'A gente sofreu calado', diz Adenízia após título da Superliga com o Praia Clube
Campeã da Superliga Feminina 2025/26 com o Praia Clube e eleita a melhor jogadora da competição, a central Adenízia afirmou, em entrevista ao programa CBN Esportes, que o título coroou uma temporada marcada por críticas, pressão e superação emocional.
Aos 39 anos, Adenízia foi um dos principais nomes da campanha do Praia Clube e assumiu papel central como capitã da equipe. Segundo ela, o elenco precisou lidar com desconfiança ao longo da temporada.
“A única coisa que vem na minha cabeça é que a gente não pode desistir nunca (...). A gente sofreu calado, a gente trabalhou muito, enquanto ouvia muitas críticas de todos os lados. Então, o que nós fizemos? Nós nos fechamos, nós trabalhamos em silêncio", relata.
A central destacou que a força mental foi decisiva para a arrancada da equipe nos playoffs. O Praia eliminou o Flamengo em uma semifinal equilibrada antes de vencer o rival Minas na decisão. “Eu falava muito pras meninas: vocês precisam trabalhar o mental de vocês. Não era sobre voleibol. Tudo que a gente tava vivendo era nítido que o nosso mental não estava fortalecido”, contou.
Praia Clube vence Superliga Feminina 2025/26
Wander Roberto/CBV
Segundo Adenízia, o trabalho psicológico ganhou ainda mais importância depois da derrota no segundo jogo da semifinal contra o Flamengo, quando o Praia desperdiçou vantagem no tie-break. “A gente chorou muito naquele 14 a 10. Eu acordei falando: ‘gente, era um pesadelo, né? (...) Mas a gente teve uma semana para juntar os caquinhos", relembrou.
Liderança e cobrança
Capitã do Praia nas últimas temporadas, Adenízia explicou que assumiu também o papel de ponte entre elenco e comissão técnica, especialmente na adaptação ao treinador português Rui Moreira.
“Eu sou a voz das atletas e eu sou a voz da comissão técnica (...). Eu tive que mostrar pra ele como funcionava algumas meninas, como funcionava aqui no Brasil", relata.
A jogadora contou que o início do trabalho foi difícil por conta das diferenças culturais e metodológicas. “Ele é um técnico muito didático, que cobra muito. Então tudo foi novo pra gente (...). Foi difícil pra ele como foi difícil pra gente", conta.
Futuro e seleção brasileira
Apesar da grande temporada, Adenízia adotou cautela ao falar sobre um possível retorno à Seleção Brasileira Feminina de Vôlei. A atleta disse que ainda tem carinho pela equipe nacional, mas ressaltou que precisa avaliar os limites físicos e emocionais para seguir em alto nível.
“Gostaria muito de estar na seleção, sim. Mas eu tenho que saber o meu limite (...). Se eu não estiver 200%, eu prefiro ser honesta comigo e com ele e ficar em casa", declarou.
Adenízia também afirmou que pretende continuar atuando por mais algumas temporadas e revelou que usa Cristiano Ronaldo como inspiração profissional. “Eu tenho o Cristiano Ronaldo como meu mentor, sem ele saber”, brincou. “Eu treino muito, porque eu não nasci com o talento. Eu tive que trabalhar".
