A guerra de Trump e Netanyahu contra o Irã
Essa é a guerra de Trump e Netanyahu. O presidente dos EUA e o premier de Israel decidiram lançar um ataque contra o Irã e o objetivo aparentemente é a mudança de regime. Tudo o que ocorrer daqui para a frente, para o bem ou para mal, não apenas no território iraniano como também em todo o Oriente Médio, será responsabilidade dos dois lÃderes. Podem se transformar em heróis caso haja a queda do regime em Teerã ou podem acabar como vilões se o conflito escalar, milhares morrerem e não houver mudança de poder no Irã em direção à democracia.
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Este ponto é importante – derrubar o regime não pode ser considerado uma vitória. Basta ver o Iraque, LÃbia e Afeganistão, onde a queda de Saddam Hussein, de Muamar Kadafi e do Taleban foi apenas o inÃcio do caos nestas nações. Até hoje George W. Bush é responsabilizado pelas centenas de milhares de mortes. É preciso esperar o longo prazo para sabermos o resultado.
Trump, empoderado, foi além de Bush em muitos pontos. Afinal, não consultou o Congresso dos EUA, que possui poder para declarar guerra; Bush consultou os parlamentares norte-americanos. Trump tampouco buscou apoio no Conselho de Segurança da ONU; embora sem sucesso, Bush foi às Nações Unidas. Para completar, Bush deu argumentos, ainda que falsos, para convencer a população norte-americana e contava com apoio da maior parte da população para um ataque contra Saddam; Trump conta com suporte de uma minoria para a guerra.
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Não sabemos se o lÃder Supremo, aiatolá Ali Khamanei, morreu. Caso tenha morrido, para ficar claro, não significaria o fim do regime até porque já estava com idade avançada e havia planos para uma transição. Estamos em um cenário extremamente fluido. As Guardas Revolucionárias poderiam assumir o poder. Não interessa se o comandante das guardas tenha sido morto ou não. Será substituÃdo. Assim como o programa de mÃsseis balÃsticos e o nuclear seja retomado. Talvez com ainda mais força, buscando a estratégia Coreia Norte, que não é atacada justamente por seus programas de mÃsseis balÃsticos e dos armamentos nucleares.
Netanyahu, por sua vez, enfrenta enorme oposição interna em Israel por seus casos de corrupção, falhas na prevenção do atentado do Hamas e um governo extremista. Mas uma vitória contra o Irã o colocaria como um dos maiores heróis da história de Israel. Já um fracasso pode ser o fim definitivo de sua carreira. Ao contrário de Trump, no entanto, a maior parte da população de Israel apoia a ação militar.
