A Mude cresceu com academia ao ar livre — e agora aposta no filão de saúde preventiva

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Não é todo dia que um trabalho de conclusão de curso (TCC) se torna uma empresa com projeção de faturar R$ 90 milhões no ano. Mas foi o que aconteceu com a Mude, do empresário carioca Marcus Moraes.

A companhia começou fabricando equipamentos para academias ao ar livre e se transformou em uma empresa de mídia exterior, que comercializa espaços publicitários em estações de ginástica instaladas em praias, parques e praças. Depois de fechar 2025 com receita de R$ 75 milhões, a empresa amplia agora sua atuação e aposta no mercado de saúde preventiva, com uma plataforma que oferece avaliações de saúde e check-ups digitais.

‘Caneta emagrecedora é Santo Graal para academias’, diz CEO da Panobianco Batizada de Tempo Health, a nova frente de negócios nasceu de uma parceria com a Mar Saúde, healthtech fundada por médicos ligados à Faculdade de Medicina da USP.

A Mude investiu R$ 1 milhão no desenvolvimento da iniciativa e estuda adotar um modelo de assinatura mensal, com um cartão de benefícios que daria acesso a check-ups, consultas médicas e aulas online, além de descontos em academias, suplementos e outros serviços de saúde e bem-estar.

O aplicativo já está disponível para download e permite que os usuários façam gratuitamente uma avaliação que gera uma pontuação, ou score, sobre sua saúde. No Rio, a empresa também pretende oferecer mil check-ups digitais gratuitos, que podem resultar em pedidos de exames médicos.

— Ainda estamos descobrindo as várias formas de monetizar essa iniciativa. Fiz questão de colocar logo no ar para oferecer aos usuários uma maneira de avaliar a própria saúde — afirma Moraes, fundador e CEO da Mude.

A companhia pretende aproveitar a estrutura que construiu no mercado de mídia exterior, o out-of-home (OOH), com 118 academias ao ar livre e 770 mobiliários esportivos que também funcionam como espaços publicitários, além de um aplicativo que, segundo o empresário, já ultrapassou um milhão de downloads.

Segundo estimativas da Mude, a Tempo Health tem potencial para atender mais de 100 mil pessoas. De Venice Beach ao Rio

A trajetória da Mude começou em 2001, a partir de um projeto de conclusão do curso de engenharia de produção de Moraes, que se inspirou nas academias ao ar livre de Venice Beach, na Califórnia, para desenvolver equipamentos semelhantes no Brasil. Inicialmente, a empresa fabricava e vendia aparelhos de ginástica, mas mudou de modelo quando o empresário percebeu que muitas prefeituras não faziam a manutenção das estruturas.

A solução encontrada por Moraes foi passar a alugar os equipamentos, incluindo a manutenção nos contratos, e posteriormente buscar patrocinadores para financiar as academias e atividades gratuitas. O negócio evoluiu para a exploração de publicidade nas estações de exercícios e, hoje, mídia e patrocínios respondem por cerca de 85% da receita da Mude, enquanto os outros 15% vêm principalmente da locação de academias e equipamentos.

Segundo Moraes, a combinação dos dois modelos foi o que permitiu a empresa registrar margem Ebitda de aproximadamente 38% e margem de lucro líquido de 21%. Evento de lançamento da Tempo Health

Divulgação — Muitas empresas de mídia pagam para o dono do terreno.

A Mude atua muito em área pública, e o que eu dou em contrapartida nem sempre é dinheiro, mas o atendimento e os serviços de saúde — explica. Em 2022, a Mude recebeu um aporte de R$ 25 milhões da HSi, veículo de investimentos da família Seibel, ligada à Leo Madeiras, mas não voltou a captar recursos desde então.

De acordo com Moraes, a geração de lucro tem permitido financiar a expansão para novas cidades, incluindo municípios ligados ao agronegócio, como Rio Verde, em Goiás. A empresa também atua em capitais como Rio, São Paulo, Brasília, Recife, Fortaleza, João Pessoa e Goiânia.

Nova aposta A Tempo Health reúne uma ferramenta desenvolvida pela Mude, que avalia hábitos e condições físicas dos usuários para gerar uma pontuação de saúde, e a tecnologia da Mar Saúde, que permite realizar check-ups digitais a partir de perguntas sobre o histórico médico e, quando necessário, emitir pedidos de exames.

Segundo as empresas, a solução da Mar Saúde é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Mar Saúde já comercializa sua tecnologia para empresas interessadas em oferecer check-ups aos funcionários, com valores que, segundo Moraes, podem chegar a R$ 40 ou R$ 50 por avaliação.

Na Tempo Health, a estratégia inicial é oferecer o serviço gratuitamente para atrair usuários e testar a demanda antes de definir como a operação poderá gerar receita. Uma das vantagens da parceria é a capacidade de divulgação da Mude, que pretende usar sua própria rede de painéis publicitários para promover a plataforma.

A parceria com a Mar Saúde ainda não foi formalizada em uma nova empresa, embora a intenção seja constituir uma sociedade específica caso a plataforma ganhe escala.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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