A maçã não dobra: Samsung provoca o iPhone Duo em comercial

A maçã não dobra: Samsung provoca o iPhone Duo em comercial - Foto
Fonte da notícia: ultimos segundos IG ultimos segundos IG

Comercial do Galaxy Z Fold 8 mostra uma maçã que tenta dobrar e não consegue, em provocação ao iPhone DuoFoto: Reprodução/Vídeo Samsung Na publicidade, poucas oportunidades são tão tentadoras quanto o tropeço do concorrente. A Samsung sabe disso.

Três dias depois de o iPhone Duo chegar aos compradores, cercado de relatos de telas rachadas, a marca sul-coreana lançou um comercial para lembrar que vende celulares dobráveis há anos.No filme do Galaxy Z Fold 8, uma maçã verde é fatiada e uma das rodelas tenta se dobrar como um celular, sem sucesso.

A assinatura, "anos à frente nos dobráveis", completa a provocação. A Apple afirma que só um pequeno número de unidades foi afetado e está trocando os aparelhos com defeito.Por que a provocação ao iPhone Duo funcionaO filme resume em poucos segundos uma comparação que, de outro jeito, exigiria uma tabela de especificações.

Não é preciso entender de tecnologia para rir da maçã que não dobra.Os números reforçam a piada. Segundo a Samsung, o Fold 8 tem 9,7 mm de espessura fechado e pesa 201 gramas, contra 11,3 mm e 254 gramas do iPhone Duo.

A Samsung vende dobráveis desde 2019, enquanto a Apple só apresentou o seu em setembro deste ano.O mercado chama esse tipo de anúncio de publicidade comparativa: a marca coloca seu produto lado a lado com o do concorrente. No Brasil, o Código do Conar permite a comparação, desde que seja objetiva e possa ser comprovada.E o momento escolhido foi certeiro.

A Samsung lançou o filme quando a atenção sobre o rival estava no auge.Uma rivalidade que o público adoraNão é a primeira vez. Durante a apresentação do iPhone Duo, em setembro, a Samsung já tinha brincado nas redes com a demora da Apple.

Na Nova Zelândia, a marca chegou a fazer um vídeo com um morador chamado Tim Cook, xará do presidente da Apple, elogiando o Fold 8.A Apple também conhece bem esse jogo. Nos anos 2000, ficou famosa a campanha em que um jovem descolado representava o Mac e um senhor engravatado e atrapalhado fazia o papel do PC.Rivalidades assim rendem conversa, memes e compartilhamentos.

Para o público, é quase um esporte acompanhar quem vai dar a próxima alfinetada.Quem provoca também vira alvoSó que esse jogo tem volta. A própria Samsung já foi provocada pela chinesa Honor, que comparou a bateria do seu dobrável com a do Galaxy Z Fold 8 Ultra, e pela Oppo, que exibiu a dobra quase invisível da sua tela ao lado do vinco bem marcado de um modelo anterior da Samsung.Há ainda uma ironia que muita gente lembra.

Em 2019, o primeiro Galaxy Fold teve o lançamento adiado depois que unidades de teste apresentaram problemas na tela. Ou seja, a Samsung também passou pela fase de aprender com o primeiro dobrável.Nem tudo favorece o Fold 8, aliás.

O iPhone Duo tem certificação IP68, que indica maior proteção contra poeira e água, enquanto o aparelho da Samsung tem IP48, com proteção mais limitada contra poeira. Quem compara precisa estar preparado para ser comparado.Estar "anos à frente" tem prazo de validadeO argumento de que a Samsung está "anos à frente" é verdadeiro hoje.

Mas é uma vantagem que diminui a cada lançamento.A Apple tem um histórico conhecido de chegar depois e ganhar mercado. O iPhone não foi o primeiro smartphone, e o Apple Watch não foi o primeiro relógio inteligente.

Mesmo com os problemas, a procura pelo iPhone Duo fez a empresa aumentar suas metas de produção, e o aparelho custa a partir de R$ 21.999 no Brasil, mais que o dobro do Fold 8, vendido na faixa dos R$ 10 mil.Ou seja, o consumidor da Apple não parece ter desistido do dobrável por causa de uma rachadura.

Defeitos de primeira geração costumam ser corrigidos e a piada de hoje pode não funcionar no próximo lançamento.O que fica para quem trabalha com marcaA primeira lição é que a publicidade comparativa funciona quando une humor, dados verificáveis e o momento certo. O comercial da Samsung tem os três.A segunda é que provocar o concorrente é um recurso, não uma estratégia de longo prazo.

Uma marca que se define pelo erro do outro corre o risco de ficar sem assunto quando o outro acerta.A maçã não dobrou desta vez. No mercado de tecnologia, porém, quem ri por último costuma ser quem aprende mais rápido.

Publicação Original ultimos segundos IG ultimosegundo.ig.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →