'A lógica de poder e controle precisa ser combatida desde cedo': psicóloga analisa comportamento de jovens envolvidos em estupro
O caso de estupro coletivo envolvendo uma adolescente de 17 anos em Copacabana trouxe à tona uma questão preocupante: como pessoas podem cometer atos de violência tão graves? O episódio, marcado por extrema crueldade e desumanização da vítima, reacende o debate sobre cultura da violência e educação de gênero.
O adolescente envolvido no caso é considerado foragido desde esta quinta-feira. A Vara da Infância e da Juventude da Capital expediu mandado de busca e apreensão contra o menor, apontado pela Polícia Civil como possível mentor do crime por ter atraído a vítima ao apartamento. A determinação da Justiça veio após o Ministério Público do Rio (MPRJ) rever seu posicionamento inicial contra a medida. A polícia iniciou as buscas.
Os quatro homens presos por participação no crime estão na Cadeia José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Foram alocados separados dos demais internos na unidade em celas conhecidas como “seguro”. Dois deles — Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos — passaram por audiência de custódia ontem e tiveram a prisão mantida pela Justiça. Os outros — Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti, os dois de 18 anos — devem passar pelo mesmo procedimento hoje.
A psicóloga Alice Araujo, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e com vasta experiência no atendimento de adolescentes, explica que a dinâmica de grupo pode contribuir para o agravamento desse tipo de crime:
“Em grupos, a responsabilidade individual parece se diluir, e comportamentos que seriam inaceitáveis isoladamente parecem para eles justificados pelo coletivo”, afirma.
Para a psicóloga, crimes dessa natureza estão frequentemente associados a uma cultura de violência baseada em ideias de posse e inferiorização da mulher, em que o corpo feminino é tratado como objeto.
“A ausência de empatia e de limites morais pode levar os agressores a tratar a vítima como algo sem valor humano. É uma lógica de poder e controle que precisa ser combatida desde cedo por meio de educação, diálogo e responsabilização”, explica.
De acordo com informações da investigação, a jovem teria sido atraída para um ambiente fechado por um conhecido, o que caracteriza possível premeditação e aumenta a gravidade do caso. Laudos do Instituto Médico Legal indicam o uso de violência física para submeter a vítima, reforçando a brutalidade do crime.
Alice Araujo também reforça a importância de acolher a vítima, dar voz ao seu relato e garantir a aplicação rigorosa da lei em casos de violência sexual.
