A poesia imita a vida: com direção de Duda Maia e texto inédito de Gabriel Chalita, o espetáculo "Poemas" estreia no dia 12 de junho no Teatro Fashion Mall
O novo texto teatral de Gabriel Chalita, "Poemas", desembarca na cidade carioca no dia 12 de junho, após uma temporada de grande sucesso em São Paulo. O Teatro Fashion Mall se transforma em palco para a poesia nessa montagem que acompanha o encontro entre dois personagens que tentam escrever um poema enquanto atravessam lembranças da infância, medos, afetos e perguntas sobre o futuro.
Dirigido por Duda Maia e estrelado por André Torquato e Marcos Pitombo, o espetáculo discorre sobre a necessidade urgente de encontrar beleza mesmo nos tempos mais árduos. A montagem explora as dualidades e os atravessamentos da vida e da morte; da memória que pode moldar, paralisar e acalentar. Trata ainda da esperança e da falta dela; dos sentimentos sombrios como medo, ansiedade, dor e depressão, contrapostos ao amor, ao prazer, às alegrias e à ação necessária para movimentar as situações do dia a dia e transformar o mundo.
Com uma escrita que transita entre o filosófico e o cotidiano, entre o simbólico e o visceral, Gabriel Chalita construiu uma obra que convida o espectador a questionar os próprios fundamentos da existência humana. Nas palavras do poeta: "É um espetáculo com beleza, mas que também nos ajuda a refletir sobre o que é viver e o que é existir."
O ator Marcos Pitombo mergulhou de cabeça nesse universo poético e encontrou no texto um convite à investigação sobre o que nos move e o que nos paralisa. Para ele, a peça é uma jornada que se constrói palavra por palavra, sensação por sensação, em direção a algo que vai muito além do palco: "O texto tem uma sequência, um objetivo, que é construir um poema que pretende salvar o mundo. E que mundo é esse? Será que fala do mundo físico, de todo mundo, do mundo à minha volta, ou do meu mundo particular, o nosso mundo de dentro? A gente fala um pouco sobre o que nos inspira, sobre nossas dores e sobre o que nos move. Então, através de sensações e palavras, a gente vai guiando um norte para chegar nesse poema."
Já André Torquato encontrou no texto de Chalita uma rara abertura para o mistério e para a escuta genuína. O ator destaca o que considera o elemento mais precioso da peça, a recusa em oferecer respostas fáceis diante das grandes questões da vida, e aponta para o que surge justamente nesse vazio: "Em vez de buscar respostas prontas, o espetáculo cria um espaço de escuta, de silêncio, de vento, onde o que parece escuro pode, de repente, acender pequenas luzes." E completa: "Às vezes é no mistério que a gente se salva."
A direção de Duda Maia, marcada por uma estética que coloca o corpo e a palavra em permanente diálogo, parte exatamente dessa tensão entre o dito e o não dito, entre o gesto e o silêncio, para criar uma linguagem cênica que é, ela própria, uma forma de poesia.
Por fim, Gabriel Chalita encerra com um depoimento que, por si só, já é poesia, e que resume com beleza rara tudo o que "Poemas" se propõe a ser: "É um convite para poetizar dois mundos. O de dentro e o de fora. O eu comigo. E o eu com o outro. Há tantas feridas a serem costuradas. Há tantos amanheceres a serem celebrados. Na alma. No corpo. O encontro com Duda Maia para mim é um presente. Um construir coletivo de linguagens que se casam para emocionar, para fazer pensar."
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"Poemas"
