A general é ela! Ex-doméstica, mãe de Janones conta como foi criá-lo e a expectativa de vê-lo um dia presidente

A general é ela! Ex-doméstica, mãe de Janones conta como foi criá-lo e a expectativa de vê-lo um dia presidente - Foto
Fonte da notícia: Extra Extra

No período que antecedeu as eleições presidenciais, André Janones pediu à irmã, Carla, que ficasse de olho no celular da mãe. Não era uma fiscalização a fim de ver se ela participava das ações do Exército do Lula, canal criado por ele no Whatsapp.

Mas para poupá-la de ler o que falavam sobre ele. 'Pessoal, urgente!': 'General' do Lula, André Janones tieta Anitta em jantar: 'Nossa rainha'

Bisneta de Lula viraliza com tutorial de beleza no Palácio da Alvorada, a 'casa do biso': conheça Analua Dona Divina não respeitou o general.

Na realidade, a general é ela. Aos 71 anos, acompanha tudo o que dizem do filho pelas redes sociais.

E, confessa, não é fácil. "É muito ódio, né? Eu vejo tudo, fico ligada.

Falam da aparência, ameaçam, desejam o mal... Tem muita gente que gosta dele também.

Agora, então... Eu rezo para que ele fique protegido de tanta raiva, porque acho que ele não merece.

No fundo, sinto pena dessa gente toda", avalia. Os pais de André Janones se casando

rep/ Fabebook Janones é fruto de uma história de amor, dessas que a gente vê em novela de época.

Aos 24 anos, Divina se casou com José Antônio, cadeirante, de 47, após uma prosaica paquera e o namoro de portão: "Eu trabalhava de doméstica e a minha patroa disse que ele estava interessado em mim.

Se conheciam. Ele sempre mandava um recadinho por ela.

Eu passava em frente à casa dela, a gente se cumprimentava, até que um dia começamos a namorar. Nove meses depois a gente se casou".

André Janones rep/ Fabebook

Levou três anos para Divina engravidar. Primeiro veio Carla, de 44, empresária.

Dois anos depois, Janones chegava ao mundo. Quando ele completou 10 meses, o pai morreu, vítima da Doença de Chagas.

"Foi difícil. Eu precisei deixar eles com minha mãe e voltei a trabalhar em casa de família.

De doméstica ou passadeira, eu pegava o que aparecia. Nunca tive medo de trabalho e sempre fui positiva.

Acho que o André puxou isso de mim", recorda. André Janones foi cobrados de ônibus enquanto cursava o primeiro ano de Direito

rep/ facebook Foi Divina quem incentivou o filho a tentar uma bolsa de estudos para fazer o cursinho pré-vestibular.

Não havia dinheiro para pagar tal "luxo" e ninguém dava emprego a André, que completaria 18 anos em breve. "Ninguém contratava, porque ele teria que se apresentar ao exército e se ficasse, eles perdiam o funcionário.

Aí, consegui por meio de um patrão, uma indicação para ele na empresa de ônibus e o André foi aceito", conta. Janones começou a trabalhar como trocador enquanto estudava para conseguir estudar de graça e se preparar para o vestibular de Direito, seu sonho: "Ele dizia que queria ajudar as pessoas".

André Janones na salinha financiada pela mãe rep/ Fabebook

Ele conseguiu passar no pré-vestibular e também na faculdade. Em ambos precisou ter notas altas para manter o benefício de estudar de graça.

"Ele acordava às três da manhã, pegava no serviço de trocador, só almoçava às 15h, dormia um pouco e ia para a universidade". Tantos sacrifícios culminaram no primeiro escritório.

Uma salinha pequena, de decoração simples financiada pela mãe. "Parcelei a mesa e as duas cadeiras em 12 vezes num carnê das Casas Bahia.

Com o trabalho chegando, ele precisava de uma secretária, mas não podia pagar. Então, eu era secretária, telefonista, faxineira...

Tudo isso para ajudar no começo. O André cobrava bem baratinho e, quando viu, já tinha umas cinco mil ações trabalhistas.

E foi indo", revela, orgulhosa. André Janones e a mãe na colação de grau em Direito

rep/ Fabebook Foi indo tanto que hoje Janones está tendo reconhecimento internacional, após o feito de ter virado os votos, sendo o responsável pelo rumo das eleições que deram a Lula seu quarto mandato.

