"A nobreza do amor" terminará no próximo dia 6 na TV Globo com um final que permite uma continuação futuramente. É o que revela à coluna Elisio Lopes Jr, um dos autores da novela das 18h.
Ele assina a história ao lado de Duca Rachid e Júlio Fischer. Após 'A nobreza do amor': Ronald Sotto fará novela com Marina Ruy Barbosa
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— Teremos uma grande batalha. A novela vai entregar o que prometeu.
Estamos muito na expectativa. Houve um trabalho intenso da produção para viabilizar a proporção.
A gente não poupou e trabalhou para manter a tensão da novela até o final. As coisas não vão se resolver todas com antecedência.
Não vai ser um último capítulo só festejando vitória. Tem reticências no final.
Ele aponta para desdobramentos dessa história em outros tempos. Já era uma proposta da sinopse.
Estudamos bastante a construção dessa novela e a construção da perspectiva de dinastia, de reinado que passa de geração em geração. Escrevendo os últimos capítulos, entendemos que era importante ter esse desfecho, oferecendo ao público a possibilidade de imaginar coisas, sem entregar tudo fechado — explica ele, acrescentando que uma "continuação é possível": — Mas não existe uma conversa hoje sobre isso (na emissora).
Tem um cuidado profundo da produção com todo o acabamento. É o que vai ficar na cabeça do telespectador.
Como ele vai ler essas reticências? Isso instiga nossa criatividade, nosso pensamento. Aí depende mais do olhar do espectador do que do nosso desejo.
Segundo o autor, o final de Jendal (Lázaro Ramos) foi o que mais exigiu: — O final que mais nos deu trabalho de fechar foi o do Jendal.
Ficamos entendendo qual era o momento, a forma e o que se passava na cabeça do personagem. Achamos um caminho muito coerente dentro de como pensamos o personagem.
Já em relação aos vilões Mirinho (Nicolas Prattes) e Virgínia (Theresa Fonseca), Elisio diz que a decisão foi por diferenciá-los no fim: — O final do Mirinho é o que ele merece.
Ele tem cores fortes, mas menos que a Virgínia. Ela tem inveja dessa mulher que menospreza.
É uma relação de amor e ódio com Alika (Duda Santos). Acho que é uma personagem que traz mais carga de complexidade no desfecho do que o Mirinho.
Ele é falocêntrico, egoísta e mimado. É o desejo dele e acabou.
Acho que o público vai ficar satisfeito com os desfechos dos dois, mas são diferentes. A gente escolheu caminhos diferentes por causa dessas complexidades.
O autor afirma que sinopse foi seguida sem a necessidade de mudanças profundas. O trio apenas alterou o tamanho de algumas histórias em função do carisma dos personagens junto ao público.
Ele conta ainda que se surpreendeu com a repercussão dos casais Teresa (Ana Cecília Costa) e José (Bukassa Kabengele) e Manoel (Daniel Rangel) e Ana Maria (Julia Lemos). Também destaca a curiosidade provocada pelas cenas do presidente Nilo Peçanha (Deo Garcez).
Sobre o que não teve o impacto pretendido, Elisio opina: — Tivemos a personagem Imani (Dhara Lopes), que Jendal mandou matar.
Era uma das sequências, para mim, mais fortes e agressivas, porque ele manda jogar no poço das serpentes uma mulher que não cometeu um crime. Isso não causou espanto nem grandes reações.
Passou. Ficou mais a potência da imagem de Lázaro jogando no poço do que a humanidade da personagem que foi jogada.
"A nobreza do amor" totalizará 183 capítulos, número menor do que o previsto originalmente porque a novela perdeu uma parte devido à Copa do Mundo. Manter uma história no ar por tanto tempo requer um controle firme do ritmo da narrativa.
Em certos momentos, acabaram surgindo críticas nas redes sociais e na imprensa especializada a respeito de uma lentidão na história nos últimos meses: — Acho que cada um tem seu tempo.
As pessoas estão consumindo novelas de um minuto e meio por capítulo. Tem gente que ama, mas a matéria-prima do melodrama para construção da emoção é conhecer o personagem, a história dele e o contexto.
A gente tem um apreço gigantesco pela construção. Nada pode ser gratuito, e isso dá um trabalho grande.
Tem uma parcela do público que está na bolha da ansiedade e outra que saboreia esse café e degusta até ficar frio. Estamos escrevendo para este tempo atual, então, tem coisa que aceleramos e outras que seguramos.
Como vivemos nesse híbrido de urgência e prazos diferentes, com certeza a unanimidade não existe mais. Se tivermos consciência do que está no DNA do melodrama, não nos perdemos na aventura de efeitos.
Contar uma história bem contada é uma escolha do trio de autores. Isso honra a escola brasileira de melodrama, que acredito ser a melhor do mundo.
TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp Outro ponto observado pelos telespectadores foi o baixo número de figurantes em várias cenas, sobretudo no começo da trama.
Elisio concorda, mas faz ponderações: — A gente obviamente sentiu isso em alguns momentos.
Talvez a cidade precisasse estar mais povoada. Não só em Batanga, mas em Barro Preto.
A gente pensa em como poderia ser, mas também entende que tem a opção do diretor e a forma de narrar a história. Claro que, durante a gestão de um projeto tão longo, a produção fez escolhas: investir em determinados momentos e, em outros, sobreviver.
A novela que está no ar hoje já tem uma proporção bastante diferente daquela do início, com a Resistência crescendo, o cenário da Menemi (Taís Araujo)... Nesta fase final da novela, a gente avisou: "Agora tem que avançar aqui, porque isso tem que acontecer." O diretor falou: "Vai fundo." Hoje eu não sinto uma lacuna nesse sentido.
Acho que o público também não vai sentir nas cenas de desfecho. O autor termina a jornada com a sensação de que seus desejos se concretizaram:
— Sou pai de três meninas pretas e tinha um sentimento forte de que a gente tinha muitas lacunas em peças do universo de referências no Brasil. Um desses espaços com lacunas era o da princesa preta.
Não tem uma história na TV que eu possa mostrar para minhas filhas que tragam uma princesa nessa proporção, com valentia e heroísmo. Conversei com Duca e Júlio para trazermos para o imaginário brasileiro uma figura que não existia e que a gente pudesse admirar e se apaixonar.
Comemoro muito a possibilidade de ter feito essa novela com mais de 50% do elenco preto e que tem a África como personagem. Outro ponto a se comemorar dentro dessa questão é não estereotipar a presença negra, apenas como heróis perfeitos e maravilhosos.
Você tem mocinhos e vilões, heróis e pessoas não admiráveis interpretadas por atores pretos. Acho que essas conquistas dizem muito para o nosso repertório brasileiro sobre o espaço da negritude na teledramaturgia.
O Globo