Rodrigo Marques, CEO da Claro
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Com investimentos de R$ 36,3 bilhões em 2025, principalmente para a expansão das redes de banda larga e de 5G, o setor de telecomunicações continua garantindo as bases para a inovação de diferentes segmentos da economia brasileira.
Os acessos de banda larga móvel e banda larga fixa alcançaram 305,6 milhões e as redes 5G chegaram a 1.421 municípios, onde mora 76% da população brasileira.
Mas operadoras, provedores de serviços de internet (ISPs, na sigla em inglês) e fabricantes de equipamentos de telecomunicações não atuam apenas como fornecedores das infovias digitais que contribuem para a inovação dos demais setores.
Ao mesmo tempo, seguem conduzindo suas próprias transformações digitais.
Primeira colocada do setor e terceira entre as dez melhores do anuário Valor Inovação Brasil 2026, a Claro soma 89,5 milhões de usuários de telefonia móvel, sendo 58,4 milhões de linhas pós-pagas, e mantém a liderança em banda larga fixa, com 19,6% de participação.
Rodrigo Marques, CEO da Claro, diz que a inovação é inerente à estratégia e pilar dos três princípios básicos da companhia: crescimento, melhoria da qualidade e rentabilidade.
A operadora tem combinado serviços centrais de telecomunicações aos gerados por hubs independentes, que identificam novos negócios em dez verticais.
Segunda colocada, a Vivo investiu, em 2025, R$ 9,3 bilhões, sobretudo para melhoria e expansão das redes móvel e de banda larga.
A rede 5G está presente em 906 municípios e a malha de fibra cobre 31,5 milhões de domicílios, com 8 milhões de clientes já conectados.
A operadora conta com 117 milhões de acessos – considerando as telefonias móvel e fixa, banda larga e TV por assinatura.
Na Vivo, a inovação é transversal a todos os setores sob o comando do CEO Christian Gebara.
A empresa também mantém uma diretoria dedicada à inovação, sob a qual está a atividade de corporate venture capital (CVC) por meio da Vivo Ventures (voltado a empresas maduras) e a Wayra (cujo foco são as startups early stage, ou embrionárias) e os novos negócios em verticais de educação, saúde, finanças e casa inteligente.
No ano passado, a operadora ampliou em R$ 150 milhões os recursos do Vivo Ventures, que já somam R$ 470 milhões.
Desde sua criação, em 2022, o CVC alocou mais de R$ 230 milhões em 14 investimentos.
Somente em 2025, foram sete aportes: em seis startups e o follow-on no fundo Canary IV LP CF.
A Wayra, por sua vez, que antes atuava no ambiente do Cubo itaú – hub de empreendedorismo e inovação aberta – foi internalizada na Vivo.
“Uma parte do Vivo Ventures foi dedicada a investimento early stage de IA, como a legaltech Inspira e a edtech Elevify”, diz Rodrigo Gruner, vice-presidente de Inovação e novos negócios da Vivo.
A Vivo se posiciona como uma empresa orientada a inteligência artificial (IA) e mantém uma diretoria para governança de dados.
Um de seus focos de atenção tem sido o controle de custo dos tokens — as unidades de processamento de texto ou códigos dos Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) —, que se tornou muito relevante para não corroer os ganhos.
Projetos de IA que não monitoram esse consumo correm o risco de ver os custos explodirem rapidamente na produção.
A Vivo desenvolveu um LLM próprio a partir dos existentes no mercado.
No B2C, há ofertas como 12 meses gratuitos do plano Google AI Plus.
No B2B, o destaque é o caso de inovação aberta submetido à premiação do Valor: uso de IA no megaprojeto de internet das coisas (IoT) para gestão inteligente de recursos hídricos da Sabesp para detectar vazamentos, identificar irregularidades, analisar padrões de consumo e apoiar a manutenção preditiva.
A IA também é empregada no atendimento, e, na rede, é associada a gêmeos digitais para simular cenários, planejar a expansão e otimizar investimentos.
Na banda larga, a IA é embarcada nos modems dos clientes para monitoramento da qualidade, e agentes autônomos apoiam as atividades de campo.
Na TIM, a inovação é o foco da vice-presidência que combina as áreas de estratégia e relações com investidores.
Sob a área de estratégia, uma diretoria é dedicada à inovação aberta por meio de parceira com o Cubo.
