A música favorita de Pete Townshend, do The Who; "É tudo o que eu gostaria de fazer"

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Bruce WilliamPostado em 26 de outubro de 2026 Pete Townshend ficou conhecido como um dos guitarristas mais explosivos do rock, especialmente pela maneira como atacava seu instrumento durante os shows do The Who.

Mas, quando falava sobre seus músicos favoritos, nem sempre mencionava artistas que compartilhavam daquela agressividade. Uma de suas maiores admirações era justamente um grupo conhecido pela economia de notas, pela precisão e pela capacidade de fazer muito com relativamente pouco.

O grupo era Booker T. & The MG's, que em 1962 lançou "Green Onions" (youtube), uma composição instrumental construída sobre uma linha de órgão imediatamente reconhecível.

Formada por Booker T. Jones nos teclados, Steve Cropper na guitarra, Lewie Steinberg no baixo e Al Jackson Jr.

na bateria, a banda se tornaria um dos pilares da gravadora Stax, em Memphis, acompanhando artistas como Otis Redding e Sam & Dave. Em entrevista concedida a Jann Wenner, da Rolling Stone, republicada na Far Out), Townshend não economizou nos elogios.

"Nenhuma música me dá tanto prazer quanto ouvir Booker T. 'Green Onions' é praticamente a minha gravação favorita de todos os tempos, e o trabalho de guitarra é de um bom gosto impressionante.

É tudo o que eu gostaria de fazer", declarou. A admiração por Steve Cropper era particularmente intensa.

Townshend contou que esperava encontrar uma entrevista grandiosa com o guitarrista, que considerava um dos maiores da história. Mas ficou surpreso ao ler uma conversa em que Cropper falava de maneira absolutamente simples sobre cordas de guitarra e sessões de gravação.

Para o integrante do The Who, aquela naturalidade era parte do encanto dos músicos da Stax. "Eles são tão cheios de soul sem sequer perceber.

Tocam de maneira natural, espontaneamente. Simplesmente acontece de tudo estar absolutamente certo.

Eles não sabem disso, mas ninguém espera acertar tudo dessa maneira", comentou Townshend, impressionado com a capacidade do grupo de produzir música sem aparentar qualquer esforço. Seu encontro com Booker T.

Jones foi ainda mais marcante. Townshend recordou que se aproximou do tecladista para dizer que era um grande admirador.

Jones agradeceu educadamente e perguntou seu nome. Ao ouvir "Pete Townshend", repetiu a resposta, fez uma expressão pensativa e disse que tentaria se lembrar.

Depois foi embora. Townshend ficou maravilhado.

"Pensei: 'Ele vai se lembrar do meu nome'. Fiquei rindo feito um adolescente.

Não conseguia acreditar", contou. Mais tarde, percebeu que havia se comportado exatamente como os fãs que costumavam procurá-lo depois dos shows.

E que Booker T., aparentemente pouco acostumado àquele tipo de demonstração, simplesmente reagira com educação e tranquilidade. A história ajuda a compreender uma característica da formação musical de Townshend.

Apesar da fama de guitarrista barulhento, ele sempre demonstrou enorme respeito pelo rhythm and blues e pela música soul americana, influências que já apareciam nos primeiros discos do The Who. E, entre todos os músicos que admirava, encontrou em Steve Cropper e Booker T.

Jones algo que considerava especialmente difícil de alcançar: tocar exatamente o necessário, sem precisar provar coisa alguma.

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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