Por Bruce WilliamPostado em 03 de novembro de 2026 Uma música composta pelo Queen para um filme de ficção científica acabou encontrando um destino bastante inesperado: uma propaganda de produto de limpeza.
E Brian May, autor da canção, quase impediu que isso acontecesse. O guitarrista inicialmente considerou a ideia uma maneira de ridicularizar seu trabalho, mas acabou mudando de opinião depois de conhecer os detalhes da campanha.
A música era "Flash", escrita por May para a trilha sonora de Flash Gordon, filme de 1980 estrelado por Sam J. Jones.
Com seu refrão grandioso e efeitos sonoros que remetiam às aventuras do personagem, a composição se tornou uma das mais reconhecíveis daquele período do Queen. Décadas depois, uma empresa britânica percebeu que havia uma oportunidade publicitária praticamente pronta: utilizar a música para divulgar um produto de limpeza chamado justamente Flash.
Em entrevista de 2023 à Vulture, May contou que a proposta não lhe agradou inicialmente. "Pensei que aquilo iria banalizar a música, transformá-la numa piada.
Mas depois pensei que estava levando tudo a sério demais. A canção já tinha um senso de humor, era deliberadamente exagerada", recordou.
O guitarrista decidiu então examinar o roteiro da propaganda. Percebeu que a brincadeira funcionava e que não havia motivo para rejeitar uma utilização bem-humorada de uma composição que, desde sua origem, tinha um lado bastante teatral.
E, naturalmente, havia também uma compensação financeira envolvida. "Era realmente engraçado, fazia as pessoas rirem.
Então por que não? Além disso, iam nos pagar por aquilo. Eu gosto de dinheiro e faço coisas boas com ele.
Então aceitei", contou May, acrescentando que algumas pessoas questionaram sua decisão. A campanha foi lançada no Reino Unido em agosto de 2016 pela Procter & Gamble.
No comercial, que pode ser visto no Vimeo, um cachorro aparece numa casa surpreendentemente limpa, enquanto uma versão adaptada da música do Queen acompanha a situação. A publicidade brincava com o refrão de "Flash" para apresentar os supostos poderes do produto contra a sujeira.
May explicou, entretanto, que nem todas as propostas de utilização comercial das músicas do Queen recebem o mesmo tratamento. Ele citou "We Will Rock You" como exemplo de composição cuja identidade procura preservar, recusando determinadas adaptações que considera inadequadas.
Também revelou que o grupo já rejeitou pedidos envolvendo músicas utilizadas em contextos que seus integrantes consideravam ofensivos. No caso de "Flash", o guitarrista concluiu que a brincadeira combinava perfeitamente com o espírito da composição.
Afinal, a música havia nascido para acompanhar as aventuras extravagantes de um herói espacial e agora ajudava a vender um produto de limpeza. Para May, não havia grande problema em acrescentar mais um capítulo divertido à sua história.
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