2024, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Dentro desse total, o segmento de Saúde, Beleza e Bem Estar respondeu por R$ 74,3 bilhões e cresceu 14,6%, uma das maiores altas entre os setores acompanhados pela entidade. Para 2026, a ABF projeta avanço nominal de 8% a 10% para o sistema.

No primeiro semestre, o setor cresceu 9,7%, mantendo-se dentro dessa faixa. Nesse mercado, a Depyl Action encerrou 2025 com faturamento de R$ 134,6 milhões.

Em 2026, a rede acumulou R$ 100,2 milhões até 5 de outubro, segundo dados da companhia. "O mercado voltou a crescer, mas de maneira diferente", afirma Karla Oliveira, CEO da Depyl Action.

"O consumidor não está comprando um procedimento isolado. Ele está comprando uma rotina, e a rotina exige constância, previsibilidade e um lugar em que ele confie o suficiente para voltar todo mês.

Isso muda completamente o que uma rede precisa entregar." Do produto ao serviço

A trajetória da companhia é atípica no setor porque começou pela formulação, não pelo varejo. A origem da marca está em uma fórmula de cera morna desenvolvida por Glaci Van Straten, em Balneário Camboriú (SC), em 1983, com a proposta de tornar o procedimento mais confortável.

Em 1996, sua filha, Danyelle Van Straten, conduziu a transformação da operação em uma rede de franquias. Essa origem influenciou a construção do modelo de negócio.

Até hoje, um dos principais ativos da companhia está no conjunto formado pela fórmula própria, pela técnica de aplicação e pelo protocolo de atendimento, ensinados e auditados em toda a rede. Em uma categoria em que a experiência depende diretamente do que é aplicado sobre a pele e da forma de aplicação, esse conjunto ajuda a diferenciar a operação e sustenta uma linha própria de produtos.

O segundo pilar é o portfólio. A Depyl Action reúne cera morna, depilação com linha, tecnologias de laser e luz pulsada, design de sobrancelhas, embelezamento de cílios e 4 uma linha própria de produtos.

Segundo a companhia, a combinação de serviços diferencia a rede de concorrentes especializados em uma ou duas categorias. A lógica é econômica antes de ser estética.

Um mix mais amplo pode elevar o tíquete médio, distribuir a receita entre serviços de margens diferentes e reduzir a exposição à sazonalidade típica da depilação, mais concentrada nos meses quentes. Também pode ampliar o tempo de relacionamento com o cliente: a empresa afirma observar consumidores que entram pelos serviços de sobrancelhas e posteriormente contratam depilação com cera ou laser.

O teste do país continental É esse desenho que a companhia aponta como um dos fatores que permitiram à rede operar em mercados com características bastante distintas.

O argumento é operacional. Segundo a empresa, a demanda por depilação está diretamente relacionada às condições climáticas.

Em capitais do Norte, onde as temperaturas permanecem elevadas durante a maior parte do ano, a frequência de visita tende a ser mais constante e o mix pende para cera e manutenção. Em cidades do Sul, os meses mais frios alteram a curva de demanda, e o laser e os serviços de olhar ganham peso relativo.

Somem-se a isso as diferenças de renda média, custo de ocupação e disponibilidade de mão de obra qualificada entre regiões, e o resultado é que uma rede nacional de serviços precisa, na prática, funcionar como várias. A estratégia da Depyl Action foi padronizar o que considera essencial e flexibilizar os componentes que dependem de cada mercado.

Fórmula, técnica de aplicação, protocolo de atendimento, padrões de arquitetura e formação das equipes seguem diretrizes comuns em toda a rede. A composição do mix, a escala de agenda e a política de pacotes se ajustam à praça.

"Um modelo só é replicável de verdade quando funciona em qualquer contexto", diz Danyelle Van Straten, presidente e cofundadora. "O nosso foi construído para isso: mesmo protocolo, mesma técnica, mesma formação de equipe, do Norte ao Sul do Brasil.

O franqueado não está comprando uma aposta. Está comprando um método que já rodou em todas as regiões."

A operação reúne mais de 1.300 colaboradores diretos e atende mais de 1 milhão de clientes por ano, segundo a companhia. O próximo passo

A rede não divulga metas futuras. A prioridade é ampliar a presença em capitais e cidades médias onde a marca ainda tem baixa penetração.

Segundo a companhia, ainda há um número relevante de mercados com potencial para novas unidades. No exterior, a rede mantém duas unidades na Venezuela.

A trajetória internacional rendeu à marca uma certificação de franquia internacional do Franchising Brasil, programa da ABF em parceria com a Apex-Brasil, além do primeiro lugar no ranking de Criação de Valor Internacional - Franquias do estudo "Trajetórias FDC de Internacionalização das Empresas Brasileiras", da Fundação Dom Cabral.

Novos mercados seguem em avaliação, sem cronograma anunciado. Uma empresa fundada por mulheres

A história da companhia também é marcada pela liderança feminina. O negócio nasceu a partir do trabalho de Glaci Van Straten, teve a expansão por franquias conduzida por sua filha, Danyelle Van Straten, e hoje é comandado pela CEO Karla Oliveira.

A companhia associa essa trajetória à proximidade histórica com um público predominantemente feminino, embora atualmente atenda consumidores de diferentes gêneros. "A empresa nasceu de mulheres, para mulheres, e hoje atende a todos os públicos", resume Karla Oliveira.

"Mantemos um público predominantemente feminino, mas estamos preparados para atender todos os gêneros. Essa origem contribuiu para a compreensão que temos do cliente."

Para a companhia, a presença em diferentes mercados também funciona como referência para potenciais franqueados, que podem observar unidades em cidades com características semelhantes àquelas em que pretendem investir. "Capilaridade é estratégia, não vaidade de mapa", diz Karla.

"Para nós, estar em diferentes estados é uma forma de testar o modelo em mercados e perfis de consumidores distintos."

Publicação Original Valor valor.globo.com
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