Algo que faz Dona Divina se inquietar. "Às vezes, olho e custo a acreditar onde ele chegou.

Mas sempre soube que o André iria longe, só não podia imaginar que fosse amigo do Lula. Ele era adolescente quando começou a se interessar por política.

Ia para o meio da praça, com uma camisa do Lula, e se gravava falando do PT. Parecia coisa de juventude, só", observa ela, que, atenta, anda lendo nas mesmas redes sociais, que destilam muitas vezes ódio contra o filho, que Janones vem sendo apontado como, quem sabe, um sucessor para a Presidência da República:

Divina e o filho André Janones rep/ Fabebook

Só Deus sabe, né? Os planos de Deus são muito sábios. É ele quem decide.

E se for essa a vontade Dele, acredito que meu filho estará pronto. Mas antes, espero que ele me dê netos.

André é muito namorador, não parou com ninguém ainda. Mas um dia esse amor chega como chegou pra mim, e ele vai realizar o sonho de ser pai"

André Janones rep/ Fabebook

Namorador, chorão, cristão: quem é André Janones "No pain, no gain".

A frase foi tatuada na região oblíqua, orgulhosamente exposta desde que o abdômen se tornou sarado. A base de sacrifícios, claro, como sugere o ditado em inglês, "sem dor, sem ganho", em tradução literal.

André Janones conheceu bem cedo o significado dela. Aos 10 meses, perdeu o pai e viu a mãe retornar às casas de família, na quais trabalhava como doméstica para sustentar a ele e à irmã, dois anos mais velha.

Como imaginar que dali a quatro décadas ele seria chamado de general por liderar uma guerra pela democracia? O criador do Exército do Lula entrou para a História.

Em alguns séculos é provável que seu nome esteja nos livros que vão narrar um importantíssimo capítulo. Aquele que mostrará como sua perspicácia algorítmica mudou os rumos da eleição presidencial de 2026.

Em duas semanas, o mineiro de Ituiutaba arregimentou 10 milhões de soldados e furou a tal da bolha de que tanto falam, dando a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva, num feito inimaginável. Galerias Relacionadas

Não foi a única que ele explodiu. Durante seus 42 anos de vida, Janones precisou de alfinetes e agulhas para chegar até aqui, quando chama atenção do mundo.

O americano The New York Times, o francês Le Monde, a inglesa BBC, todos querem uma palavra do "milagreiro". Mal sabem eles que Janones é avesso às entrevistas.

Está tão acostumado a pegar o celular, se gravar e mandar seu recado nas redes sociais, que não vê fundamento em responder a interlocutores. Foi se aconselhar com Paula Lavigne, amiga e espécie de fada-madrinha, responsável por seu acesso à área artística.

André janones e Paula Lavigne e Moreno Veloso rep/ instagram

Com ela, Janones desenvolveu uma parceria que começou nas eleições de 2018, quando o país elegeu Jair Bolsonaro. "A gente já se deu bem desde o primeiro contato e ficamos numa dobradinha, fazendo várias ações.

E me tornei amiga dele mesmo", conta a empresária. Ela já conhecia o André quando o nome do político foi envolvido num esquema de rachadinha.

Acusado, Janones confessou o delito, pagou o que devia e quitou sua dívida financeira e moral. A imagem, porém, foi arranhada:

"Muitos artistas viraram as costas pra ele naquele momento. Gente que bloqueou, não falava mais.

O Janones ficou muito magoado, desabafava comigo. Aí, veio a eleição de 2022, e chamei ele para ir para a Bahia com a gente, no verão.

E, desde então, a gente nunca parou de se falar". André Janones presenteou a amiga e madrinha Paula Lavigne

rep/ Fabebook O símbolo dessa união está na estante da casa de Paula e Caetano Veloso.

Janones mandou fazer uma pequena escultura dele e de sua amiga para eternizar o encontro: "Como bom mineiro, é desconfiado, mas de um coração gigante. Leal até a morte.

Só que não esquece de nada". Não esquece e precisa ver com os próprios olhos.

Foi assim quando do ganhou a bolsa de estudos no cursinho pré-vestibular. "Ele correu na casa do vizinho, onde tinha computador, para ver que tinha passado no teste.

Só eu falando não adiantou", conta Dona Divina, sua mãe. André Janones

rep/ Fabebook Janones é fruto de uma história de amor, dessas que a gente vê em novela de época.