“Em ecossistemas como o Cubo, reduzimos o nosso risco e temos mais oportunidades de olhar para novas tecnologias e modelos de negócio do que se tivéssemos uma abordagem apenas interna”, afirma Vicente Ferreira, vice-presidente de Relações com Investidores e Estratégia da TIM.
A empresa também mantém laboratórios de inovação em Guaratiba (RJ) e no bairro carioca de São Cristóvão.
A empresa também conta desde 2023 com um fundo de CVC, gerido pela Upload Ventures Growth, que dispõe de US$ 50 milhões para investir.
Ele já fez aportes na Topsort (IA para retail media), Simetrik (reconciliação de dados financeiros) e Tractian (monitoramento preditivo industrial).
Uma das inovações recentes da companhia foi o swap da rede (transformação da infraestrutura) em São Paulo, com mais de 3 mil sites modernizados.
Além de fortalecer a infraestrutura, o objetivo foi elevar a experiência do cliente em uma região decisiva para a companhia.
Ferreira explica que, por meio de recursos de IA e automação, a rede vai se autoajustar em função do tráfego, um recurso associado à manutenção preditiva.
“Estamos levando o projeto para outras capitais, um trabalho de médio e longo prazos.
Há desafios de implementação, mas as correções de rota são feitas numa dinâmica normal da estratégia da companhia: como acelerar mais em bairros não previstos originalmente, mas que apresentaram maior demanda”, diz o executivo.
O atendimento por meio da IA Tais está se preparando para utilizar agentes.
A operadora busca ainda transformar a rede em produto via oferta de APIs (Aplicaton Program Interfaces) e conexões diferenciadas via slicing (segmentação) de rede 5G, em aplicações de grandes eventos como o Grande Prêmio de Fórmula I.
Já a Ericsson segue angariando projetos de transferência de tecnologia e P&D de outros países – como Índia, EUA e Irlanda – para o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de Indaiatuba (SP), que conta com o laboratório 5G Open Innovation Center, com soluções do ecossistema de fornecedores.
“A matriz entende que nosso trabalho tem muito valor de liderança tecnológica e produtividade, com cerca de 520 profissionais.
Duas patentes recentes são relativas a redes autônomas.
A IA tem ocupado um papel central nos nossos desenvolvimentos.
Seja IA para automatizar e otimizar a rede, sejam redes construídas especificamente para suportar o uso de IA”, explica Edvaldo Santos, VP de P&DI da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.
Ele conta que a Ericsson já acumula pouco mais de 240 depósitos de famílias de patentes nacionais e, em 2025, investiu R$ 165 milhões, quantia que deve crescer em 2026.
Por meio do projeto Smartness Ericsson-Fapesp-Unicamp, ela atua em pesquisas com foco em 5G Advanced e 6G.
Outra frente de trabalhos voltada à inovação é a Digital Experience Platform (DXP Studio), plataforma de integração que permite reduzir de semanas para poucas horas o tempo de integração das tecnologias avançadas e as infraestruturas legadas (antigas).
Na Unifique, a diretoria dedicada à inovação conta com mais de 180 pessoas, mas o tema permeia toda a companhia, envolvendo os quase 3 mil colaboradores.
Em 2025, 371 pessoas das diversas diretorias atuaram diretamente nos projetos de inovação da empresa.
“Investimos mais de R$ 103 milhões em inovação, considerando pessoal dedicado, serviços de apoio e ativos vinculados aos projetos”, diz Gabriel Amâncio, diretor de inovação e transformação digital da Unifique.
A empresa nasceu como ISP, ofertando fibra ótica.
Em 2021, abriu o capital, se reorganizou e padronizou processos.
Agora se prepara para usar agentes autônomos na operação.
Nas ofertas, a empresa utiliza o conceito de ambidestria, atuando com serviços ligados ao core e outros como fonte de diversificação de receitas.
Entre os exemplos, estão a Unifique Investe, de gestão de ativos, e a vertical de energia criada em agosto de 2025, após aquisição de 70% da Sustentys S.A., holding das empresas R4 Energias Renováveis, R4 Engenharia e R4 Gestora de Energia.
A empresa participa de hubs de empreendedorismo e criou um fundo de venture capital em conjunto com a Bossa Invest, o Sebrae e a Raja Ventures, com o montante de R$ 11 milhões, e que já apoiou 18 startups.
Com a TelcoWeb, startup do portfólio de investidas, a Unifique desenvolveu uma solução SD-WAN para pequenas e médias empresas.
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