Aos 24 anos, ela se casou com José Antônio, cadeirante, de 47. Divina conta que foi do pai que o filho herdou o gosto por namorar demais.

"Até a gente casar, ele teve uma porção de namoradas. O André também, viu? Como namorou e namora até hoje! Só que é mito discreto.

Ninguém fica sabendo", entrega. André Janones

rep/ Fabebook Mesmo quando tinha que andar 6 km a pé até o cursinho e trabalhando como trocador de ônibus, Janones arrumava tempo para as garotas.

Não foi propriamente um galã na adolescência. "Ficou bonito agora", brinca Paula.

Mas a lábia, ah, essa, não é usada só para fins políticos. "Ele sempre foi bom de conversa.

As meninas ficavam na dele. Meu irmão é muito divertido, do tipo que a gente gosta de ter por perto", conta Carla Janones, a irmã mais velha.

Ela é mãe dos dois únicos sobrinhos e xodós de Janones, que ainda não tem filhos. "É o maior sonho dele, ser pai", confidencia Dona Divina.

A irmã sempre cobra aqui e ali: "Sou louca para ter sobrinhos". André Janones com a mãe, Divina, a irmã, Carla, o cunhado, e os sobrinhos, Carla Patricia e Erick

rep/ Fabebook Enquanto eles não chegam, Janones cuida dos filhos dela como se fossem seus.

Estão sempre juntos e é com eles, Carla Patrícia, psicóloga, e Erick, futuro médico, que o ele volta a ser apenas o tio André. Curte cinema jogos, viagens: "Digo que eles são a parte jovem da família".

Mesmo morando em Brasília e com agenda cheia, Janones se faz presente no grupo do "zap" familiar. "A primeira coisa que ele faz quando acorda é me dar bom dia.

Todos os dias", conta a mãe. Se viram pela última vez no primeiro turno das eleições.

Quando pode, ela voa até Brasília para cuidar do caçulinha: "Agora deu para não comer carne, vê se pode?! Só quer as coisas mais saudáveis mesmo. Mas quando vem pra casa, é jiló, frango com quiabo, carne moída… ".

André Janones e amãe, Dona Divina rep/ Fabebook

A vida fitness chegou após Janones se deparar com seus exames. Tudo desregulado.

Culpa do estresse. Tomou as rédeas e mudou radicalmente.

Nunca fumou, bebeu ou experimentou drogas. Ficava mais fácil ser saudável.

Agora, as refeições são leves, feitas na hora e naturais. Janones aboliu os ultraprocessados e malha diariamente.

Levanta às 5h e às 6h está na pista, correndo. Passa o dia ligado no 220v, mas ali pelas 20h já está se preparando para dormir.

"Mas ele não gosta. Dorme porque tem que dormir.

Se pudesse, ficaria cordado", entrega a irmã. André Janones e o pastor Caio Fabio

rep/ Fabebook Homem de fé, Janones foi criado no cristianismo, não tira do pulso uma pulseirinha em que se lê "Sou louco por Jesus" e tem o pastor Caio Fábio como seu líder na religião, que segue sem espetacularização.

Foi em Deus que se agarrou num momento delicado dessa reta final das eleições. O preço de tanta energia foi cobrado no primeiro debate do segundo turno.

Afinal, tudo é urgente na vida de Janones. "Quando vi o André dando entrevista, ali nos bastidores, percebi que algo não estava bem.

Ele não conseguia respirar direito, a fala desconexa. Pensei: 'vai panicar'.

Ele finge bem, mas segura muito as emoções", conta uma amiga. Mas quando chora… O mapa astral, encomendado pela amiga Paula, mostra bem o quão sensível ele é.

Touro com ascendente e a lua em câncer. Haja lenço!

André Janones: sensibilidade é traço marcante rep/ Fabebook

"O coração do André é enorme. Não é porque é meu filho, sabe.

Desde criança. Foi um garoto feliz, que catava santinhos de políticos na rua e dizia que seria um deles ou um advogado para defender as pessoas.

Se gravava na praça da cidade, usando uma blusa do PT e elogiava o Lula. Às vezes, olho e custo a acreditar onde ele chegou", reflete a mãe do general.

André Janones e o presidente Lula rep/ Fabebook

André Janones rep/ Fabebook

Publicação Original Extra extra.globo.com
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